RWW Entrevista: Luiz Piovesana, Fundador da Empreendemia

Este é post inaugural da série “Empreendedores Brasileiros”, e para começar iremos entrevistar Luiz Piovesana, um dos responsáveis pelo Empreendemia, uma rede social de contatos para o ambiente empresarial. Ele fala sobre suas experiências, como seu produto se desenvolveu e dá algumas dicas para quem está começando.

1- Luiz, Como você entrou de cabeça no mundo do empreendedorismo? Quando você desistiu de tentar uma vaga nas empresas consolidadas e resolveu começar a sua?

O fator principal que me motivou a virar empreendedor foi o surgimento da ideia da Empreendemia misturado com a vontade de fazer algo diferente – era uma ideia legal e eu ainda tinha um ano de faculdade pela frente, então por que não tentar? Se desse errado, eu aprenderia, se desse certo eu teria a minha chance de fazer o mundo um lugar um pouco melhor.
Escolhi não tentar entrar em empresas consolidadas por ver como era o trabalho dos meus amigos e colegas – a maioria deles ou não enxergava o fim pelo qual estava lá, ou não tinha seu potencial trabalhado como deveria; eu tinha certeza que não queria aquilo pra mim.

2- Como você e seus sócios se encontraram?

Tenho 2 sócios: o Millor Machado, amigo que conheci na minha turma de engenharia de controle e automação na Unicamp, com quem a ideia da Empreendemia nasceu; e o Mauro Ribeiro, que também fez Unicamp, mas que só conhecemos em março de 2009 (com menos de 2 meses de empresa formada) a partir de um contato comum com o Millor que falou “esse cara é empreendedor, um ótimo computeiro e designer – ele fez uma lamborghini no paint!” – ele simplesmente encaixou na empresa, não só pelas habildiades complementares, mas também pelo perfil pessoal e objetivos como empreendedor.

3- Você vem de uma formação em engenharia. Quando e porquê você resolveu começar uma empresa de internet?

Apesar de ter muita coisa técnica, um curso de engenharia é legal porque te ensina a pensar, a construir novos produtos, a lidar com tecnologia e, principalmente, a aprender.
Decidimos começar a empresa quando enxergamos a oportunidade no mercado b2b na internet brasileira. Gostamos de tecnologia e gostamos de construir coisas novas (todos os sócios são engenheiros), por isso a empresa ser de internet nunca foi um problema, mas sim uma vantagem por ser tecnológica – tivemos que aprender como entrar e crescer na internet, mas isso acontece em qualquer área.

4- Nos conte um pouquinho da história da Empreendemia. Qual foi a inspiração para o serviço?

O Millor tinha a ideia de abrir uma consultoria estratégica no Nordeste (eu já me incluía nesse plano), mas quando estava em Babson fazendo um curso de Empreendedorismo, ele fez os cálculos pra ver se isso seria viável e viu que não era. Durante o almoço, conversou com um outro participante (já empreendedor) e falou sobre a ideia – em 5 minutos Millor ouviu o porquê da consultoria não dar certo e saiu animado: imagine se empreendedores pudessem trocar ideias facilmente? Essa foi a inspiração: ter um lugar para empreendedores se ajudarem e trocarem ideias.
Por mais que o formato tenha mudado algumas vezes até a versão atual, nosso objetivo é o mesmo: conectar e orientar empreendedores. Queremos, desde o começo, fazer com que empreendedores tenham acesso a informações úteis, práticas e diretas sobre gestão (de onde saiu o Saia do Lugar) e aumentar a interação entre eles, não só para troca de conhecimento, mas principalmente para gerar negócios.
Guy Kawasaki teve um papel importantíssimo: além do conteúdo extremamente relevante, ele nos ajudou a elaborar o mantra “Empreendedorismo sem enrolação”, que é nosso guia interno até hoje.

5- Do primeiro conceito até o lançamento do produto demorou quanto tempo? Quais as dicas que você poderia dar para quem gostaria de colocar um produto web no mercado rapidamente?

