Nota do editor: Este post faz parte de uma parceria do WebHolic com o site Exame. O conteúdo exibido aqui não é de nossa autoria.

A Apple escolheu o Instagram como aplicativo do ano em 2011, uma distinção notável considerando que a App Store conta com mais de 600 mil títulos para iPhone e iPad. Mas, agora que o Instagram pertence ao Facebook e está disponível também no Android, do rival Google, a atitude da Apple parece ter mudado.

Nesta semana, Phil Schiller, o vice-presidente de marketing da Apple, atacou o Instagram. Ele disse que o aplicativo “has jumped the shark” ao ir para o sistema Android. A expressão em inglês, geralmente usada em referência a séries de TV, indica que o programa atingiu seu auge e entrou em decadência.

A frase está numa mensagem que Schiller enviou a Clayton Braasch, um blogueiro fã da Apple. Schiller também apagou sua conta – identificada pelo nome de usuário @schiller – no Instagram. Braasch pediu ao executivo que explicasse melhor sua posição. Esta foi a resposta de Schiller, publicada pelo blogueiro:

“O Instagram é uma ótimo aplicativo com uma ótima comunidade. Isso não mudou. Mas uma das coisas de que eu gostava no Instagram era que se tratava de uma comunidade pequena, de pioneiros compartilhando fotos. Agora que ele cresceu tanto, a relação sinal/ruído é diferente. Isso não é necessariamente bom ou ruim. Mas não é o que me fazia gostar dele.”

Em outras palavras, Schiller parece ter se incomodado com o que alguns brasileiros chamaram de “orkutização” do Instagram – sua expansão de uma pequena comunidade de iniciados para um público amplo, um processo que se acelerou com a liberação da versão para Android. Na plataforma móvel do Google, o Instagram teve 5 milhões de downloads em menos de uma semana.

Há quem interprete a atitude de Schiller como um eco do ódio que Steve Jobs sentia pelo Android. O fundador da Apple chegou a declarar, a seu biógrafo Walter Isaacson, que destruiria o Android a qualquer custo, mesmo que tivesse de gastar todo o dinheiro da Apple para isso. “Vou mover uma guerra termonuclear”, disse ele a Isaacson. Mas os ânimos parecem ter se acalmado um pouco depois que o pragmático Tim Cook assumiu o comando da Apple no lugar do impulsivo Jobs.