Conheça o Ajude um Repórter: Perfil do Twitter que se Tornou uma Plataforma Com Ajuda do Catarse

O projeto Ajude um Repórter, criado por Gustavo Carneiro, funcionou durante 18 meses no Twitter até virar uma plataforma. Foi um dos primeiros projetos publicados no Catarse e levantou R$15.000 em Janeiro deste ano, principalmente para desenvolver a plataforma, lançada há quase um mês.

O principal objetivo da plataforma é facilitar o acesso à imprensa, ajudando o jornalista na busca por fontes e tornando esse contato extremamente simples e fácil para empreendedores e profissionais. O site agrega solicitações de repórteres dos mais variados veículos de comunicação brasileiros. Os usuários do site podem ler as demandas publicadas e responder diretamente para participar de entrevistas e matérias.

De acordo com Gustavo, já são mais de 2.000 usuários cadastrados entre jornalistas e fontes e mais de 500 pautas publicadas. Entre os usuários estão profissionais de grandes veículos de comunicação do país, mas o projeto também pretende agregar blogs e outros produtores de conteúdo.

Para começar a utilizar a plataforma você se cadastra com o perfil “jornalista” ou “fonte.” O jornalista é para produtores de conteúdo que buscam fontes e o perfil fonte é direcionado aos que buscam oportunidades na imprensa, empresas, ONGs e assessores. Depois basta escolher uma das redes sociais (Twitter, Facebook ou Linked In) para se conectar ao Ajude um Repórter.

Confira a entrevista que fizemos com o criador da plataforma, Gustavo Carneiro:

WebHolic: Como foi a transição de um perfil do Twitter para uma plataforma?

A transição ainda está acontecendo, não é nada instantânea. Enquanto temos 16.000 seguidores no Twitter, a plataforma registrou pouco mais de 2.000 cadastros e esse número vem crescendo a cada semana. É um processo contínuo de migração, mas a plataforma trouxe a vantagem de diminuir a dependência do Twitter e poder atingir outros públicos.

Não há como negar que houve alguns feedbacks negativos, especialmente de pessoas que achavam muito mais fácil interagir pelo Twitter. Mas era preciso mudar para permitir o crescimento como um negócio e acreditamos que as vantagens trazidas à comunidade estão sendo valorizadas.

WebHolic: Quais foram as lições mais importantes da era do Twitter?

O Twitter serviu para experimentar a ideia do crowdsourcing a um custo muito baixo, ajudou a identificar melhor o perfil do público e compreender aspectos que são importantes para esses profissionais, tanto para os que produzem o conteúdo quanto para os que trabalham do lado da fonte de informação. Também permitiu validar a necessidade da imprensa em geral, nós ajudamos dos blogs aos maiores jornais do país todos os dias. Mas o grande barato foi enxergar uma grande rede colaborativa se formando, permitindo pessoas comuns e pequenas empresas sem estrutura ou experiência em comunicação compartilharem conhecimento diretamente com os repórteres.

WebHolic: Quando publicou o seu projeto no Catarse, esperava um retorno tão legal como este?

Na verdade, era difícil saber o que esperar. O Ajude um Repórter foi um dos quatro primeiros projetos lançados junto com o Catarse, logo em Janeiro desse ano. O crowdfunding no Brasil ainda é um negócio novo e naquele momento estávamos todos abrindo a primeira trilha pra essa história toda. Hoje já devem passar de 20 plataformas tupiniquins de crowdfunding, mas naquele momento era tudo uma grande experiência empreendedora.

A campanha rolou por 60 dias e só na última semana que deu pra saber que teríamos sucesso. A experiência foi muito boa e dá para enxergar muitas coisas que poderiam ter sido feitas melhor a respeito da divulgação, mas isso tudo compensou pelo suporte dos apoiadores, do Catarse e de outros projetistas da época, como o Rabiscaria que foi o primeiro financiado no país.

WebHolic: Quais são os planos futuros para o Ajude um Repórter?

O plano para os próximos meses é encontrar patrocínio para alavancar a próxima etapa e validar o modelo de negócios. Nessa primeira fase, o trabalho está em aumentar a base de usuários, corrigir bugs e iniciar a implementação de alguns serviços adicionais que trarão mais inteligência ao sistema.

WebHolic: Obrigado e boa sorte!

0 responses to “Conheça o Ajude um Repórter: Perfil do Twitter que se Tornou uma Plataforma Com Ajuda do Catarse

    1. @rlander, não há problema nenhum em citar a inspiração no post, mas teríamos que citar tantos outros junto, como o Quora e até um blog que eu conheci muito antes do HARO, chamado Pitch with Me. Quando a matéria/post é sobre a história, eu sempre faço menção. Já no site, realmente não tenho permissão de citar o nome deles por ser uma marca registrada e não haver qualquer vínculo comercial. Assim como o Peixe Urbano não cita o Groupon e o Google não cita o Yahoo ou outro mecanismo de busca, acho que não há cabimento para esse tipo de coisa.

