Google desmantela Reader e acaba com a turma do fundão das redes sociais

O blog do Google Reader anunciou na última semana que as coisas vão mudar para o agregador de RSS em breve: além de novo layout, será integrado ao Google+. Sem maiores detalhes, diz que as funções sociais serão centralizadas no G+ e sugere que na nova fase os itens compartilhados estarão disponíveis apenas para os Circles: o que for compartilhado será refletido no G+, e não mais no próprio Reader.

Desde então, repercutem manifestações com o receio de que o Reader deixará de existir:

Análise publicada no mês passado, O Tripé da Google, tentou responder uma simples pergunta:

De quais produtos a Google realmente depende?

Na origem, essa questão surgiu de outra forma, um pouco mais dramática:

Quando a Google vai matar o Reader?

Consta no texto o “Reader, Translation bots ou o Docs” como alguns dos produtos vulneráveis, passíveis de serem tirados do ar sem cerimônia por parte da Google (como fizeram com os Labs, o Desktop e outros).

Google Reader, "Une tragédie moderne"

Mas qual o drama, afinal?

Segue o resumo.

Entre várias iniciativas que iam e vinham (muitas delas como clientes para desktop), de 2003 a 2006 um agregador online de RSS era o favorito da comunidade: o Bloglines. O Reader nasceu no Labs, foi lançado em outubro de 2005 e era o Bloglines da Google. Não uma cópia, mas atacava o mesmo nicho: geeks com necessidade em centralizar suas leituras de RSS num serviço online e de preferência com ferramentas de busca, categorização, favoritos etc.

O Bloglines não era excepcional, mas fazia aquilo a que se propunha fazer. Foi comprado pela Ask.com em 2005 e fechado em novembro de 2010. Foi perdendo espaço no período, principalmente para o Reader.

A primeira versão do Reader era grotesca. Usável para acompanhar no máximo uns 10 feeds, mas para usuários avançados era abominável: mal feito, usabilidade contraproducente e com todos os tipos de defeitos básicos que desestimulariam alguém a usar um agregador online (veja esta análise das versões 1 e 2, de outubro de 2006).

Google Reader, Versão 1
Interface da 1ª versão do Reader

Inviável na infância, atraiu os que se dispunham a desbravar e se acostumar com a tosquidão.

Nos dois primeiros anos a Google lançou algumas atualizações que, de grão em grão, iam melhorando o Reader. Mas não superavam o todo, provido então pelo ativo Bloglines. Até que em 2008 ou 2009 surgiu a versão que faria do Reader o lugar predileto de um tipo específico das camadas digitais: o nerd-hard-user-viciado-em-informação.

Então o Google Reader se transformou num dos espaços dessa turma do fundão das redes sociais. Não estava sozinho, claro, pois outros lugares também atraem esse nicho (4chan e Reddit, para citar os mais conhecidos). Mas era, talvez, o mais underground: pouca gente sabia que aquela ferramenta horrenda conseguira alcançar maturidade com uma versão útil três anos depois.

De 2009 a 2011 o Reader foi a melhor rede social para quem consome informação na internet como um alucinado.

Tumblr? Ficou à margem do fenômeno Tumblr quem não usou o Reader pra acompanhar as imagens que circulam por lá e toda essa onda visual que ele difundiu (mais imagem, menos texto).

Memes? Você sabia que o Fukung gera um RSS pra cada uma de suas tags? O Flickr também!

Uma lista com os principais recursos do Reader é a melhor resposta para quem afirma que ele não é uma rede social:

  • Seguir os feeds de quem te interessa (e ser seguido por quem gosta do seu feed)
  • Compartilhar (Share)
  • Compartilhar com uma nota (Share with Note)
  • Postar um texto (Note)
  • Curtir (Like)
  • Favoritar (Add star)
  • Enviar por email
  • Tags (no Gmail é label e no Reader, tag)
  • Comentários
  • Trends (uma ferramenta subutilizada pela maioria, mas a mais sofisticada dentro do serviço)
  • Recomendação de feeds (baseada no que o usuário consome)

Cada usuário do Reader filtra proativamente todo conteúdo que consome no serviço, gerando um feed único, que diz muito sobre quem o compartilha e é uma ótima referência, se não a melhor, para conhecer alguém pela internet. Permite “ler” o leitor.

Para conhecer alguém, compartilhe

Por tudo isso, o Reader era a rede social completa operando nos subsolos da Google. Sem seus aspectos sociais, o Reader não se sustenta.

O primeiro terremoto que enfrentou foi no lançamento displicente de um produto recém aniquilado: causou enorme sofrimento aos usuários do Reader, que ajudaram a dar voz aos graves defeitos de privacidade que popularizaram a plataforma Buzz.

Pelo retrospecto recente, difícil acreditar que sobreviva a um novo desastre, ainda mais numa reformulação para dentro do polêmico G+.

Não há esperanças. A não ser que até a virada da chave dessa migração surja milagrosamente a opção de, para quem desejar, deixar como estar.

Seria incrível.

