Algumas Reflexões Sobre o Projeto Diaspora

Autor Convidado: Eliane Fronza é jornalista e sócia da Agência Gancho, focada em comunicação para mídias sociais.

Desde abril, uma nova rede social para combater o gigante Facebook vem sendo anunciada, a Diaspora. A (grande) diferença é que esta possui código aberto e briga por uma política de privacidade mais coerente. Alguns pontos são importantes para serem destacados sobre a Diaspora. Primeiro, vale a pena fazer uma análise sobre a rede que a Diaspora quer combater, o Facebook. Hoje, o maior site de relacionamentos do mundo, criado por Mark Zuckerberg, com mais de meio bilhão de pessoas inscritas, vem conquistando cada vez mais adeptos pelo mundo. A política de privacidade da rede tem sido muito questionada por usuários o que rendeu até um movimento para excluírem as contas do site, o Quit Facebook Day. O movimento não alterou nada e muito menos a quantidade de novos usuários caiu, muito pelo contrário. Casa vez mais usuários aderem ao Facebook e seus mil e um aplicativos e funções.

No dia 16 deste mês a Diaspora abriu o código-fonte para desenvolvedores. A ideia parece um pouco com o que Linus Torvalds fez quando convidou pessoas a colaborarem num sistema operacional open source que veio a tornar-se o conhecido Linux. A Diaspora pode seguir esse caminho, se depender da comunidade de interessados em realmente criarem sua própria rede. Irá? Muito provavelmente não vai agradar a maioria dos usuários do Facebook, que possuem uma rede pronta, pois o maior motivo para elas estarem ali é para encontrar seus amigos.

Talvez os rumos da Diaspora sejam outros, muito diferente da rede de Zuckerberg, porém, já colheu status e 15 minutos de fama (por enquanto) por causa do Facebook.

Por mais que disponibilizemos todas nossas informações no Facebook (onde estamos, com quem estamos, nossos gostos, o que fazemos, o que estamos pensando), sair dele, num momento em que quase todos os contatos estão lá, é ficar de fora da conversação desses usuários. É desconhecer o que os nossos amigos estão falando, fazendo, comentando. É estar de fora de uma lugar onde boa parte das pessoas e de seus contatos pode estar convergindo.

A Diaspora fez e vai fazer um certo barulho na web e nos assuntos de redes sociais e open source nos próximos meses. Com todas as funcionalidades e possibilidades (práticas!) do Facebook é difícil promover uma migração em massa. Aliás, vários recursos, funcionalidade, amigos conectados e facilidade contribuem muito para nos manter na rede de Zuckerberg e tirar o seu reinado não é bem assim. O Google que o diga, após algumas tentativas de criar A rede social.

0 responses to “Algumas Reflexões Sobre o Projeto Diaspora

  1. O desafio de qualquer alternativa ao Facebook é a migração dos usuários. Convencer usuários do Facebook a duplicar suas atividades ao experimentar uma segunda rede já seria difícil. Pra piorar, o Facebook não oferece qualquer recurso que facilite a vida dos usuários que porventura desejem fazer a migração ou apenas cópia de suas informações para outro serviço.

    Por outro lado, eles oferecem o Facebook Connect, a forma deles de “portabilidade” que, apesar de oferecer alguns benefícios nesse sentido, não é portabilidade real coisa nenhuma e sim um cavalo de tróia a serviço do próprio Facebook.

    Uma alternativa seria começar por onde o próprio Facebook começou: usuários que ainda não estão em rede social nenhuma ou pra quem a integração delas em suas vidas ainda não é forte, mesmo que já possuam uma conta em uma delas.

    No caso do Facebook, isso se deu com os universitários, que depois levaram o hábito já sedimentando e integrado a seus círculos sociais para fora desse meio.

    Hoje talvez fosse preciso chegar aos usuários ainda antes dessa fase de suas vidas. De qualquer forma, apenar esse influxo de novos usuários não seria suficiente. Ele teria que ser complementado por estratégias que dessem razões para os usuários atuais do Facebook migrarem (uma demografia específica por vez).

  2. Acredito que a conversão de usuaríos já acostumados com um ambiente líder no mercado, já seria um dos maiores entraves para esta nova rede, agora este nível de dificuldade que aparentará ser, segundo os criticos, dificilmente concorrerá com o Facebook e/ou outras, está mais para um construtor de Redes Sociais com código aberto, pegará num determinado segmento que não o do Face.
    É interessante notar, que a anos atrás ja se ouvia falar de redes abertas, não acho que seja novidade, para quem se lembra do ICOX.
    Da mesma forma que nós, estamos tentando criar algo que sirva para o usuário final e não com o pensamento que vamos concorrer com os grandes, mas sim em sermos uma alternativa nos próximos anos para algo construtivo e coerente com a realidade.

    Paolo Petrelli
    @dekdu
    http://www.dekdu.com

    1. É como eu disse e volto a repetir. Está tudo muito no achismo ainda. Não existe nenhuma análise mais aprofundada do real impacto do Diaspora. Em uma análise crítica, achei tudo muito complicado pro usuário final, nem sempre se empolgar com o que a mídia (sites/blogs) diz, quer dizer que a ferramenta seja tão extraordinária o quando dizem.

      Acredito eu, que o diaspora será o que o Linux foi e é hoje em dia. Vai demorar muito a pegar e quando pegar, ainda será uma minoria. Se desejo criar uma rede social, existem vários scrips para isso, na qual posso controlar meu banco de dados, entre eles o buddypress, óbvio que seus membros não podem controlar os dados que inserem.

      Apesar das preocupações com a privacidade, as pessoas terão de compreender que isso é bem mais que uma tendência. Quer privacidade ? sai da internet. Privacidade daqui alguns anos na web será uma mera ilusão, pois estamos totalmente fora do controlole de nossas informações.

      Por mais que nos preocupamos com nossa privacidade, essa sempre será uma questão complicada e cada vez mais difícil de se lidar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *