Existe Seed Capital no Brasil?

Recentemente, tivemos a divulgação do 2° Censo da Indústria Brasileira de Private Equity e Venture Capital pela FGV-SP em parceria com a ABDI (Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial) e a ABVCAP (Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital). Esse trabalho pode ser considerado um marco no setor de investimentos brasileiro, pois são informações importantes para atrair novos projetos, investidores nacionais e internacionais e tornar o Brasil referência no desenvolvimento de tecnologias, inovação e competitividade. E é aí que estamos inseridos, o segmento de Seed Capital ou Capital Semente, em todas as suas segmentações (angels, eraly-stage, seed capital e late-stage).

A pesquisa foi baseada em questionários com mais de 180 gestores de fundos, com um montante total captado em 6,1 bilhões de dólares, dos quais 3,1 bilhões foram investidos em 2009. Mas onde está o Seed Capital nisso?

O Capital Semente no Brasil

Os investimentos brasileiros para empresas nascentes de tecnologia variaram em 2009 entre 500 mil reais e 4,5 milhões de dólares. Esse é o padrão do capital semente, o que acompanha as negociações ocorridas nos Estados Unidos para empresas desse porte.

Os números mais interessantes e que mostram que houve um crescimento são o de projetos avaliados contra investidos. O percentual de empresas investidas após o processo de due diligence aumentou, e incubadoras, competições de planos de negócios, Seed Forums, desafios de startups, já representam 18% dos investimentos. Em 2009, foram 3.895 propostas recebidas para investimentos de capital semente, e destes apenas 50 investimentos foram realizados, conforme mostra a pesquisa.

A TI e o Capital Semente

O setor de tecnologia da informação e eletrônicos é o campeão em número de investimentos, respondendo por 15% em 2009. Porém, o montante investido ainda não é o maior, incentivado pelo fato do grande número de startups de tecnologias receberem investimentos anjo e pelo formato dos fundos de Seed Capital.

Além disso, as saídas dos investimentos também são dominadas pelo setor de TI e eletrônicos. Representam 35% do total de desinvestimentos em 2009, contra 27% em 2008. Esse crescimento mostra que mais empresas ou fundos estão interessados em fazer o capital girar e em fomentar o crescimento de mais empresas. É potencial brasileiro se mostrando cada vez mais.

Os Gargalos dos Investimentos

O Brasil ainda tem dificuldades em agilizar as análises de projetos. Devido questões burocráticas de abertura de empresas, tributárias e necessidade de advogados para negociações com fundos, o período de análise e momento do aporte atrasam. Isso acaba prejudicando o empreendedor, pois quanto mais cedo, melhor.

Falta ainda a cultura de as empresas nacionais abraçarem a causa empreendedora. Muitas indústrias podem incentivar e participar junto com fundos de investimentos a criação e a pesquisa de projetos que circundem seus segmentos de mercado. Incubar projetos dentro de laboratórios de empresas famosas por P&D no Brasil é um desafio.

Mas um dado interessante do Censo é que 52% do empreendedores são os CEOs das empresas investidas, e isso mostra que é ponto fundamental para a análise de investimentos a equipe ser capaz de gerir o projeto proposto.

As conclusões apresentadas no artigo são do próprio ReadWriteWeb Brasil, e não foram divulgadas pela FGV-SP ou órgãos parceiros.

5 responses to “Existe Seed Capital no Brasil?

  1. O ciclo no Brasil está só começando, e ainda não existe um “ecosistema” totalmente sustentável. A percepção de que quem investe em startups muitas vezes já está ou esteve envolvido com alguma outra – como founder ou como CEO – está correta. São pessoas que vivem neste meio, sabem como funciona, e sabem o quanto é importante para um empreendedor ter alguém que invista nele. Mantido o curso atual – economia estável, tecnologia em crescimento, etc. – acredito que a tendência é que o processo cresça e amadureça, mas sem grandes saltos. Falta muito para chegar a um cenário ‘Silicon Valley’, mas aos poucos a gente melhorando, e talvez tenhamos nosso próprio modelo já consolidado em poucos anos.

  2. Temo projetos com Tecnologia 3D alida a gestão, inovador, grandes empresas do País e Multinacionais sequer tinham contato com esta tecnologia.

    Também a aplicabilidade desta tecnologia atingiria outros segmentos da economia, mas necessitamos de aportes financeiros e temos trilhado o caminho nem tão fácil quanto nossos amigos dos EUA.

    Acredito que aqui no Brasil ainda teremos um longo caminho a trilhar.

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