Encurtadores de URL: Uma Disputa Estratégica pela Web de Tempo Real

O mercado de “encurtadores de URL”, ou URL shorteners, foi sacudido ontem por anúncios importantes. Para quem achava que os encurtadores eram só uma moda passageira ou um hack sem nenhum modelo de negócio sustentável, é hora de rever os conceitos.

O Facebook anunciou ontem que está experimentando com um serviço de encurtamento de URLs próprio, chamado fb.me . E o Google no mesmo dia o lançamento de um  novo serviço, o  goo.gl, que é um encurtador de URLs integrado com o Feedburner e o Twitter. Pensando apenas no URL shortener, porque eles criaram seu próprio serviço em vez de usar (ou comprar) um existente, como o bit.ly?

O Valor Estratégico dos URL Shorteners

Encurtadores de URL não são tecnicamente sofisticados, e podem ser programados facilmente. Isso explica parcialmente porque o Google e o Facebook resolveram lançar o seu próprio serviço, mas não explica porque eles usaram recursos que poderiam ser usados para o seu negócio fim para implementar algo que poderia ser comprado ou simplesmente usar recursos de terceiros. Qual é o valor estratégico desses encurtadores, que justifica esse investimento?

O valor dos encurtadores ficou evidente com o surgimento dos sistemas de busca em tempo real. Uma das principais aplicações dos sistemas de comunicação instantânea – categoria ampla que cobre desde o MSN até o Twitter – é trocar informações sobre sites e serviços online, e isso é cda vez mais feito usando URLs encurtadas.

As URLs encurtadas representam para a busca em tempo real o mesmo que a invenção do PageRank representou para a busca na Web dez anos atrás. Na época, a grande descoberta do Google foi que poderia usar a informação intrínseca das páginas  – seus links e referências mútuas – para inferir a relevância das páginas, classificando-as por este critério. Os URL shorteners são igualmente fundamentais para a busca em tempo real: eles permitem que o provedor de busca intercepte a informação de acesso a conteúdo de forma indireta. Com essa informação, torna-se possível dizer qual é o conteúdo mais relevante em tempo real – sem que necessariamente você tenha que hospedar ou sequer indexar o conteúdo.

A Resposta do bit.ly

O principal serviço de URL shortening do mercado, o bit.ly, não poderia ficar parado, e respondeu imediatamente. O bit.ly Pro é um serviço que permite que provedores conhecidos de conteúdo, como por exemplo o New York Times, ofereçam URLs curtas customizadas com um domínio associado à sua marca (no caso do NYT, o domínio é nyti.ms). Além disso, o bit.ly anunciou um novo dashboard que apresenta ao seu usuário informações em tempo real sobre o uso de suas URLs encurtadas. É um movimento importante e que posiciona o bit.ly cada vez mais como um provedor de serviços profissionais para publishers profissionais, de pequeno, médio e grande porte.

A Competição Entre os Serviços

A competição entre os serviços de URL shortening promete ser feroz. Existem vários critérios comparativos que analisar as vantagens de cada um dos concorrentes:

  1. Conveniência. O bit.ly é até agora o campeão, pelo simples fato de ser o encurtador oficial do Twitter. Outros encurtadores (como o brasileiro migre.me) sofrem em comparação porque precisam ser acionados manualmente. Um dos grandes pontos a favor das novas ofertas do Google e do Facebook é justamente serem mais convenientes, por estarem integrados às respectivas plataformas.
  2. Capacidade de encurtamento. Em SMS e Twitter, cada caracter conta. Nesse campo, o fb.me começa ganhando com cinco caracteres, contra seis do bit.ly e do goo.gl. Mas é uma diferença pequena, que pode ser compensada pela forma de gerar as URLs. É uma disputa bem acirrada.
  3. Qualidade dos serviços. Os encurtadores atuais já vem melhorando seus serviços gradativamente, mas devem ser pressionados fortemente pelos gigantes Google e Facebook. O anúncio do novo dashboard do bit.ly é um movimento nesse sentido.

O futuro está nas parcerias

Encurtadores de URL são ferramentas simples, e por mais relevantes que sejam os critérios técnicos, eles podem não ser decisivos. Uma das características que tornam esse segmento diferente é que o seu uso está sempre associado a um outro serviço – MSN, Twitter, etc. E por isso as parcerias são fundamentais.

O bit.ly saiu na frente, mas precisa manter essa dianteira. A relação entre o Twitter e o bit.ly é muito próxima. Porém, se o Twitter optasse por outro provedor, ou permitisse que os usuários escolham o seu provedor à vontade, as regras do jogo mudariam completamente. Por isso a negociação é fundamental para manter o equilíbrio do mercado. Novidades nessa área – com aquisições, lançamento de novos serviços ou rompimentos de contrato – devem agitar o mercado nos próximos meses. O Yahoo deve se posicionar em breve, possivelmente com algum serviço baseado no meme (um bom candidato seria me.me). E a Microsoft com certeza irá entrar no segmento – seja com um serviço próprio (msn.go?) ou comprando algum dos players atuais. A disputa está apenas começando.

0 responses to “Encurtadores de URL: Uma Disputa Estratégica pela Web de Tempo Real

  1. Discordo completamente. Os encurtadores só atrasam o desenvolvimento da web. Pras poucas aplicações que fazem mining de real valor da “web em tempo real”, como o tweetmeme, ou o buzzvolume, ou o collecta (e outros sistemas de busca similares), as urls curtas são apenas um ponto de latência extra e consumo desnecessário de recursos, já que as informações que realmente interessam estão nas urls destino. Os encurtadores são só um meio, e desnecessário por sinal. O twitter poderia muito bem, ao invés de usar encurtadores, incluir as urls como metadados nos tweets (deixando os links curtos apenas pra clientes sms). Quem já usou a API deles sabe que a cada tweet de 140chars retornado via json vêm associados vários outros dados e metadados que ocupam pelo menos 10 vezes mais espaço.

  2. Discordo completamente. Os encurtadores só atrasam o desenvolvimento da web. Pras poucas aplicações que fazem mining de real valor da “web em tempo real”, como o tweetmeme, ou o buzzvolume, ou o collecta (e outros sistemas de busca similares), as urls curtas são apenas um ponto de latência extra e consumo desnecessário de recursos, já que as informações que realmente interessam estão nas urls destino. Os encurtadores são só um meio, e desnecessário por sinal. O twitter poderia muito bem, ao invés de usar encurtadores, incluir as urls como metadados nos tweets (deixando os links curtos apenas pra clientes sms). Quem já usou a API deles sabe que a cada tweet de 140chars retornado via json vêm associados vários outros dados e metadados que ocupam pelo menos 10 vezes mais espaço.

  3. Diego, encurtadores tem várias desvantagens, pois realmente podem induzir latência e esconder conteúdo ilícito ou perigoso. Mas isso são desvantagens pontuais, para o usuário, que são compensadas pela vantagem estratégica para o dono do encurtador.

    A grande vantagem do encurtador é permitir monitorar cliques em conteúdo de terceiro, sem hospedar o conteúdo e sem modificar nenhuma página. A única pessoa que sabe quem clica em uma URL na Web tradicional é o dono do site. Mas com o encurtador, é possível monitorar este tráfego. Assim o interesse em ter seu próprio encurtador é duplo:

    1) interceptar referências a páginas arbitrárias em serviços de terceiros (Twitter, MSN, Skype, etc.);
    2) evitar que um serviço de terceiro intercepte o seu tráfego.

    Veja que um serviço de encurtador tem acesso a praticamente a mesma informação que aparece para um serviço como o Google Analytics. Ele recebe todos os headers: de onde o cliente veio, IP, etc., em tempo real. A informação é valiosa demais para ficar na mão de outros. Por isso todo mundo quer ter o seu.

  4. Diego, encurtadores tem várias desvantagens, pois realmente podem induzir latência e esconder conteúdo ilícito ou perigoso. Mas isso são desvantagens pontuais, para o usuário, que são compensadas pela vantagem estratégica para o dono do encurtador.

    A grande vantagem do encurtador é permitir monitorar cliques em conteúdo de terceiro, sem hospedar o conteúdo e sem modificar nenhuma página. A única pessoa que sabe quem clica em uma URL na Web tradicional é o dono do site. Mas com o encurtador, é possível monitorar este tráfego. Assim o interesse em ter seu próprio encurtador é duplo:

    1) interceptar referências a páginas arbitrárias em serviços de terceiros (Twitter, MSN, Skype, etc.);
    2) evitar que um serviço de terceiro intercepte o seu tráfego.

    Veja que um serviço de encurtador tem acesso a praticamente a mesma informação que aparece para um serviço como o Google Analytics. Ele recebe todos os headers: de onde o cliente veio, IP, etc., em tempo real. A informação é valiosa demais para ficar na mão de outros. Por isso todo mundo quer ter o seu.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *