O Suspense do Apple Tablet: Revolução ou Simples Estardalhaço?

Um dos jogos favoritos dos colunistas de tecnologia pelo mundo afora é tentar adivinhar qual será o próximo movimento da Apple, comandada por Steve Jobs. A combinação de segredo, inovação, cuidado extremo com o detalhe e principalmente lucros torna esse jogo cada vez mais atrativo (e difícil).
A bola da vez é o Apple Tablet (iSlate?), que seria uma aposta em um segmento de mercado que não é novo, mas que ainda não “decolou” como se imaginava. Desde os anos 90 diversas empresas tentaram sem sucesso criar este mercado. E o fracasso dos antecessores torna a aposta mais interessante. Vindo da Apple, como será este tablet afinal? Sendo bem grosseiro, seria um iPod gigante, ou um MacbookAir sem teclado?
Depois de ouvir inúmeras apostas, resolvi fazer a minha também: nem “iPodão”, nem notebook sem teclado. Pode até se parecer com uma dessas coisas mas será um dispositivo novo. O que não é surpreendente tratando-se de Apple.
Vem aí… o Kindle Killer (e muito mais)
Acredito que o Apple Tablet será uma ferramenta de leitura, escrita e colaboração – um PDA de verdade. Irá além do simples leitor de ebook (coisa que o Kindle teve oportunidade de ser, mas não conseguiu). E também não será um simples comunicador, centro de mídia ou agenda eletrônica. Certamente irá agregar algumas dessas funções. Mas o brilho da nova plataforma será a integração de tecnologias que tornará o tablet um produto realmente usável no dia a dia, de uma forma que um celular, um iPod ou um netbook jamais poderiam ser.
Uma convergência de tecnologias favorece um lançamento neste exato momento. Existem hoje telas híbridas capazes de combinar o melhor da tinta eletrônica com a cor e velocidade de um LCD. E também existem novas telas OLED capazes de operar com nitidez e baixo consumo. São tecnologias quem permitem implementar o “ebook reader perfeito”: leve, fino e durável – e 100% integrado com a loja digital da Apple. Mas o produto iria muito além: um sistema de reconhecimento de escrita, gestos e toques permitirá escrever e até desenhar de forma natural. Ferramentas de colaboração deixariam as funcionalidades de anotação de livros do Amazon Kindle comendo poeira. O resultado seria um tablet pronto para tomar de assalto o mercado educacional, nicho dominado pela Apple desde a sua fundação. Se tudo der certo a Apple poderá fazer com o segmento de ebooks o que fez com a música digital, disputando diretamente a liderança com a Amazon.
Um Tributo ao Apple Newton
Não deixa de ser curioso lembrar um pouco da história da Apple para rastrear o possível ancestral do novo tablet. Estou falando do Apple Newton, em sua concepção original – e não o PDA que fracassou no mercado no início da década de 90.
Para quem não sabe, o Newton não foi pensado para ser um PDA, mas um tablet legítimo. O produto acabou se tornando um PDA por uma série de razões técnicas e de marketing. Por exemplo, havia um temor de que o produto “canibalizasse” as vendas do Mac. O fato é que o Newton antecipava tecnologias que hoje são realidade. Mas outras de suas idéias – como o reconhecimento de escrita de alta qualidade – ainda não tem concorrente à altura, mais de 10 anos depois. Alías, a Apple recontratou recentemente um dos principais criadores do Newton, o que esquenta ainda mais as especulações.
Se o novo Apple Tablet realmente resgatar o espirito do Newton, a genealogia do produto não poderia ser mais irônica. O Apple Newton foi um poucos produtos inovadores da Apple que não teve a orientação visionária de Jobs. Apesar de tecnicamente avançadíssimo, o Newton fracassou no mercado. Até que ponto isso aconteceria com Jobs no comando não é claro. Afinal, ele mesmo havia falhado antes e saído da Apple em 1985. Ao retornar já no posto de CEO em 1998, coube a ele a decisão de descontinuar o desenvolvimento do produto. Foi uma decisão executiva importante que ajudou a colocar a Apple de novo nos trilhos, recuperando a rentabilidade – e que abriu o caminho para produtos como o iMac, iPod e finalmente o iPhone.
E o Anúncio Vem Aí

A Apple já convocou a imprensa para um evento de lançamento da sua última criação no dia 27 de janeiro. Porém, de última hora, a possibilidade de um atraso deixou o mercado agitado. Mas afinal, o futuro é esse. Computação pervasiva, realidade aumentada, interfaces naturais. E como é sabido, Steve Jobs não gosta de perseguir o futuro. Gosta de estar lá antes que ele aconteça. E é isso que ele está fazendo agora, pela enésima vez em uma carreira ímpar. Depois disso tudo, quem apostaria contra?







Não aposto em Kindle killer nem e-ink. Vamos ver…
O e-ink puro não é viável. Mas o e-ink híbrido é uma grande promessa. Veremos!
eu vejo vários problemas, e acho que essa “novidade” vai morrer na praia.
