Sucesso da noite para o dia pode ser ilusório e prejudicial, afirma Fundador do Spotify
No blog do Spotify, um serviço social de streaming musical, o co-fundador Daniel Ek compartilhou seus pensamentos sobre a posição da Spotify hoje e seus desejos para o futuro. Segundo ele, apesar do Spotify estar indo muito bem, não está próximo a se tornar uma empresa sustentável com um modelo de receita estável, e este é seu objetivo final. Ek não tem intenção de simplesmente passar pra frente a companhia após atingir o auge, ele quer ir até o final, passando por todas dificuldades até alcançar seu objetivo. Mas a empresa luta com as exorbitantes taxas impostas pela indústria da música e tenta encontrar um modelo de anúncios compatível para viabilizar o negócio.
Segundo Ek, a noção de sucesso repentino é “ilusória e pode prejudicar os planos de longo prazo e o crescimento sustentável.” Mas a indústria musical cobra modelos de negócios com resultados em meses de inserção. Porém ele cita o exemplo do ITunes que em seu primeiro ano não teve muito sucesso, levando muitos executivos a duvidarem de sua durabilidade. Hoje, ninguém mais duvida de sua força. Mesmo não se tratando de negócios similares isso prova o argumento: sucesso na indústria da música leva tempo.
Spotify ainda não foi lançado nos EUA por razões de negociações de licença, mas é muito popular na Europa, entretanto ainda sente necessidade de evolução em termos de produto e monetização. Quando 80% dos usuários não sabem da possibilidade de comprar as músicas que estão ouvindo, fica difícil a comercialização das mesmas. Outro desafio da empresa é lucrar em frente aos grandes custos de direito das músicas, especialmente até achar um modelo de publicidade que ao menos cubra os custos. Ainda neste ano, a Last.fm, teve esse mesmo problema.
A resistência da indústria musical
Se dependesse do Spotify, a indústria musical aceitaria o futuro ao invés de lutar contra ele, atualmente as gravadoras lutam para obter lucros diretamente dos usuários, cobrando por cada vez que a pessoa escuta a música, tentando espremer cada centavo das oportunidades oferecidas. O sucesso da indústria depende de um novo modelo de negócio, segundo Ek, “uma mistura de músicas mantidas por publicidade, downloads, assinaturas, merchandising e venda de ingressos onde o usuário vem sempre primeiro e a chave da monetização vem da portabilidade e dos direitos de acesso.” Caso essas mudanças fossem feitas, o potencial de receita iria aumentar bruscamente, podendo alcançar U$40-50 bilhões, deixando a indústria mais forte que nunca.
Pelas palavras de Ek, percebe-se que a empresa está apta para enfrentar os desafios da indústria musical e tem o comprometimento em tornar-la mais “sociável”. Caso a indústria mude, segundo ele é possível resgatar uma parte dos usuários de programas focados em transferências de arquivos ilegais. Segundo Ek, Spotify conhece suas fraquezas e sabe esse é o primeiro passo para vencê-las.






