O Roadmap da Google: Facilitar a Entrega de Conteúdo Nas Diversas Plataformas
Autor Convidado: Daniel Cawrey é um escritor freelancer e um entusiasta de tecnologia. Você pode ver seus últimos artigos no thechromesource, um blog onde ele fala sobre o navegador Chrome, Chrome OS e sobre a Google em geral.
Nos últimos meses a Google tem lançado uma série de novos aplicativos, alguns que poderiam inclusive terem sido melhor trabalhados antes de lançados para os consumidores. Isso se tornou cansativo para algumas pessoas que tentam se manter atualizadas, já que a cada semana a Google está fazendo alguma coisa nova. Mas há um motivo para tudo isso, e ele tem muito mais a ver com a filosofia da Google do que você imagina.
Não é novidade que a Google ganha dinheiro através da publicidade. Eles faturaram mais de US$ 23 bilhões só em 2009, e a maior parte da renda de publicidade vem dos sites que são propriedade da empresa. Todos os novos produtos se alinham a um só objetivo: Facilitar a entrega de conteúdo nas mais diversas plataformas.
Confira este gráfico do Silicon Valley Insider, que mostra a composição das receitas de publicidade da empresa.
Lançando novas plataformas de distribuição de conteúdo, a Google confia em si mesma para gerar mais receitas através da audiência de seus produtos, nos quais ela pode veicular anúncios. Esta é inclusive uma preocupação crescente para publishers que dependem do lucro do Google Adsense, pois este pode chegar a um ponto em que ele pode não mais ser lucrativo para as empresas, dado sua pequena participação na composição das receitas da empresa.
Se chegar a este ponto, a Google pode vir a precisar subsidiar seus publishers. E a empresa pode não ter escolha, pois sem uma ferramenta de monetização como continuaria todo o conteúdo mantido pelo adsense na web? É notório que uma boa parte da web utiliza a ferramenta como sua principal fonte de receitas, e vários serviços dependem do Adsense ao menos para complementar sua renda. O dogma principal do mercado de busca é fornecer resultados de qualidade, e assim caminhamos rumo a um dilema, pois se as receitas do Adsense dos publishers forem afetadas, pode-se imaginar o efeito que isso teria no conteúdo. Sem um bom conteúdo para entregar as pessoas que buscam, pode surgir espaço no mercado para outros players, dispostos a dividir receitas de maneiras mais amplas.
Ao lançar aplicativos como o Buzz, pode-se esperar que a empresa dará um jeito de aumentar o volume de conteúdo produzido por seus usuários, afim de monetizar ainda mais sobre conteúdo “próprio” e não de terceiros. Mas o Google também revela detalhes de avanços em mercados um pouco diferentes do de produção de conteúdo. Veja outros possíveis modos de gerar receitas:
Se Tornando um ISP
Recentemente, um programa experimental foi anunciado, através do qual a Google irá fornecer serviços de internet através de fibra ótica diretamente a cidades pré-selecionadas. No congresso World Mobile, o CEO Eric Schmidt falou que o objetivo deste programa é permanecer experimental, mostrando aos operadores de infra-estrutura como empresas de “cabo” que é possível a Google se tornar um ISP, baixando cada vez mais os custos de distribuição de conteúdo na internet e talvez até tornando o acesso a web um commodity.
Entrando de cabeça na Guerra dos Browsers
O navegador Chrome vai ganhar mais espaço nas próximas semanas. Isso porque os usuários do Windows na Europa que usam o Internet Explorer receberão uma atualização em suas máquinas notificando-os sobre as escolhas de navegadores que eles tem. Isto é uma resposta da União Européia a prática da Microsoft de colocar o IE junto com o Windows restringindo a concorrência. Embora a notificação ofereça muitas opções de navegadores, o resultado será um aumento do market share do Chrome. O browser já vem crescendo constantemente e já tem cerca de 5% do mercado desde seu surgimento, em 2008. Existem diversos esforços da Google para emplacar o Chrome como uma plataforma integrada aos seus serviços, e desta maneira ele poderia fazer segmentação cada vez melhor de conteúdo para cada um de seus usuários.
Criando uma Arquitetura Computacional Gratuita Para Fabricantes Mobile
Já vimos isso com o Android, e parece que este sistema operacional gratuito salvou a Motorola de mais um ano deficitário com o lançamento do Droid. Também nessa linha, o lançamento do Chrome OS permitirá a empresa não só entrar no mercado de netbooks, mas também do tablets e smartbooks. A empresa se reafirma como plataforma de distribuição de conteúdo ao entrar no segmento de sistemas operacionais, mas mantendo o controle sobre suas lojas de aplicativos, seguindo o exemplo da Apple.
Da próxima vez que a Google for anunciar algum lançamento de aplicativo ou serviço, pense em conteúdo. Se antes a visão do Google era tornar toda informação do mundo acessível, hoje ela caminha cada vez mais na direção de tornar a informação acessível, mas agora dentro dos serviços da Google.









“Também nessa linha, o lançamento do Chrome OS permitirá a empresa não só entrar no mercado de netbooks, mas também do tablets e smartbooks.”
Uma outra aplicação que pode ser muito interessante para o Chrome OS é como OS de desktops mesmo. Ambientes como call centers podem se beneficiar muito do baixo custo do hardware e da facilidade de manutenção do ponto de trabalho.
“Também nessa linha, o lançamento do Chrome OS permitirá a empresa não só entrar no mercado de netbooks, mas também do tablets e smartbooks.”
Uma outra aplicação que pode ser muito interessante para o Chrome OS é como OS de desktops mesmo. Ambientes como call centers podem se beneficiar muito do baixo custo do hardware e da facilidade de manutenção do ponto de trabalho.