Do jeito que a Google gosta

Obrigado, Reader!

com colaboração de Bruna Dessbessell

0 responses to “Google desmantela Reader e acaba com a turma do fundão das redes sociais

  1. Acho que diferentes pessoas com certeza tem um diferente visão sobre o GReader, mas nesse caso eu discordo um pouco da materia, sou usuário do Google Reader desde o tempo do fundão e acredito que a melhor coisa que pode acontecer a ele atualmente é uma completa integração com o Google+, não acho isso somente do GReader não, acredito que muitos dos produtos do google teriam suas possibilidades de uso multiplicadas ao infinito caso houvesse uma integração melhor entre eles, falo inclusive de Gmail, Youtube, Analytics, Google News e muitos outros, desde o lançamento do Google+ acreditei que ele pudesse dar esse passo em direção a integração total e espero realmente que isso aconteça o mais breve possível.

    Por outro lado também acredito que alguns usuários preferem a experiencia individual de cada um desses produtos, e de forma alguma tiro o mérito de nenhum deles, uma alternativa possível seria permitir a integração para aqueles que a quisessem mas também permitir a manutenção do estado atual para os outros, mas isso basicamente significaria ter duas versões completas e diferentes de cada um dos produtos do Google, o que geraria um aumento de custos e poderia não ser viável para a empresa em termos de negócio.

    Espero sinceramente que essa fusão seja concretizada sim, talves o que estejamos vendo de alguns usuários seja um certo medo a mudança, mas acredito que se o que se planeja for de fato bem feito até os mais céticos com relação ao G+ poderão mudar de ideia.

  2. Sinceramente, acho esse estardalhaço todo uma babaquice. Primeiro: o Google Reader não é e nunca foi uma rede social. Segundo: essa mudança que vai chegar esta semana vai INTEGRAR o serviço ao Google+ o que dispensaria as “funções sociais” do serviço, diga-se de passagem, a parte menos útil desse serviço. O Google Reader é um leitor online de feeds (ou um agregador online de RSS, como queiram). Apenas isso. Essa função primordial dele não vai acabar e é isso o que importa. E outra: por acaso alguém viu como o serviço vai ficar após a integração com o Plus para estarem reclamando tanto? Isso só tem um nome: “distúrbio de gente acomodada”.

  3. Acho que o pessoal não sabe bem o que é “rede social”. Quando se fala que o GReader é uma rede social é porque ele permite que faça exatamente o que a maioria das redes sociais permite: compartilhar a informação. E o conceito central de “rede social” é exatamente esse. Gente que acha que coisinhas bonitinhas de Facebook, cheio de “forever alones” que tem na maioria dos compartilhamentos “lixo” se engana que ele sim é uma rede social. Ele simplesmente tem o que toda rede já tinha com o poder de juntar tudo de uma forma muito simples, essa é a receita. O GReader proveu isso durante algum tempo no que se refere ao compartilhamento de de informação, embora não fosse completo e não suprisse todas as necessidades quando se fala em interação em uma rede social.

    Porém, concordo que o tiro no pé do Google foi não integrar todos os seus produtos, o que o tornaria, de verdade, a “rede social”. Mas hoje, as tentativas que eu vejo é justamente de retornar a essa idéia, mas não como inovação e sim como um plano para alegar que erraram e desejam consertar mas as custas de “obrigar” o usuário a usar uma rede social que não passa um plágio atrasado de tudo aquilo que já funciona muito bem. Para mim, aí é que está o desastre em querer trazer o GReader para ele.

  4. Primeiro q o GReader é uma rede social a qual vc pode seguir pessoas e compartilhar sentimentos assim como o YouTube (caso não tenha percebido),hoje vc pode postar um texto do reader direto no twitter via botão se eu pudesse postar uma noticia em meu blogger ou no meu G+ isso seria muito relevante sim o fato d eu não ter que ficar abrindo link e mais link é a coisa mais util do reader .
    Em relação ao G+ ele não é uma rede social e sim um agregador social o conceito dele é bem diferente como exemplo a integração do botão +1 na propagandas mas tudo isso é #mimimi na minha opinião de merda

  5. Realmente ainda não entendi por que o google está errando tanto… poderiam simplesmente se inspirar no disqus.
    e ter o buzz, o reader etc como frontend para sua “rede social” (que por sinal possuem sistema de postagem superior ao g+ …)…
    acho que a genialidade tem seus momentos de miopia!!!

  6. Acho errado falar que “Sem seus aspectos sociais, o Reader não se sustenta”. Acredito que tenha muita gente, como eu, que usa o Reader pura e simplesmente como agregador de RSS. Uso ele há uns 3 anos e se eu cheguei a compartilhar 10 posts acho que foi muito. Ele tem sim ferramentas de rede social, mas encaro isso muito mais como um “add-on” do que como a base do sistema em si. Até porque, geralmente os meus amigos assinam quase os mesmos blogs que eu, então compartilhar um post é praticamente inútil. Fora que na maioria das vezes o que eu quero compartilhar é só uma imagem ou vídeo do post e não o post inteiro. Então pego essa imagem ou vídeo e compartilho via Facebook, Twitter, o que for. Quanto à integração ao G+, acho que isso já é tendência pra qualquer produto do Google. Não me assusta muito.

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