Demitir ou não um Membro da Equipe?

Se você é assinante da lista de discussoes do CEO da Mahalo, Jason Calacanis, você recentemente se deparou com sua caixa de mensagens lotada quando a lista brevemente permitiu que os beneficiários dessem o reply para toda a lista. Mais recentemente ainda, os “seguidores” de Jason receberam um pedido de desculpas, explicando o erro e aproveitando para lançar uma interessante discussão sobre algo que, apesar de necessário, é bastante desagradável: como despedir um empregado de sua startup.

No caso do email do Calacanis, ao que parece, as “vítimas” foram os administradores de sistemas que acidentalmente configuraram a lista ativando o recurso de “postar para a lista” para milhares de membros da lista. Jason Calacanis reconheceu o erro quase imediatamente e desligou o servidor de email. E, segundo Calacanis, o responsável temeu que seria demitido.

Mas Calacanis escreveu: “Como CEO, eu estava diante de um dilema. Será que devo despedir um membro da equipe esforçado e leal por cometer um grande erro? Neste caso, foi o primeiro erro grave feito por um suposto “bom garoto”. Porque ele cometeu este erro? Ele ainda não sabe, talvez por uma falta de foco ou apenas foi um dia ruim. Esse é o problema com os erros: a sua causa pode ser difícil de ser definida.”

Calacanis passa a analisar as três categorias dos erros e dos funcionários que os cometem e discute seus pensamentos sobre quem e quando demitir.

1. Um ótimo membro da equipe que comete um grande erro

Veredito: Não demita. Conversem sobre o erro e faça um brainstorm para encontrar maneiras de corrigi-lo e para certificar-se de que não voltará a acontecer.

2. Um membro comum da equipe que comete um grande erro

Veredito: Neste caso, pode demitir. Na verdade, Calacanis comenta que você não deve contratar funcionários “comuns” para sua startup. “Sua vantagem em uma startup é que você pode exigir que os empregados sejam excepcionais e você pode compensá-los com opções de ações. As pessoas “comuns” devem trabalhar em empresas “comuns” (as grandes). Grandes empresas realmente são melhores com funcionários comuns, porque essas pessoas não balançam o barco.”

3. Um ótimo membro da equipe que comete múltiplos erros

Veredito: É complicado e, infelizmente, muito comum. Calacanis afirma que, quando isso acontece com ele, ele tenta ajudar com os problemas da pessoa. E quando ele nota que os fundadores não têm tempo ou formação para isso, ele destaca a sua importância. “Quando você tenta ajudar um membro da equipe que está falhando regularmente mas que sempre resolveu problemas, você está mandando uma mensagem positiva para sua equipe: a lealdade.”

O VC Ben Horowitz escreveu recentemente um artigo intitulado “Porque as Startups devem Treinar sua Equipe,” no qual ele faz um argumento para o treinamento funcional permanente nas startups para que os funcionários e gestores tenham as habilidades necessárias para fazerem seu trabalho.

Porque no final, provavelmente leva mais tempo para contratar e demitir alguém do que simplesmente treiná-los.

0 responses to “Demitir ou não um Membro da Equipe?

  1. Eu não tenho certeza se demitir um funcionário “comum” no primeiro grande erro seja a melhor decisão. Sua empresa vai ter que pagar pelo erro de qualquer forma e o funcionário vai (ou pelo menos deve) aprender com o grande erro e conseguir melhorar a partir daí (eu acho que já ouvi alguma história que tem um caso parecido).

    Uma coisa que seria legal o RWW falar tb é quando pedir pra sair…

  2. Mas o ponto principal do funcionário comum é que ele nem deveria ser contratado. Mas concordo com você, principalmente aqui no Brasil, que não sei se temos tantas pessoas excepcionais assim. Um funcionário comum, mas que aprenda com os erros e seja esforçado já é bem acima da média.

    E esse ponto do quando pedir pra sair realmente daria um excelente artigo. E já prevejo como seria a discussão nele… rs

  3. O único porém é que no Brasil as empresas não são obrigadas a abrir o capital a partir de certo faturamento, com isso as tais “opções de ações” só começam a surgir quando as empresas estão muito muito distantes de startups.

  4. O único porém é que no Brasil as empresas não são obrigadas a abrir o capital a partir de certo faturamento, com isso as tais “opções de ações” só começam a surgir quando as empresas estão muito muito distantes de startups.

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