Voltando com mais uma entrevista do CEO Series. Depois de Gustavo Caetano da Samba Tech, Luciano Tavares da Magnetis e Tallis Gomes do EasyTaxi, chegou a vez do Vinícius Roveda, co fundador do ContaAzul. Neste entrevista, conversamos sobre os desafios de escalar uma startup SaaS no Brasil e a jornada no comando do fantástico time da Conta Azul. Confira! 

Vinícius, do mercado de SaaS no Brasil, a Conta Azul é uma das minhas maiores referências. Vocês tem crescido em uma velocidade acelerada e tenho certeza que você acompanha suas métricas na ponta do lápis. Quais as principais métricas que você observa no seu dia a dia? Você tem um dashboard gerencial?

Estou muito feliz com esse reconhecimento, mas também ciente dos desafios que temos pela frente estando nessa posição. Quanto as métricas, aqui na ContaAzul somos todos muito data driven. Medimos tudo o que é possível e todas as nossas decisões são baseadas em dados. As principais métricas que acompanhamos diariamente estão ligadas ao nosso funil. Entre elas estão: visitantes no site, número de trials, nível de engajamento dos trials, conversão de trial para cliente pagante e churn. O importante é medir todas essas métricas por canal e em tempo real. Assim conseguimos, por exemplo, identificar campanhas que não estão com uma boa performance ou problemas em algum fluxo do produto e tomar ações em minutos.

Lembro bem de quando você me contou a história da mudança de nome do AgilERP para ContaAzul em um barzinho aqui em BH, no Startup Weekend. Pode contar um pouquinho dessa mudança para nossos leitores?

Visualizamos a oportunidade de fazer um sistema de gestão online focado para MPE’s em 2007 para 2008. Desde então, estudamos muito esse mercado. O começo foi muito difícil. Criamos uma primeira versão do produto em 2008, mas acabamos não saindo dos beta users. Foi muito difícil encontrar o modelo de negócio ideal para escalar. Eu acabei gastando todas as minhas economias e diante dessas dificuldades nós acabamos abrindo outra empresa de desenvolvimento de software junto com alguns amigos. Em paralelo a essa empresa, continuávamos com a ideia de fazer um negócio baseado em produto e com alta escala. Foi aí que relançamos o projeto com o nome ÁgilERP – me orgulho muito por hoje ser ContaAzul, pois esse nome era terrível 🙂 – isso foi entre 2010 e 2011. Nessa fase, fizemos uma tentativa de utilizar revendedores, mas esse modelo voltou a fracassar, pois os revendedores preferiam vender softwares mais caros e não o nosso que era barato e baseado em mensalidade. Em 2011, tivemos a oportunidade de conhecer a 500Startups, onde fomos a primeira empresa brasileira a ser escolhida para o processo de aceleração. Passamos quatro meses no Vale do Silício e durante esse processo fizemos um rebranding completo e a ContaAzul foi lançada ao mercado em janeiro de 2012.

Vocês foram para Mountain View na aceleradora 500Startups. Me conte um pouco deste divisor de águas na história da empresa?

A nossa passagem na 500Startups foi realmente um divisor de águas.  Após o fracasso do ÁgilERP,  pensamos seriamente em desistir desse projeto.  Foi então que o João Zaratine, também fundador da ContaAzul, começou a se envolver com grupos de Startups em SP e em uma dessas idas acabamos conhecendo a 500Startups. O processo de seleção foi muito rápido. Entre o pitch que o João fez até recebermos a proposta, se passaram apenas 30 dias. Ficamos muito surpresos pois sabíamos que até então, nenhuma outra empresa brasileira havia passado por lá. Nos quatro meses em que moramos em Mountain View, na Califórnia, aprendemos muito sobre design, distribuição online e métricas.  Além disso, convivemos com outras 34 Startups e a troca de experiência com outros empreendedores e com a rede de mentores também ajudou muito. Outro ponto importante foi que conseguimos entender melhor o ecossistema do Vale do Silício e, principalmente, a relação das startups com investidores.  Isso nos ajudou muito a escolher os investidores certos para o nosso negócio, além fundamentar a nossa estratégia de captação de investimento. Os quatro meses foram muito intensos, trabalhávamos praticamente o tempo inteiro. Fizemos um re-branding completo transformando o ÁgilERP em ContaAzul e muitas vezes acordávamos de madrugada para conseguir falar com os clientes e fazer os nossos testes.  Como resultado, acertamos o modelo de negócio e  tornamos o produto muito mais fácil de usar. Em janeiro de 2012 lançamos oficialmente a ContaAzul no mercado.

O que te tira o sono hoje? Qual o maior desafio de escalar uma startup SaaS com crescimento tão acelerado?

Manter um ritmo acelerado de crescimento é sempre um desafio. Hoje estamos com cerca de 90 pessoas, e eu acredito que o maior desafio está em montar um grande time mantendo todas as pessoas alinhadas com a estratégia, super motivadas e preparadas para as próximas etapas que iremos enfrentar. Para isso, procuramos investir muito na cultura e nos valores ContaAzul. Também temos muitos desafios ligados a própria estratégia de growth. Estamos o tempo todo testando novas meios de aquisição de clientes e ao mesmo nos preocupando muito em manter a alta qualidade do serviço para os atuais clientes.

O que você faz quando não está na Conta Azul? Qual o seu hobby?

Sou um cara muito caseiro. No meu tempo vago eu gosto de estar em casa com a família, curtir ao máximo minha filha e jantar com amigos.  Além disso, gosto muito de ler. O último livro que eu li foi “The Hard Thing About Hard Things” do Ben Horowitz – recomendo fortemente para quem está começando a escalar o seu negócio.  Também tento manter a saúde em dia. Todos os dias acordo antes das 6h e vou para a academia antes de ir para o trabalho. Sempre que posso, jogo futebol nas quartas-feiras à noite também.