Emergentes Também no Mercado Digital

Autor Convidado:IN Hsieh atua no meio digital brasileiro desde 1997 mas acompanha com grande atenção o mercado online internacional, principalmente da Ásia onde ainda pretende um dia fundar uma startup brasileira

A notícia dos planos de abertura de capital da empresa russa de internet Mail.ru Group (anteriormente conhecida pela sigla DST – Digital Sky Technologies) ganhou destaque no meio online internacional principalmente em função da participação acionária da mesma no Facebook (2,38%), Zynga (1,47%) e Groupon (5,13%). Será a primeira oportunidade para investidores pessoa física serem acionistas das 3 companhias digitais mais quentes do momento, mesmo que de forma indireta. O IPO deve levantar mais de US$ 500 milhões, valorando a Mail.ru Group em mais de US$ 5 bilhões.

Tudo interessante, mas gostaria de chamar a atenção para um aspecto que tem relação mais direta com o mercado brasileiro. Na verdade, dois.

1. Em paralelo às compras de participações nessas firmas americanas, a antiga DST virou o centro (aparentemente) de uma teia que conecta o que pode um dia pode tornar-se o maior grupo de empresas e investimentos digitais do mercado de países emergentes (BRICS, com S de South África), capaz de fazer frente às similares americanas. Veja as composições:

A. Empresas do Mail.ru Group ou nas quais possui participação minoritária

  • Russia: redes sociais vKontake, Odnoklassniki e Moi Mir; comunicador instantâneo Agent; portal Mail.ru; e meio de pagamento Qiwi.
  • EUA: ICQ, Facebook, Zynga e Groupon.

B. Acionistas

  • África do Sul: Naspers, que por sua vez tem participação nas brasileiras Abril, Buscapé, Movile (antiga Compera nTime) e na chinesa Tencent, entre outras.
  • China: a Tencent, a terceira maior empresa digital do mundo em valuation, também é acionista direta da empresa russa
  • Tiger Global: um fundo americano que controla as brasileiras Catho e a Manager, além de ter sido sócia da Elemidia – recentemente vendida para a Abril.

Esse emaranhado é baseado em informações públicas, sem considerar eventuais acordos estratégicos sigilosos.

2. A presença do Brasil somente com empresas controladas por estrangeiros. Não é nenhuma apologia ao capital nacional, apenas ressaltando que ainda não temos uma presença digital relevante internacionalmente.

Quem seria nosso candidato a investidor brasileiro mundial?

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