Nota do editor: Este post faz parte de uma parceria do WebHolic com o site Exame. O conteúdo exibido aqui não é de nossa autoria.

O governo brasileiro é um dos que mais solicita ao Google a remoção de conteúdo da internet, revelou a quinta edição do relatório da empresa sobre transparência na web. Entre julho e dezembro do ano passado, foram 194 pedidos enviados pelo Brasil aos escritórios do Google. Do total, 128 correspondem a ordens judiciais e 66 são solicitações feitas por órgãos do poder Executivo.

Ainda de acordo com o relatório, a maioria delas tem a ver com conteúdo considerado difamatório. Mas também existem requerimentos motivados por falsificação de identidade e até mesmo ofensa religiosa.

“O número de pedidos de remoção de conteúdo no Brasil são altos em relação a outros países, em partes por conta da popularidade do Orkut no país”, pontua o relatório. Das solicitações totais recebidas pela empresa, 54% foram atendidas.

Relatório de transparência

Lançado há cerca de dois anos, o relatório é uma ferramenta que revela a transparência em relação aos pedidos feitos por governos de diferentes países para a remoção de conteúdo dos servidores do Google.

Os resultados da pesquisa ao longo de todo esse tempo são vistos pela empresa como preocupantes. Isso porque mostram a interferência de órgãos oficiais pela retirada de informações com teor político e que foram postadas por usuários. “Esperávamos que isso fosse uma aberração”, pontuou Dorothy Chou, analista do Google, em nota no blog do Google, “mas agora vemos que não”.

“É a quinta edição do relatório e, como sempre, recebemos solicitações para retirar do ar conteúdos políticos”, explicou. Uma constatação que, segundo ela, coloca em xeque a livre expressão e surpreende por envolver países de tradição democrática, tipicamente não associados à censura.

A Espanha, por exemplo, pediu ao Google a remoção de 270 resultados de buscas ligadas a reportagens que faziam referência a personalidades políticas. Outro país citado por Chou é a Polônia. Uma instituição pública solicitou a retirada de links de um site que a criticava. “Não cumprimos nenhuma destas solicitações”, disse a analista.

Por outro lado, o relatório mostrou o comprometimento da empresa em remover informações de conteúdo ofensivo. Um exemplo é a atitude em relação às solicitações da Alemanha, outro a figurar entre os que mais enviaram.

Segundo o relatório, os alemães registraram 103 pedidos dos quais 77% foram atendidos. A maioria das solicitações era relacionada a conteúdos com teor nazista ou que violavam a legislação do país para a proteção de crianças e adolescentes.