E a entrevista dessa semana é com o Gabriel Gaspar, co-fundador da Nibo. A empresa recentemente recebeu um aporte da Redpoint e do grupo Valor Capital e fornece um software de gestão para PME’s. Espero que vocês gostem e lembrem-se, na semana que vem tem mais! Tem algum CEO que gostaria de ver por aqui? Não deixe de comentar!

Olá Gabriel! Pode nos contar um pouco sobre a história do Nibo, e como a empresa começou?

Sempre trabalhei com finanças, primeiramente fazendo consultoria pela McKinsey e depois analisando empresas em fundos de investimento. Até este momento me envolvia e me interessava muito por aspectos técnicos das finanças, como conceitos de corporate finance, análises e cálculos razoavelmente complexos. Quando fui colocar a mão na massa e tocar empresas percebi que o maior desafio do universo financeiro não é técnico mas comportamental. Qualquer planilha de excel calcula o VPL de um projeto mas muitas coisas são necessárias para que as finanças da sua empresa fiquem em ordem. Sem organização básica você não tem informações para analisar e isso só se consegue com pessoas treinadas, processos claros e ferramentas adequadas.

As ferramentas que usei ao longo da minha carreira sempre me frustraram, ou elas eram úteis e complexas ou simples e de pouco valor gerencial. Em meados de 2012 decidi sair do mundo corporativo para desenvolver o Nibo uma ferramenta simples e útil que ajuda o empresário a organizar sua vida financeira e a tomar decisões.

O espaço de soluções de gestão para PME’s é um espaço bem competitivo, com empresas como Conta Azul, Organizze, Zero Paper, entre outras. Como a Nibo se diferencia dos seus concorrentes hoje? Como você enxerga o estado atual do mercado?

Softwares de gestão financeira existem há 50 anos. Esta não é nem de longe uma ideia nova mas o que se constata é que, embora não faltem ferramentas aí fora, o empresário médio brasileiro continua gerenciando suas finanças com papel e caneta ou no Excel. Por que? Eu vejo dois motivos para isso: (1) O empresário brasileiro padrão tem pouco conhecimento de negócios/finanças, (2) A maioria dos softwares segue uma lógica própria, que faz sentido para o desenvolvedor mas não para o gestor e para a pessoa do contas a pagar por exemplo. Acredito que o desafio que existe aí fora é de produto, quem desenvolver o produto mais adequado vai se dar melhor.

Tentamos nos diferenciar entendendo melhor e pesquisando mais a fundo as dores dos nossos clientes. Um exemplo disso é a plataforma que acabamos de lançar que integra empresários com seus contadores. Existe algo mais infernal no Brasil do que a relação do empresário com seu escritório de contabilidade? Tanto empresários quanto contadores estão frustrados e insatisfeitos, nossa ferramenta resolve isso totalmente. É esse tipo de problema que estamos preocupados em resolver.

Recentemente vocês anunciaram uma rodada de venture capital do Valor Capital e da Redpoint. Pode nos contar como foi o processo de captação nesse mercado disputado?

Foi um processo muito legal. O processo de fundraising é um tipo de namoro, não é fácil, pode ser desgastante mas é uma ótima forma de conhecer a pessoa que está do outro lado. A verdade é que não nos relacionamos com fundos mas com pessoas e é muito gratificante quando você chega ao final de um processo desse com convicção de que tomou a decisão certa, e de que tem as melhores pessoas que poderia ter no seu corner.

Quais os planos agora, que o investimento já está na conta?

Queremos continuar fazendo o que nascemos para fazer, facilitar a vida do empresário, ajudar na gestão financeira dos seus negócios e contribuir para o seu sucesso só que agora com mais mãos trabalhando. rs

O que você faz quando não está na Nibo? Qual o seu hobby?

Não me faltam hobbies, o que me falta mais é tempo, principalmente depois que meu filho nasceu. Quando não estou trabalhando ou curtindo meu filho e minha mulher tento aproveitar a natureza surfando, fazendo kitesurf, escalando, pedalando e por aí vai.