Nota do editor: Este artigo foi originalmente publicado no blog do desafio Sua Ideia Vale um Milhão, confira nossa cobertura anterior aqui

Buscapé foi fundado em 1998 por três estudantes de engenharia de computação, entre eles estava Romero Rodrigues, hoje CEO da empresa. Romero tinha apenas 21 anos na época e foi um dos responsáveis pela fundação de uma das maiores empresas de internet do mercado brasileiro.

O site só entrou no ar em 1999, com 35 lojas e 35.000 produtos. No mesmo ano a empresa levantou seu primeiro investimento realizado pela empresa de capital de risco E-Platform, e não demorou a levantar o segundo investimento, que veio no ano seguinte. Em 2005 o fundo Great Hill Partners adquire a participação dos investidores e se torna o único sócio da empresa, além dos fundadores. A partir daí a história da empresa começa a mudar. Em 2006 o Buscapé adquire o Bondfaro, seu maior concorrente, e lança dois produtos: o QueBarato! e o CortaContas. Entre 2007 e 2009 o Buscapé investiu pesado ao adquirir a empresa e-bit, o Pagamento Digital e a FControl. Em Setembro de 2009 acontece a maior aquisição da internet brasileira até o momento: o grupo sul-africano Naspers adquire 91% do Buscapé por US$ 342 milhões. Em 2010 e 2011 o Buscapé continuou com a onda de aquisições com o ZipMe (agora SaveMe), eBehaviorNavegg e DineroMail.

Em 2011 todos vocês já sabem o que aconteceu, tivemos a primeira edição do desafio Sua Ideia Vale um Milhão. Não é preciso dizer que a iniciativa foi um grande sucesso, premiando quatro grandes startups que, além do investimento, recebem apoio em vários setores do Buscapé Company.

Quer saber mais sobre o desafio sua Ideia Vale um Milhão? Confira nossa entrevista com o CEO da empresa, Romero Rodrigues:

Você fundou o Buscapé em 1998 e acompanhou a evolução do mercado web brasileiro. Como é ajudar essas empresas que provavelmente enfrentam os mesmos desafios que vocês passaram no início?

É como voltar no tempo com mais experiência, sabendo o que se deve ou não fazer.

Naquela época a gente quebrou a cabeça para aprender um monte de coisas que quem já estava no mercado há 20 anos já sabia, agora conseguimos economizar o tempo dos empreendedores e aumentar a velocidade de desenvolvimento das startups dividindo este conhecimento.

Do lado pessoal, é muito gratificante também. Se você observar as duas indústrias americanas mais bem sucedidas: cinema e tecnologia, temos isto em comum: pessoas que passaram por todo o ciclo retornando a ajudando nos empreendimentos pequenos. Sejam os investidores anjos do Vale do Silício ou os atores de Hollywood, todos hoje produtores dos principais filmes e lançando novos talentos.

Essa experiência da empresa é um dos atrativos para o ganhador do Desafio?

Sem dúvida! Muito mais do que dinheiro, oferecemos experiência, contatos e conhecimentos. Ao contrário de um investidor financeiro, nosso objetivo não é vender nossa participação na empresa daqui a 5 ou dez anos, mas sim fazê-la crescer o mais rápido possível e se tornar uma empresa vencedora no seu segmento.

Qual a diferença entre abrir uma empresa em 1998 e 2012? Mudou muito?

As dificuldades para startups de internet em 1998 eram muito maiores em termos de conhecimento do mercado: os lojistas não sabiam o que era internet, a penetração era baixa, muita insegurança jurídica e técnica para as pessoas fazerem negócios. Hoje tudo isto melhorou muito, há mais de 80 milhões de internautas no Brasil, banda larga já uma realidade e existem centenas de ferramentas open source que não eram disponíveis na época.

Por outro lado, as vantagens atuais implicam em uma competição muito maior no mercado – hoje aparece um site legal no ar e em seguida já tem 4 ou 5 concorrentes copiando a ideia…

Por isso acreditamos na nossa proposta. Só dinheiro hoje não funciona mais. Precisa de acesso a mercado, velocidade. E mesmo com muito dinheiro não se consegue acesso a 60 mil anunciantes e 30 milhões de usuários.

Quais são as expectativas para o Desafio de 2012?

Mudamos um pouco o modelo para que os candidatos cheguem à final ainda mais preparados, pois iremos dar uma mentoria de uma semana nas dependências do BuscaPé – desta forma eles irão conhecer a fundo todas as possibilidades do ecossistema de empresas que temos hoje e como eles podem tirar vantagem disto.

Assim cremos que os candidatos finalistas serão o que há de melhor no Brasil – ou seja, o SIV1M se tornará um selo de qualidade para estes empreendedores, dificilmente eles deixarão de receber investimento de VCs, caso eles não sejam vencedores.

Qual o perfil do empreendedor ideal para o Buscapé?

Como dizia Churchill, o perfil ideal é aquele que promete e entrega “sangue, suor e lágrimas” – ou seja, o time que possui paixão pelo que faz e está disposto a quase tudo para fazer seu projeto voar, ter sucesso. Sabe que os reveses são parte do jogo, mas não desanima, não joga a toalha – reinventa o negócio e parte pra luta.

No geral temos uma metodologia de avaliação que chamamos de 4 Ps:

  • Pessoa
  • Produto
  • Poder de Programação
  • Paixão

Já investimos em projetos que não tinham produto bom ou tecnologia boa, mas nunca investimos em times que não tenham pessoas/time de alto nível e que demonstrem muita paixão.

Além do Desafio, vocês pretendem aceitar planos de negócios de empresas que gostariam de pertencer ao Buscapé Company. Em quais segmentos que o Buscapé procura?

Nós temos um departamento de Fusões e Aquisições que está continuamente analisando empresas para novos investimentos – porém neste caso buscamos projetos mais maduros, i.e., empresas que já possuem faturamento razoável e estão rodando há mais tempo. Buscamos empresas sempre voltadas à eCommerce, que tenham algum grau de sinergia com nosso negócio.

O contrário também vale: já recebemos projetos no Sua Ideia Vale um Milhão que se mostraram maiores do que o SIV1M. Então direcionamos para o departamento de M&A e o projeto é analisado de outra forma, pois pode precisar de mais investimento.

O mercado evoluiu, mas ainda assim vemos startups lutando para conseguir o sonhado investimento. Como foi conseguir investimento no início do Buscapé? O que tem a dizer aos empreendedores que tropeçam na hora de captar?

Não é fácil, mas se seguir a receita e tiver os ingredientes certos, ou seja, os 4Ps citados antes, você consegue. Realmente acreditamos que isto foi o que funcionou conosco quase 15 anos atrás.

Tropeçar na hora de captar faz parte do jogo, nós passamos por isto também, é desanimador, mas não pode desistir. Nossa busca por um investidor demorou mais de ano, até conseguirmos a ePlatform. E aí, depois do primeiro aporte, com os primeiros resultados aparecendo, foi um pouco mais fácil fazer uma segunda rodada de captação, que foi primordial para deslanchar a empresa.

Obrigado Romero, e continue o bom trabalho!