1. preço: eu simplesmente não vejo as pessoas pagando mil doletas por um tablet. e esse é o preço mais constante nos rumores sobre o “iPad”.
é, é melhor que um netbook (que custa 400 no máximo), mas mesmo assim…
2. tela: uma tela LCD ou OLED não funciona muuuuito bem no sol. Ok, a tela do iPhone até quebra o galho se não for Debaixo do sol (caso no qual você não consegue ver se está acesa ou apagada), mas… pra ler, esperando o ônibus/trem/metrô (ou dirigindo… brincadeirinha, não tuíte e dirija, é perigoso!)
3. bateria: como “acessório de sofá”, esse treco teria que ter autonomia de 12 horas ou mais funcionando (ou seja, wifi/3g + bluetooth + vídeo streaming tocando). eu simplesmente não tenho essa esperança. some-se a isso o provável price point.
4. software: não vi nenhum rumor de um software “killer” pra esse gadget. seja um editor colaborativo (ou uma área de edição online+collab tipo gdocs), um notetaker pra ebooks/emagazines ou ainda alguma outra coisa nova. se a Apple tem alguma surpresa aqui, as cartas dela está mais junto ao peito do que de costume.
Não me entendam errado, eu adoro tablets, e quero comprar um (só que por 300-400 dólares no máximo). Acho ótimo se eu puder:
1. sentar meu traseiro no sofá e ler artigos/textos/livros no intervalo — ou o dia inteiro –, fazendo anotações, e de preferência, conseguindo extrair informações estruturadas dos mesmos (Mendeley desktop-like);
2. browsear a web no sofá ou no ponto de ônibus/metrô/trem/taxi/dirigindo(…), vendo vídeos, twitando, conversando via skype com videoconferência, etc; de preferência, sem ter que ter um iPhone além do iPad;
3. desenhar/diagramar/fazer protótipos e wireframes (programar!!!) usando o tablet. eu queria o software que o McKay usa;
4. controle remoto. Eu queria poder ver como está a carga do Oracle em um dos meus servers, como vai o BitTorrent que tá rolando em outro, a carga de filmes da iTMS pros AppleTVs (é, eu tenho dois pesos de papel com maçã em cima), ligar e desligar as TVs, receivers, luzes, portas e portões da casa;
5. o “boot time” tem que ser instantâneo; mesmo que você não reboote o iPad mais que uma vez por mês, cinco segundos é o suficiente; o minuto-e-meio que leva pra bootar o iPhone 3G é um absurdo.
nem vou mencionar acesso (direto) a conteúdo da iTMS, incluindo assinaturas de jornais e revistas, porque na minha opinião isso vai ter, e é o mínimo do mínimo. nem GPS porque isso é meio garantido também, né?
Humberto, boa parte das suas ressalvas diz respeito a tecnologia. Minha aposta particular é que estamos em um momento de virada, de convergência de várias tecnologias que podem viabilizar sim um tablet leve, robusto, de alta qualidade e com consumo baixíssimo. A própria ameaça de um atraso de seis meses estaria ligada a estas questões, pois realmente é uma aposta altíssima.
Fora isso, se a gente lembrar bem do lançamento do iPod e do iPhone, verá que os dois produtos – apesar de muito bem acabados e revolucionários desde o dia “zero” – cresceram ao longo do tempo, com a formação de um ecosistema muito bem trabalhado. O tablet (se vier mesmo!) também deve seguir o mesmo caminho. O pacote básico do produto fica pronto agora, a infra de colaboração deve demorar um pouco mais pra ficar 100% pronta.
Massa, não acho que U$1000,00 seja um preço tão irreal assim: não se esqueça que se trata de um produto da Apple.
Só pra comparar: quando o iPod foi lançado, ele custava U$400,00. O Mac Mini custa U$599,00 e um Mac Book sai por U$999,00. Todos eram (e ainda são) mais caros do que os similares do mercado, mesmo assim a galera compra.
Mil dólares num tablet da Apple é fichinha pro campo de distorção do Jobs.
O preço é sim um fato crítico de sucesso, mas isto acabaria sendo diluído com o tempo e com a entrada de concorrentes para o produto. Pra mim o que realmente tornaria o Tablet um produto matador mesmo seria a portabilidade, e a funcionalidade para a qual ele se propõe.
No entanto, ainda não está claro qual seria a definição ou principal propósito do produto. Teoricamente, tudo que um tablet poderia fazer, outros produtos de sucesso já são capazes de fazer, cada um dentro do seu nicho. Então o objetivo final de um tablet seria juntar todas as letrinhas em uma sopa só? Talvez.
No entanto, em meio a todos estes dispositivos (iphone, ipod, netbook, ebook reader, etc), a única coisa que realmente seria um grande plus é uma funcionalidade top de Notetaking. Eu acredito muito na idéia de que se a Apple conseguir criar um produto, que agregue funcionalidades de web, mas com o foco em Notetaking, isto sim seria o “quente do verão”.
Pra mim um produto forte em notetaking teria o seguinte:
* Forte reconhecimento de escrita. Sendo esta a principal forma de entrada de anotações. Prancheta em uma mão e canetinha na outra, pra poder escrever coisas em qualquer lugar, no meio da rua, no museu, na escola ou em uma palestra. Pela natureza do Tablet, se você apoiar ele em uma mesa para entrar dados através de um teclado virtual, ele ficará 100% na horizontal, e aí seria péssimo ter que digitar olhando pra baixo ao mesmo tempo (dor no pescoço na certa!). A maior parte da entrada de dados das anotações, tem que ser via escrita na minha opinião.
* Permitir anotar qualquer tipo de mídia, desde PDF's (como os ebook readers), até videos, fotos, e sites da internet (quem se lembra do Google sidewiki?). O foco é anotar informação em cima de informação.
* Compartilhar suas notas.
* Comunicação MEGA FÁCIL com o iPhone, de forma que você pode tirar fotos, gravar vídeos e enviar diretamente para o Apple Tablet para fazer suas anotações.
Acredito que se estas funcionalidades forem implementadas com o mesmo nível de usabilidade e detalhe que a Apple sempre coloca em seus produtos, este Tablet tem tudo pra conquistar um “uau!” do público.
Abraços!
Fabiano,
Minha opinião bate com a sua em muita coisa. Acho que vai ter uma interface bonita, e que não vai nascer pronto – vai precisar de refinamento. Mas o básico tem que nascer “certo. E não acho que será muito pesado, pois acho que a Apple sabe que este é um limitador importante. Se tiver 10″ precisa ter menos de um quilo (ou duas libras +/-). Se tiver 7″, meio quilo (ou uma libra).
De tudo que você disse, o que eu mais discordo é o fato de ser um MacAir sem teclado. Acho que estará mais para iTouch do que para MacAir. Mas veremos!
Fabiano,
Minha opinião bate com a sua em muita coisa. Acho que vai ter uma interface bonita, e que não vai nascer pronto – vai precisar de refinamento. Mas o básico tem que nascer “certo. E não acho que será muito pesado, pois acho que a Apple sabe que este é um limitador importante. Se tiver 10″ precisa ter menos de um quilo (ou duas libras +/-). Se tiver 7″, meio quilo (ou uma libra).
De tudo que você disse, o que eu mais discordo é o fato de ser um MacAir sem teclado. Acho que estará mais para iTouch do que para MacAir. Mas veremos!
cara, se esse treco nao se comunicar por conta própria (depender do iphone pra 3g) eu acho que vai ficar muito mal…
Carlos,
eu ainda creio que por mais avançada que a tecnologia pareça estar hoje, ainda não chegamos ao ponto onde é possível um aparelho destes.
Processadores geram muito calor, baterias acabam muito rápido, telas consomem muita corrente e as que não consomem ainda são feias e sem brilho. Tudo isso embalado por preços altos e fragilidade dos componentes.
Acho que a 'revolução' da Apple não vai acontecer. Teremos um produto interessante, provavelmente. Mas revolucionário, eu duvido.
Minha aposta?
Interface bonitona, poucas funções (mas que funcionam bem), aparelho pesado e pouco prático. Algo mais relacionado à internet e mídia. Um Mac Air sem teclado, para ser mais direto. Com alguma função engraçadinha de integração com a Apple TV.
Não que isso seja uma coisa ruim. Applemaníacos vão comprar a rodo e jurar que mudou suas vidas, fazer oferendas a St.Jobs (St de Saint, não de Steve) e tudo o mais,
Acho que é um primeiro produto, ainda crú e pouco evoluído de uma série que vai se tornar mais interessante no futuro. Mas este primeiro passo, dúvido muito que vá ser de tirar o fôlego.
Massa, com relação a comunicação com o iPhone, estou falando da transferência de arquivos, principalmente fotos e vídeos, uma vez que o Tablet não deve ter uma câmera. Imagina você levantando um tablet de 7'' (quem sabe 10''?) pra tirar uma foto ou filmar algo?
Eu só estou querendo ver o que realmente a Apple vai apresentar para o público (jornalista, fanboys…) no dia 27, porque a especulação é grande, mas não é confirmada pela própria empresa. Vamos esperar
Se tem uma coisa que eu não consigo imaginar, é quais “acessórios” o tablet terá integrados. Na minha opinião um tablet deve ter o mínimo de coisas. Se o reconhecimento de escrita *e de desenhos* for bom (e essa é a minha grande expectativa), basta que ele tenha wireless (WiFi ou 3G somente para dados, Bluetooth para sincronizar com dispositivos móveis com o iPhone) e um bom leitor de cartões de memória. Mas talvez venha com outras coisas (mesmo que eu não veja utilidade para elas em um tablet!).
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