      1. Como o @manuellemos eloquentemente colocou, o ponto do meu comentário (e, imagino, o dele também) não é a discussão se clones são bons ou ruins.

        O ponto é: se você obviamente se inspirou em um outro serviço, a ponto de até o nome ser uma tradução do original, por que não fazer uma breve menção no site?

        BTW, eu acho o HARO fantástico e, se o Ajude um Repórter preenche essa lacuna no mercado brasileiro, só tenho a aplaudir. De verdade.

  1. Exato, uma cópia chapada do HARO como mencionou o @rlander.

    Reconheço haver uma oportunidade para existir um serviço como o HARO para o mercado brasileiro.

    Porém, fico triste pelo fato de existir uma quantidade de projetos de startups como este que não passam de meros copycats de projetos copiados quase linha a linha de outros criados no estrangeiro.

    O Brasil tem alguns dos melhores criativos do mundo, especialmente no mercado publicitário onde os brasileiros arrebatam uma quantidade fabulosa de prêmios em festivais internacionais.

    É pena não ver tanta criatividade nas startups brasileiras. Dá vontade de gritar: P*rra gente, vamos lá ser mais criativos, por favor!

    1. Olá, Manuelle. Sem dúvida houve inspiração no projeto americano, o conceito básico é o mesmo: crowdsourcing… mas não se trata de um copycat. Mesmo que fosse, acredito que há espaço para um… e se o modelo americano fosse mesmo facilmente reproduzível já teríamos feito igual a partir do primeiro dia, não teria demorado 18 meses. Para quem conhece a versão americana, sabe que ela funciona como uma grande mailing list e os cadastrados recebem emails apenas 3 vezes ao dia, não há acesso em tempo real, entre outras diferenças muito claras. O Ajude um Repórter oferece construção de perfis para busca direta da imprensa, sistema de feedback facilitado, acesso em tempo real ao que é publicado pelos repórteres e outras funcionalidades ainda estão por vir. Isso tudo também determina um modelo de negócios diferente, não apenas baseado em publicidade como é o outro.

      1. Gustavo Carneiro, me desculpe mas seria mais honesto e daria mais credibilidade a você se admitisse que o projeto é na essência uma cópia do HARO, desde o próprio nome (Help A Reporter === Ajude Um Reporter) até ao fim de por em contato jornalistas com potenciais fontes de informação. Se há diferenças pelo que vi até agora parecem ser detalhes de implementação.

        Que eu saiba não precisa de nenhuma autorização para citar projetos nos quais se inspirou.

        De resto, como mencionei, o meu comentário não era sobre se o seu projeto é uma cópia do HARO ou não, mas sim dessa “inspiração” ter sido omitida e mais uma vez neste blog estar-se a promover mais um projeto nacionai que copia outro estrangeiro.

        Creio que isso está passando um mau parâmetro para a audiência do blog, que é de que copiar projetos do estrangeiro é uma coisa que deve ser encorajada em prejuízo daqueles que realmente criam coisas novas que beneficiam não só o Brasil como podem ter sucesso global.

        De qualquer modo já me cadastrei para avaliar até que ponto o seu projeto atende tão bem as necessidades atendidas pelo HARO. Já que vão copiar, que copiem as coisas boas.

        Por enquanto uma coisa que noto é a falta dos tais e-mails de aviso de solicitações pendentes. O site diz que eu deveria receber um e-mail com isso, mas até ver não recebi nada. Não sei qual é a frequência, mas no HARO são 3 vezes por dia.

        Você mencionou que o seu site funciona em tempo real. Não sei o que pretende dizer com isso. Se quer dizer que tenho de ir ao site para ver o que está chegando em tempo real, não me parece que isso vá dar certo.

        O problema é que todo mundo outras coisas para fazer durante o dia, e não vai ficar olhando o site a toda hora para ver se chegou algo do seu interesse. O e-mail resolvia isso porque e-mail eu (e muitas pessoas) vejo a toda hora. Já o site, se nada me lembrar dele até esqueço.

        Fica o toque. Espero que ajude.

        1. Manuel, como eu escrevi acima, em resposta ao @rlander, não há problema algum em citar a inspiração. É fato que a versão americana inspirou a brasileira (assim como outros sites também inspiraram) e utilizamos o mesmo conceito de crowdsourcing, mas esse não era e nunca foi o tema do post neste blog. O post trata da mudança que tivemos do Twitter para uma plataforma e que o projeto foi financiado via crowdfunding. Todas as publicações que tratam da origem da iniciativa fazem alguma menção sobre a inspiração, menções que incluem outros sites além do HARO. Depois de quase dois anos de existência, essa parte da nossa história já foi coberta diversas vezes e está disponível em vários textos espalhados pela internet.
          Pessoalmente, não vejo problema algum em trazer ideias de fora para o mercado nacional, acho importante testar esses conceitos e propor coisas novas, nem que sejam apenas detalhes de implementação que tragam algum benefício ao usuário. Discordo que haja prejuízo e realmente não acredito que devamos esperar os idealizadores originais se importarem em vir pro Brasil para, só então, termos serviços semelhantes. Também considero uma grande falácia que todos os novos negócios tenham que propor algo nunca feito antes, mas respeito quem quer que pense assim.
          Ficarei feliz em ler e responder suas sugestões e reclamações pelo nosso email (contato@ajudeumreporter.com.br), afinal você também pode contribuir para que tenhamos algo considere realmente diferente por aqui. Que tal? Aguardo seu contato. Grande abraço!

  2. Legal, eu não conhecia o Haro!

    Bom, eu não vejo muito problema em termos muitos clones por aqui. Claro que me empolgo muito mais com empresas inovadoras, modelos não tentados antes, mas acho que trabalhar em um modelo provado em um mercado de alto risco como o nosso é algo bacana também.

    Antes eu era mais radical e tinha um certo ‘desprezo’ por clones, mas tive 2 conversas que me fizeram mudar muito a maneira como encaro isso. A primeira foi com o amigo @ericnsantos, que acha que isso é muito característico de uma cena de startups embrionária. Como ele disse “Monkey see, monkey do”, a falta de exemplos e cases de empresas “inovadoras” torna mais difícil para inovarmos.

    A segunda foi com um investidor chamado Fabrice Grinda, que me disse que os investidores preferem minimizar seus riscos investindo em modelos provados quando o mercado é arriscado. Faz total sentido.

    Existem vários tipos de riscos que o empreendedor pode correr. Os riscos de produto e riscos de mercado são os principais. Quem nasce no Brasil já corre altos riscos de mercado. Será que vale a pena correr risco de produto? Eu acredito que sim, mas acho que é algo que nunca deu certo antes… Adoraria ser corrigido caso eu esteja enganado.

    1. Não vejo nada de errado em existir 1 startup que copiou a ideia de outra estrangeira. Na verdade ninguém inova nada em 100%. Todas as ideias inovadoras são evolução de outras.

      O problema é existirem trocentas startups no Brasil copiando outras trocentas startups estrangeiras, incluindo várias que ficam concorrendo entre si no Brasil, aumentando o risco de falharem por tentarem dividir um mercado nacional, que concerteza é bem menor que o mundial.

      Outro contrasenso que noto é que muitos Brasileiros choram pelo Brasil não ter mais destaque no mundo como gostariam, mas quando vêem mais copycat adotando ideias estrangeiras festejam, como se isso fosse o que mais lhes vai dar destaque no mundo. É ruim o Brasil ter tantos copycats. Fica parecendo a China.

      Quanto aos investidores que apostam mais facilmente em modelos provados, esses não me parecem ser investidores de risco. Apenas parecem querer investir seu dinheiro em algo mais lucrativo que deixar num fundo no banco. Não estão errados, mas desconfio que também não agreguem muito conhecimento às startups investidas, para além da grana.

      Por fim, acho que os Brasileiros deveriam ser mais ousados e investir mais nas suas ideias sem ficar contando com a grana fácil de investidores. Existem modelos de lean startup que quando adotados com disciplina concerteza permitem o bootstrap, ou seja, sem ficar dependendo de grana de investidores. Sem sacrifício, não há beneficio.

      1. @manuellemos Os investidores com quem conversei investem em empresas inovadoras nos EUA e copycats fora dos EUA. São investidores de risco, só que o risco que eles correm aqui é investir “no brasil” e não em inovação.
        Sobre bootstrapping concordo totalmente.

        1. Diego, agora ficou claro. Esses investidores que está falando consideram investir no Brasil um risco porque na verdade eles não vão estar de volta os empreendores aqui para assegurar que o seu dinheiro vai ser bem investido.

          Outro assunto: com o Intense Debate o sistema de comentários ficou melhor, mas por acaso não tem uma opção para ir liberando as pessoas que comentam para não ficarem permanentemente com os comentários moderados? Caso contrário os debate nunca vai ficar intenso.

          Já agora, por acaso não tem uma opção de mandar e-mail para quem comentou para ser avisado quando há respostas ou novos comentários?

    2. Diego, excelente a observação sobre a proliferação de clones ser característica de uma cena ainda em processo de amadurecimento.
      Além disso, vários clones ainda são melhores para a economia do que zero startups.

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