Foram 9 meses do início oficial da empresa em fevereiro de 2009 até o lançamento do Empreendemia beta em Novembro do mesmo ano.
As principais dicas são: sempre ter algo pra mostrar, nunca parar o desenvolvimento, não esconder a ideia e falar com quem importa (dica: o seu cliente).
No começo, montamos uma apresentação com 10 slides sobre o que era o conceito (não tínhamos uma linha de código) e saímos conversando com as pessoas que considerávamos referência em empreendedorismo e internet. Não só fomos bem recebidos (apesar de não as conhecermos antes), como recebemos muitos feedbacks e, em cima deles, aperfeiçoamos o conceito. Depois de termos algo um pouco mais sólido, a programação foi iniciada, mas as interações nunca pararam – a diferença é que com o tempo passamos a ter usuários no Empreendemia que nos falam o que gostam e o que não gostam.

6- Pode compartilhar alguns dados dos primeiros meses do empreedemia no ar? Usuários, empresas, atividade…

O Empreendemia está no ar há 3 meses ainda na versão beta, sem funcionalidades pagas (a primeira está em teste agora, o Mural de Serviços) e sem qualquer publicidade veículada.
Considerando apenas os usuários ativos, temos hoje 551 pessoas em 467 empresas – isso tem resultado em mais de 100 visitas diárias ao site com um tempo de permanência bastante alto (perto dos 6 minutos). Além disso, já tivemos relatos de alguns negócios feitos depois do contato via Empreendemia – ou seja, começamos a ver negócios sendo fechados por lá, que é o nosso objetivo principal com a rede – acelerar negócios entre empresas.

7- Pode nos adiantar algumas das próximas novidades do produto?

As próximas novidades são bastante relacionadas ao nosso modelo de negócios, já que os próximos passos são a implementação das funcionalidades pagas.
O Mural de Serviços, já citado acima, é o lugar onde clientes gratuitamente fazem o pedido de serviço ou produto que querem para a Empreendemia, que sai em busca de possíveis fornecedores na rede. Nós mostramos a requisição de serviços e o quanto o cliente está disposto a pagar para esses fornecedores – se eles se interessarem, nós enviamos o contato (para todos os fornecedores que pedirem) e cobramos pela venda desse lead.
Com a primeira, os usuários terão a opção de personalizar o perfil da sua empresa, colocando mais informações sobre seus produtos, inserindo vídeos e apresentações ou até formatando a parte visual do cartão de visitas virtual – ou seja, empresas podem criar uma página que será extremamente fácil de editar, com ótimo SEO, sem preocupações com servidor ou domínio e preço baixo. Complementar a isso, ofereceremos um relatório tipo Analytics sobre as entradas no perfil, porém com muito mais exatidão, já que por ser uma rede, temos as informações exatas sobre os visitantes.
Indo um pouco mais pra frente, teremos funcionalidades relacionadas a anúncios de empresas no Empreedemia para outras empresas na rede, além de ter uma loja de aplicativos web de gestão.

8- Qual o modelo de negócios da Comunidade Empreendemia?

A página editável tem o modelo freemium, então ofereceremos pacotes de funcionalidades por preços diferentes. Já o mural de serviços e os anúncios funcionarão por demanda – você compra, você leva.

9- Vocês pretendem buscar algum fundo de investimentos ou pretendem continuar fazendo bootstrapping do produto? Quais os planos para financiar o desenvolvimento da Empreendemia?

Estamos montando um plano para o caso de termos uma grande injeção de capital, mas seguiremos com o bootstrapping. Com o tempo e com o aperto, não só aceleramos o desenvolvimento do produto, como encontramos formas paralelas de financiar a empresa. Hoje, nosso bootstrapping é composto por patrocínios ao Saia do Lugar, consultorias em marketing digital, treinamentos e palestras, desenvolvimento de sistemas online e venda da nossa série de e-books – o 1º sai agora em março e será sobre desenvolvimento de produtos.

10- Qual a maior lição aprendida que você pode compartilhar com quem também está começando uma startup no Brasil?

Saiba quem são as pessoas mais importantes pra você conversar, converse com elas e saiba filtrar as informações que você recebe.
Startups envolvem inovação, o que diminuí muito as chances de qualquer um te entender enquanto está na fase de desenvolvimento – saiba quem são as referências na sua área e seus clientes e fale com eles, pegando opiniões e feedbacks. Com isso, você tem que ser o maior filtro de todos pra selecionar o que é relevante pra sua startup – se fôssemos levar em conta tudo que ouvimos pra fazer o Empreendemia, nós teríamos hoje algo desfocado e que com certeza não agradaria a ninguém.

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