A Economia da Atenção e a Web em Tempo Real: Leia Agora!

O rápido crescimento do volume de informação com que lidamos no dia a dia gera a escassez da nossa atenção. A idéia em si não é tão nova, tendo sido explorada a fundo por Thomas Davenport e John Beck no livro “A Economia da Atenção”. O processo se acelerou, primeiro com a Web 2.0 e agora com a Web de tempo real. Com isso as pessoas passam cada vez mais rapidamente pelas sua fontes de informação, como RSS, caixas de email – muitas vezes de forma totalmente superficial – e precisam confiar mais em filtros e recomendações para se informar.

Resultado: a atenção das pessoas virou um patrimônio escasso. Quem a possui pode através dela desenvolver seu próprio negócio.

Com o crescimento do que chamamos de a web em tempo real, ou a real-time web, o conceito da economia da atenção se reforça e gera algumas implicações interessantes. Neste post vamos analisar algumas delas e contextualizá-las em um mercado que vem crescendo no mundo todo, incluindo o Brasil (com serviços como o migre.me , zapt.in e buzzvolume ).

Real-Time, Atenção e a Old Media

Quando se fala em real-time, a primeira coisa que vem a cabeça é o Twitter e seus trending topics – dados consolidados que mostram o que vem recebendo atenção das pessoas em tempo real. Não é um conceito novo: o Google faz este tipo de análise em serviços como o Google Trends e o Hot Trends, mas o assunto ganhou força com o crescimento dos serviços que se propõem a trabalhar em tempo real.

Os grandes players da chamada “Old Media” (jornais, TV, rádio) ainda têm muito que aprender com os veículos digitais. Blogs e portais se acostumaram a reformatar seu conteúdo em altíssima velocidade. Com os serviços de tempo real, combinados aos dados de atenção dos usuários, pode-se mudar a maneira como a mídia, o comércio eletrônico e outros lidam com seus usuários e fazem negócios.

Os dados de atenção das pessoas tem grande valor para qualquer player de mídia, pois uma vez que haja conhecimento do que interessa às pessoas em um dado momento, não existe mais a necessidade de se produzir conteúdo por tentativa e erro (como ainda é feito em muitos veículos). Na web de tempo real, os donos dos bancos de dados de atenção real-time podem lucrar oferecendo relatórios agregados e anonimizados para qualquer empresa que depende de atenção ou audiência para se manter em evidência.

Atencão Versus Opinião

Uma das mudanças na direção da atenção com relação aos serviços da geração anterior é a forma como os dados são captados.

Serviços como o Digg, que dependem de votos, e também serviços que dependem de engajamento ativo como comentários, retweets, links e outros dados captados ativamente, acabam tendo menos velocidade para identificar os pontos de atenção das pessoas – o que inviabiliza sua competição com os players que trabalham em real-time.

Os novos serviços (como o migre.me ou o bit.ly) captam passivamente dados de tempo real, que depois podem ser agregados e comparados com todo o conjunto, gerando um mapa de onde um conjunto de pessoas está olhando em um determinado momento. Um exemplo é o migre.me, que representa no Brasil uma imagem do está passando pelos olhos da Twittosfera (e da blogosfera em menor grau). A diferença é que estes serviços medem unicamente a atenção e não a opinião dos usuários. Mas será que a opinião é tão importante?

Atenção vs Qualidade

Qualidade e relevância também são um fator chave para os veículos de mídias, mas são variáveis que não entram na equação que determina atenção das pessoas. Neste cenário, tende-se a valorizar primeiro o mais rápido – e não o melhor.

Suponhamos que muitas pessoas estejam dando atenção a um tópico específico, visitando sites sobre o assunto. Uma distinção importante a ser feita é que na economia de atenção a qualidade é apenas um fator pontual, e ele não é medido pela atenção. Portanto pode-se esperar que as notícias sobre o assunto de serviços como o Digg, ou o Tweetmeme, tenham mais qualidade e relevância do que os serviços que agregam dados de navegação, como o bit.ly ou migre.me (dado a necessidade de engajamento para geração do seu ranking).

O interesse das pessoas por um determinado assunto em um determinado momento não significa necessariamente qualidade do ponto de atenção. Segundo Manoel Lemos, fundador da Webco (BlogBlogs, Brasigo) e um dos pioneiros a desenvolver serviços de real-time no Brasil, com o Livestream em 2008, não há dúvidas de que a web real-time veio para ficar, mas ela traz um desafio enorme: separar sinal do ruído.

O Pagerank, que mede a qualidade de links (votos) recebidos por uma página, é interessante para se priorizar a relevância entre itens relacionados, mas não pode ser utilizado num contexto em que se visa identificar a atenção das pessoas. Já o Google Zeitgeist – os dados de termos de buscas que o Google armazena – é certamente um dos maiores banco de dados de atenção/intenção que existe no mundo.

Busca vs Real Time Trending

Recentemente o TechCrunch divulgou que apenas 2% dos trending topics do Twitter batem com os trending topics do Google Zeitgeist. O fato levanta um questionamento: se ambos são bancos de dados de para onde as atenções das pessoas se voltam em um determinado momento, por que tamanha diferença?

Uma suposição é de que as pessoas tendem a buscar sobre o que elas não dominam, mas tendem a falar sobre o que elas sabem ou acreditam saber. Outro possível aspecto é que a curva de envolvimento para fazer uma busca é maior do que simplesmente perguntar as pessoas com as quais você se relaciona (pense naquele amigo que liga para você para perguntar como consertar o PC antes de ir ao Google).

Pode-se também alegar que o universo de usuários do Twitter contém uma massa peculiar de usuários, fato que restringe a efetividade dos seus dados de atenção, mas o fato de todos os olhares se voltarem para o twitter em momentos como logo após a morte do Michael Jackson, ajuda a desmontar este argumento, comprovando a imediatez do serviço.

É fato que a natureza do serviço mudou o jogo e vem trazendo diversas alterações nos modelos de negócio dos seus concorrentes. O Facebook passou a valorizar mais os updates. O Google adicionou resultados de tempo real na busca e lançou o Buzz. E agora, qual a próxima  grande mudança que será provocada na web pela internet de tempo real? Não sabemos, mas temos certeza que ela acontecerá rápido.

0 responses to “A Economia da Atenção e a Web em Tempo Real: Leia Agora!

  1. “a atenção das pessoas virou um patrimônio escasso. Quem a possui pode através dela desenvolver seu próprio negócio.”

    Cara, aonde vamos parar? Eu não pesquiso muito sobre o assunto, mas o que os entendidos dizem sobre essa onda de real time web a respeito da “bolha estourar”, assim como foi com a web? Será possível?

  2. Diego, já discutimos muito esse assunto e eu concordo inteiramente com você. O tempo é o recurso escasso por excelência: não se pode inventar ou criar tempo. Cada um tem as mesmas 24h no dia. Obter uma fatia dessa atenção é cada dia mais complicado.

    Nós (geeks, nerds, blogueiros e hiperconectados em geral) ainda nos damos ao trabalho de seguir Twitter, Buzz, RSS, Google Reader e outros mecanismos do tipo que nos mantém conectados em um ou mais “streams” de informação de grande capilaridade. Mas a maioria das pessoas não consegue gerenciar esse tipo de imersão em informação e prefere escolher meia dúzia (se tanto) de “canais” para obter suas informações. Porém, não está claro ainda qual mecanismo ou tecnologia de agregação irá ganhar este mercado. Candidatos há aos montes: portais, rss, redes sociais, streams de tempo real, etc. À medida que mais gente entrar na rede, e que mais pessoas ainda se saturarem desse processo, acredito que um mecanismo de consolidação ganhará mais força. Isto não deve estar longe de acontecer – é questão de tempo.

  3. Diego, já discutimos muito esse assunto e eu concordo inteiramente com você. O tempo é o recurso escasso por excelência: não se pode inventar ou criar tempo. Cada um tem as mesmas 24h no dia. Obter uma fatia dessa atenção é cada dia mais complicado.

    Nós (geeks, nerds, blogueiros e hiperconectados em geral) ainda nos damos ao trabalho de seguir Twitter, Buzz, RSS, Google Reader e outros mecanismos do tipo que nos mantém conectados em um ou mais “streams” de informação de grande capilaridade. Mas a maioria das pessoas não consegue gerenciar esse tipo de imersão em informação e prefere escolher meia dúzia (se tanto) de “canais” para obter suas informações. Porém, não está claro ainda qual mecanismo ou tecnologia de agregação irá ganhar este mercado. Candidatos há aos montes: portais, rss, redes sociais, streams de tempo real, etc. À medida que mais gente entrar na rede, e que mais pessoas ainda se saturarem desse processo, acredito que um mecanismo de consolidação ganhará mais força. Isto não deve estar longe de acontecer – é questão de tempo.

  4. Acredito que toda essa movimentação para conquistar a atenção do consumidor é válida e saudável, pois gera concorrência e concorrência leva a melhora dos serviços na maioria das vezes.

    Ao mesmo tempo sinto que o poder do capital a cada dia se torna mais nocivo para a sociedade, como um vírus sem antídoto.

    Paulo Alberto
    http://www.bluetie.com.br

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