Voltando com mais uma entrevista do CEO Series. A bola da vez é Rodrigo Paolucci, co fundador da SambaAds. Rod é um ninja de marketing e vendas e é um prazer recebê-lo no CEO Series desta semana. Enjoy! 

Rod, vamos falar sobre SambaAds, mas queria bater um papo sobre seu cargo anterior como CMO na Samba Tech. O que caracteriza um bom CMO e quais suas principais atividades.

Um CMO em uma startup, assim como todos os demais heads, devem ter um só pensamento: crescer, e crescer rápido em larga escala. Essa deve ser a base de todas as ações que ele toma na área.

E a principal função do CMO é construir a marca da startup, torná-la conhecida do grande público para ajudar a trazer mais clientes.

No dia a dia, não há espaço para erro (leia-se $$), e construir uma marca forte quando não se tem recursos não é uma tarefa fácil, é preciso pensar diferente pois fazendo a mesma coisa que os outros com dinheiro você não vai se diferenciar.

Aí as estratégias precisam ser variadas e inteligentes, de acordo com a demanda e o “espaço mais vazio” para construir a marca. Quando montamos a Samba Tech, uma de nossas estratégias foi uma forte aplicação em PR, posicionando a marca da Samba lado a lado com as maiores, ganhando mais exposição em mídia gratuita e gerando vários leads. Quase ninguém fazia isso e tínhamos um discurso muito atraente (startup, clima de empreendedorismo e equipe) que na época era um fator de diferenciação. Hoje PR para startup é básico, todos fazem.

Uma forte arma para os marketeiros é marketing de conteúdo, uma comunicação mais clara e que visa tornar a empresa referência naquele segmento, produzindo conteúdo relevante para as pessoas daquele mercado.

Conte nos um pouco sobre a fundação do SambaAds. Como tudo começou?

​A SambaAds tem uma história bem particular, nasceu de um spin-off da Samba Tech para operação de video ads.​ Sempre tivemos a visão de ter uma oferta de ponta-a-ponta para o ecossistema de vídeos online e a SambaAds nasceu para ser o braço de mídia do Grupo Samba.

E essa operação de mídia surgiu para comercializar anúncios em vídeos dos sites parceiros que produzem conteúdo, trazendo retorno financeiro e estimulando ainda mais a produção de novos vídeos.

Com o amadurecimento da empresa e do mercado, extrapolamos o conceito de somente monetização. Lançamos recentemente um marketplace para vídeos online, abrindo a possibilidade de Produtores de Conteúdo independentes disponibilizarem seus vídeos para milhares de Sites interessados em conteúdo.

A idéia é simples: pegar um conteúdo bem produzido, curado e relevante e aumentar o potencial de distribuição deste conteúdo, saindo somente do universo do próprio site do produtor. Com o vídeo no marketplace, qualquer Site da Rede da Samba (pode ser um blog, site regional ou grande portal) pode usá-lo em seus artigos ou páginas, fornecendo um conteúdo extremamente relevante para os usuários finais.
Por fim, a Samba cuida de toda a venda de publicidade, gerando receita adicional para o produtor do vídeo e para o dono do site.

O mercado de mídia talvez seja hoje o que mais tem se transformado nos últimos anos e irão se sobressair aquelas empresas que souberem levar ao usuário exatamente o que ele quer na linguagem que ele se identifique. Vide exemplos recentes de Vice e Buzzfeed que receberam aportes milionários com valuation similar ou maior que empresas tradicionais como NY Times.

O mercado de publicidade em videos no Brasil ainda é pequeno, mas segue crescendo acelerado. Qual a sua opinião sobre o mercado local versus o mercado americano?

​A Publicidade em vídeos no Brasil ainda está começando, tem despertado muito interesse das marcas e agências e tem um grande potencial nos próximos anos.

Interessante observar que o consumo de vídeos no Brasil está ficando bem maduro (temos cerca de 12 bilhões de video views/mês versus 48bi nos EUA). Ou seja, a audiência é crescente, em uma escala gigantesca, mas ainda muito concentrada em um tipo de conteúdo específico: entretenimento e humor.

Uma aposta minha para o futuro breve é a verticalização da produção de conteúdo. Veremos cada vez mais conteúdos premium em verticais como Viagens, Moda, Cinema e Tecnologia. Já vejo várias iniciativas muito interessantes como o canal do Márcia Atalla e o da Camila Coutinho. Estes são verdadeiros exemplos do potencial que os vídeos tem de combinar a capacidade de segmentação de assuntos da TV a Cabo com a massificação da TV Aberta.

E a partir do momento que o ecossistema se tornar mais maduro e tivermos mais oferta e consumo de conteúdo diversificados, surgirão diversas iniciativas para explorar melhor o potencial dos vídeos. Branded Content e Native Ads são dois exemplos de uso dos vídeos ainda pouco explorados por aqui, mas que com certeza veremos isto acontecer mais forte em um futuro breve.

Uma pergunta que eu sempre quis saber. Como funciona o processo comercial quando seu cliente é uma agência? Como vender para agências?

​Vender para agências não é muito diferente da vendas para grandes empresas, em um mercado em que poucos compradores detém boa parte do mercado.
É uma venda baseada em confiança​, na construção de um sólido relacionamento. E o grande desafio aí é realizar a primeira venda, quebrar o hiato entre sua oferta e a decisão final de compra.
Claro que relacionamento não sustenta as compras subsequentes. Seu produto deve ser valioso o suficiente para que os compradores precisem e demandem ele.

Mas a combinação de um relacionamento forte e um produto único criam uma marca confiável para os clientes e as compras tendem a se repetir ao longo dos tempos. Temos clientes que acreditaram em nós desde o começo há 2 anos, como Microsoft e Red Bull, que hoje são clientes regulares e que temos um excelente relacionamento.

Você tem vários investidores top notch como sócios. 500 Startups, Rhodium Capital, e.Bricks Digital. Como estes caras ajudam você no dia a dia?


​Antes de iniciar um roadshow com investidores, traçamos exatamente o perfil de investidores que gostaríamos de ter na empresa para agregar diferentes visões: experiência no setor de mídia, geração de tráfego e com pé no Vale do Silício.

Israel talvez seja hoje o polo tecnológico com maior expertise em geração de tráfego e as startups sabem bem como criar um negócio para as massas. De lá temos como investidores a Initial Capital, que também tem um braço no Brasil e a Rhodium, VC 100% israelense. e.Bricks nos trouxe a experiência de ser um dos maiores grupos de mídia do Brasil, além de diversos investimentos no setor.

A verdade é que não adianta somente atrair o capital estratégico para investimento, é preciso saber usá-lo bem. Tenho reuniões mensais com o Board, reporto frequentemente para todos os investidores os caminhos da empresa e busco conexões e sinergia de negócio com as empresas do portfolio destes VCs.


Quando você não está na Samba Ads (ou no Mercado livre vendendo gadgets) o que você faz? Quais os seus hobbies?

​Venda de gadgets definitamente está no radar pois um grande hobby meu é comprar gadgets. Sou viciado em novos gadgets, de smart watch a conector bluetooth com saída P2 para o carro. Mensalmente recebo uma nova bugiganga em casa. As vezes dura dias e passo logo pra frente, as vezes acerto e entra no meu cotidiano. O importante é não parar.

Desde que mudei p/ SP tenho buscado um estilo de vida mais saudável. Vou para o escritório de bicicleta, ​frequento academia e leio bastante a noite.

​Claro, não deixo para trás o FIFA, que sou campeão invicto na Samba.​