Precisando de um Empréstimo? Conheça a Fairplace

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O mercado brasileiro agora possui uma startup que viabiliza micro empréstimos através da internet. Lançada no final do mês passado, a Fairplace trouxe para o mercado local uma nova forma de concessão de crédito pessoal utilizando-se apenas da internet e sem intermediação bancária.

A empresa inspirada no modelo dos internacionais Kiva e Prosper, administra uma rede social onde pessoas interessadas em investir seu dinheiro encontram aquelas com necessidades de crédito. O modelo, conhecido lá fora como “peer-to-peer lending” – promete oferecer aos investidores rendimentos maiores dos praticados no mercado, e aos tomadores, taxas menores das ofertadas normalmente. O Kiva já facilitou empréstimos que atingem a casa dos 100 milhões de dólares, e o Prosper apresenta números ainda maiores, 196 milhões de dólares já emprestados. Outros players do mercado internacional são o Lending Club e o Zopa, já presentes em alguns países da Europa.

A empresa já está operando e fechou parcerias com empresas como a Moip e também Serasa Experian. O sistema bancário brasileiro hoje é bastante complexo e rigoroso para tomadas de empréstimos por pessoas sem fontes de renda fixa ou carteira assinada. Espera-se que esta plataforma ajude novas pessoas a conseguir levantar fundos para suas necessidades sem passar por todas as burocracias dos empréstimos bancários tradicionais.

Eldes Matiuzzo, fundador da Fairplace, falou exclusivamente com o ReadWriteWeb Brasil sobre como foi estruturar o modelo no Brasil e expectativas de crescimento.

RWWBR: Podemos falar que a maior dificuldade para trazer esse modelo para o Brasil foi adequá-lo às normas tributárias e fiscais do país ou aplicar uma nova cultura de empréstimos, principalmente de investidores que temem com segurança e liquidez?

Eldes: Introduzir uma nova cultura, sem dúvida. As questões tributárias são relativamente simples. A questão legal sim foi a que nos demandou mais tempo de estudo e desenvolvimento antes de começarmos a investir neste projeto. Muita gente acha que não se pode realizar empréstimos diretos entre pessoas. No entanto esta forma de empréstimo está prevista e regulamentada no Código Civil Brasileiro através dos contratos de mútuo, e a própria Receita Federal orienta em seu site como declarar esta forma de empréstimo.

A modalidade de empréstimos entre pessoas introduz uma nova forma de investimentos, onde o risco de inadimplência é transferido ao investidor, que é naturalmente recompensado na forma de retornos muito superiores aos de títulos de renda fixa. O trabalho da Fairplace é fornecer aos investidores as melhores ferramentas de avaliação de risco, checagem, gestão de portfólio e cobrança, as mesmas utilizadas por bancos e financeiras, de forma que investidores atuem como “bancos individuais”.  Já temos mais de 400 investidores experimentando esta nova forma de investir, e a aceitação e o entendimento do conceito têm sido surpreendentes para nós.

RWWBR: Notamos que a Fairplace tem crescido rapidamente, e já tem números bastante expressivos para apenas um mês no mercado. Pode compartilhar alguns?

Números atuais:

  • 1.202 usuários cadastrados
  • 365 Investidores, no total depositado de R$ 144 mil
  • 340 pedidos de empréstimo, no total de R$ 1.335.236,00
  • 72 pedidos listados (21%), no total de R$ 301.050,00
  • 37 empréstimos liberados, no total de R$ 115.610,60

Eldes: Ao final de 1 ano de operação projetamos ter 7.800 pedidos de empréstimo, 1.200 empréstimos concedidos totalizando cerca de R$ 5 milhões. No segundo ano projetamos 41 mil pedidos de empréstimos, 6.200 empréstimos concedidos no total de R$ 26 milhões.

RWWBR: O conceito e o crescimento dos intermediadores de pagamento é fundamental para que a Fairplace ganhe forma, e o trabalho de análise de crédito realizado por vocês é complementar ao trabalho de gestão de risco do MoIP. Como é abertura e disponibilidade de informações para essas consultas?

Eldes: O MoIP está totalmente integrado à nossa operação, atuando como um gateway entre a Fairplace e a rede bancária. Todos os pagamentos e recebimentos são feitos através do MoIP. Além deste serviço, O MoIP nos disponibilizou mecanismos de checagem não presencial que têm sido bastante eficazes na prevenção à fraude. Esta integração com o MoIP nos economizou bastante dinheiro no desenvolvimento de nossa plataforma e antecipou em mais de 6 meses o lançamento da Fairplace.

Já quanto à análise de crédito, temos como parceiro o maior bureau de crédito do país, a SERASA-Experian. Além de toda a confirmação de dados cadastrais, a SERASA nos fornece o que há de mais avançado e completo em modelagem estatística de crédito.

RWWBR: Há outros projetos em mente relacionados ao mercado financeiro?

Eldes: Temos sim, todos relacionados à Fairplace. Atuar com empréstimos a pequenas empresas, abrir novas formas de financiamentos como veículos por exemplo, e expandir nossa operação para outros países da América Latina são as nossas prioridades neste momento.

E você? Vai pedir ou oferecer empréstimos?