Como ter seguidores no Twitter OU ganhar muito dinheiro

No início, ter muitos seguidores no Twitter era apenas mais um remédio para o ego. Blogueiros e jornalistas sentiam-se melhor ao serem comparados com celebridades. Aliás, em certo momento, ali por meados de 2007, o brasileiro mais seguido no Twitter era o jornalista Tiago Dória com expressivos 111 seguidores. Sim, ele tinha 111 seguidores.

O segredo para o número astronômico era simples: “Eu era primeiro no ranking naquela época porque fui um dos primeiros a usar e a publicar algum conteúdo sobre o Twitter no Brasil”, conta por email.

Mas os tempos são outros. Hoje ter menos de 100 seguidores é ser um fracassado social-digital. Para ter relevância, ou ser considerado relevante, é preciso ter números grandes, vistosos, assíncronos.

Mas por quê? Nas palavras de Tiago: “acredito que seja reflexo do quanto o ‘mercado de internet’ ainda não entende e faz confusão com métricas e estatísticas”. Ou seja, as pessoas que ganham dinheiro com internet não entendem a internet.

Ou melhor, as pessoas que investem no salário desses profissionais que não entendem. Ainda não, pelo menos.

O problema, aponta Tiago, é o fetiche por métricas públicas, abertas. Como o Ibope. Contar seguidores é fácil, contar RT´s é um pouco mais chato, menções é difícil e descobrir o retorno das ações para o concorrente é extremamente complicado.

Com isso, os diretores de marketing só querem lindos, vistosos e entumescidos números para mostrar na próxima reunião do conselho administrativo.

Os números da irrelevância

Contar seguidores é quase irrelevante porque o número fatalmente esconde o nível do engajamento destas pessoas. Por exemplo, como e com quanta frequência os seguidores interagem com um perfil? Quantos cliques/seguidor ele consegue gerar por tuíte? Quantos RT´s ele recebe em média por seguidor?

A irrelevância (relativa) desta métrica absoluta, o número de seguidores, é ainda pior se considerarmos as pequenas barbaridades que desenvolvedores de aplicativos e publicitários aprenderam a fazer para inflar os números.

Pela mão de programadores criativos surgiram sites como NovosFollowers e MaisFollowers, que prometem aumentar rapidamente o número que pessoas que seguem um perfil. Já publicitários surgiram com uma pequena canalhice: criar um perfil atraente (como um fake de um ator ou pornstar qualquer), limam os friends e mudam de nome quando ele atinge um certo número de seguidores.

Brilhante para resolver o número de seguidores, mas péssimo para ações futuras. Exatamente que tipo de resultado se espera da massa que adicionou um fake de Jenna Jameson que tuita em português? Ou quem só apareceu em sua timeline porque quer mais seguidores?

(nota mental: talvez funcione para vender toques de celular e bugigangas da China)

Pessoas irrelevantes

Boa parte das pessoas que trabalham com promoções no Twitter já percebeu que a tradicional frase “siga e RT” tem um efeito colateral complicado. Participações de má qualidade.

Há um tipo de usuário que passa o dia buscando e participando de promoções. É só o que ele faz. Não responde @mentions, não faz RT fora de promoções, não compra e, em alguns casos, nem existe.
Há muito perfil fantasma Twitter afora, e certamente alguns de seus seguidores não são pessoas físicas ou imaginárias. Sequer existem.

Para confirmar a irrelevância da rede, usei 2 contas vazias no Twitter (antigas, mas sem conteúdo) e cadastrei em 2 sites para ganhar seguidores. Ambas têm um nome que faria qualquer pessoa normal não seguir ou bloquear. E mesmo assim pessoas seguem.

Ambos perfis foram incluídos nos serviços de follow na quinta-feira à meia-noite. Na terça-feira, à noite, tinham os seguintes números:

@nao_siga: seguindo 217, 34 seguidores, 3 tuites automáticos, seguindo 1 lista (usando MaisFollowers)
@tb_nao_siga: seguindo 514, 160 seguidores, 4 tuites automáticos (usando, no tema humor)

tb_nao_siga nao_siga

Na timeline de @nao_siga apareceram 62 tuites (dei um reload), com 2 tuites automáticos de follow e vários tuiteiros qualificados, com conteúdo razoável e besteirol pessoal. Mas pouca gente seguindo de volta. Meros 15,7% de conversão.

Na timeline de @tb_nao_siga apareceram 20 tuites, sendo 6 tuites automáticos de follow e besteirol pessoal no Twitter. O dobro de conversão (31,1%), mas uma qualidade bem inferior na timeline
Que tipo de benefício um perfil desses traz para uma marca? Nada, a não ser o número. “Neste mês, ganhamos 1.200 seguidores no Twitter”…

Limites das redes sociais

Neste texto, o netweaver (ou construtor de redes) Augusto de Franco invoca o número de Dunbar, um limite cognitivo teórico para relacionamentos pessoais para decretar: 15 mil seguidores seria o número máximo que uma pessoa pode ter antes de perder a chance de diálogo e virar broadcast.

Como este número é uma convenção que se baseia sobre um argumento teórico, e pressupõe uma relação recíproca (como uma amizade), simplesmente não se aplica ao Twitter, que é uma rede assíncrona e permite o broadcast (um fala para muitos).

Ainda assim, porém, há limites na vastidão. William Bonner (@realwbonner) não deixou o Twitter porque não tinha tempo para nada. Isso provavelmente já não tinha antes de entrar. Não tinha tempo para responder e acompanhar o que seus seguidores falam.

Assim, podemos dizer que as 500 mil pessoas esgotaram o limite cognitivo de Bonner, o seu “Dunbar”. O tuiteiro high profile @cardoso tem bem menos seguidores, apenas 21 mil, mas os gerencia com obstinação. Em sua timeline, maior parte dos tuites são respostas para outros.

“Respondo as @mentions que são perguntas, algumas eu repasso. Trabalho com dois monitores, então o Tweetdeck fica sempre aberto em um. Assim quando aparece algo que precise de resposta, eu respondo. Não me consome tempo nenhum. Sou naturalmente dispersivo, então ao invés de ficar futucando outros sites, futuco o Twitter”, conta o blogueiro.

Vale ressaltar que a ocupação de Bonner não o permite passar o dia com uma tela aberta apenas para o Twitter. Assim, com 1/25 dos seguidores de Bonner, Cardoso tem 5x mais menções e RT´s. Quem é mais relevante?

Se fosse uma empresa, faria sentido ter alguns estagiários para redigir os tuites e aprovar as respostas com o superiores. Por sinal, Hugo Chávez (@chavezcandanga), o sujeito que ganhou 280 mil seguidores em 1 mês, teve de contratar 200 pessoas para trabalhar em seu Twitter.

Conclusão (ou como ganhar seguidores no Twitter)

O mercado não conhece internet, mas a internet conhece o mercado. Uma métrica isolada, é uma bela forma de enganar planejadores desatentos e gerentes que não conhecem algumas nuances menos públicas do Twitter.

É verdade que a necessidade de ganhar seguidores é a mãe da oferta de aplicativos e macetes ligeiramente questionáveis, mas isso só funciona porque o usuário comum (eu, tu, eles, etc) entra em traquitanas duvidosas como trens de seguidores e segue indiscriminadamente atores, atores mortos fake e atrizes pornô estrangeiras que falam em português virginal.

Quer ganhar seguidores rapidamente? Lembre-se de ganhar os corretos.

OBS: entrevista sobre pesquisa de relevância no Twitter

0 responses to “Como ter seguidores no Twitter OU ganhar muito dinheiro

  1. O Twitter é algo muito mais interessante de ser estudado por psicólogos e sociólogos do que por tecnólogos ou marketeiros. É um “déja vù” do SecondLive, e para provar isso basta você fazer uma enquete nas ruas de qualquer cidade do Brasil, e perguntar a um transeunte o que é Twitter… Pode fazer melhor, entre em uma loja de informática e pergunte aos funcionários quantos deles tem Twitter.
    Lembra da coisa mais idiota do mundo (uma delas) chamada Tomagochi? Pergunte a alguém que tem 25/30 anos hoje se ele teve um Tomagochi… Muitos que usaram esse brinquedo irão mentir, afinal, não dá para ser idiota a vida inteira.
    Mas, algumas poucas pessoas no planeta ficaram ricas com Tomagochis, SecondLife, Fazendinha e a bola da vez, Twitter. Estou finalizando um projeto de site, e claro, lá terá um icone do Twitter, e teremos que colocar assuntos no Twitter, pelo menos até quando durar essa hype.
    No mundo do tudo pelo social, o mais curioso de se ver é que a cada dia que se passa, o mundo é mais e mais excludente e elitizado (para quem prefere e tem grana para ficar com o melhor), sobra para o publico a alienação, já que basta um assessor de imprensa para publicar uma matéria em várias mídias e tudo se propagar. Me mostre a conta bancária de um blogueiro que ficou rico, de um um Twitteiro que não se enquadre em duas das situações: busca pelo dinheiro ou busca pela fama (o segundo é a maioria, em busca da famosa popularidade), e eu passo a acreditar no Twitter.
    Da mesma forma que SecondLife e a explosão da Internet nos anos 90, o Twitter é só mais uma das coisas a lá banda de axé, vapor! As casas de tijolos e as empresas do mundo real “ainda” valem muito mais que as coisas construídas em códigos binários.

  2. Twitter não tem nada a ver com SecondLife. Pessoas efetivamente usam e gostam do Twitter, já no 2L era aquela maluquice de “entrar pq todos já estavam lá”. Lá dentro, não se sabia o que fazer.

    Já o Twitter tem utilidade sim e é atrativo para muita gente normal, tanto que o Bonner precisou “largar” ele porque não conseguia gerenciar.

  3. Twitter não tem nada a ver com SecondLife. Pessoas efetivamente usam e gostam do Twitter, já no 2L era aquela maluquice de “entrar pq todos já estavam lá”. Lá dentro, não se sabia o que fazer.

    Já o Twitter tem utilidade sim e é atrativo para muita gente normal, tanto que o Bonner precisou “largar” ele porque não conseguia gerenciar.

  4. Pingback: Entrelinks 28
  5. eiii gente me segue laaa 🙂
    @lucaaspereir
    @lucaaspereir
    @lucaaspereir
    @lucaaspereir
    @lucaaspereir
    @lucaaspereir
    @lucaaspereir
    @lucaaspereir
    EU SIGO DE VOLTA POR FAVORR >,<

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