Autor Convidado: Rodrigo Fernandes é um fundadores da Eteg Tecnologia da Informação, empresa especializada em desenvolvimento de software sob encomenda para grandes empresas e para o setor público. Rodrigo já contribui anteriormente com o artigo Como prever se sua startups será bem sucedida ou não. Esta é uma tradução autorizada de um artigo escrito por Maxwell Wessel.

Algum tempo atrás, os ativos do Digg.com foram vendidos para a Betaworks por apenas US$ 500.000. Para quem não o conhece, o Digg é um site de bookmarking social que permite que os usuários postem e avaliem links para artigos na web. Com uma quantidade cada vez maior de conteúdo disponível na web, o Digg vinha sendo a principal solução para a dificuldade de selecionar o que havia de mais interessante na rede.

Até outro dia, a empresa criada por Kevin Rose estava na crista da onda. Durante os últimos 5 anos o site foi abordado por várias empresas. Existiram até mesmo rumores de uma proposta do Google na faixa de US$200M. Mas o Digg não se interessou pela aquisição, e preferiu levantar $45M em investimento. Os criadores do projeto ficaram famosos entre os empreendedores do Vale do Silício. Todo o time do Digg se orgulhava do fato de que o site sempre aparecia na página principal do Techcrunch.

Tudo isso era verdade. Até que deixou de ser. Em 2011, o Digg mudou seu layout. E aí, tudo começou a mudar. Muitos usuários migraram para o Reddit (um site com modelo praticamente idêntico). A publicidade sumiu. E hoje, o Digg vale apenas US$500k. Esta não é a típica história de sucesso do Vale do Silício que costumamos ver por aí. Mas poderia ser.

Quando eu me formei pela Harvard Business School há pouco mais de um ano, vários dos meus colegas optaram por criar suas startups. Eu fui um dos MBAs que entraram na onda empreendedora, lançando a startup da área musical chamada nuevoStage.com. Quando eu me encontrava com meus colegas em reuniões ou meetups, a turma das startups estava sempre falando sobre os seus projetos e negócios. Mas uma tendência era clara nestas conversas: o reconhecimento pela mídia e pelos colegas parecia ser o objetivo final. E a maior evidência de que seu projeto estava sendo reconhecido era a obtenção de capital de risco. O venture capital havia se tornado o objetivo final. O objetivo não era a satisfação dos clientes ou a criação de um negócio sustentável. Levantar uma rodada de capital de risco e receber destaque nos principais sites havia se tornado a marca do sucesso.

Em 1968, Frederick Herzberg escreveu um artigo para a Harvard Business Review que ficou muito famoso. O título original era: “One More Time: How Do You Motivate Employees?” Ele ainda está entre os artigos de mais sucesso na história da HBR. Ele refutava a crença tão comum de que o dinheiro é a principal fonte de satisfação no trabalho. Em uma época em que os gestores estavam tão focados na criação de mecanismos de incentivo para a equipe, Herzberg deu um passo para trás e mostrou que, na verdade, apesar do dinheiro ser um importante motivador, ele não era nada quando comparado com outros motivadores como reconhecimento e realização. O venture capital e o reconhecimento da mídia é que se tornarm as principais fontes de ambos para os MBA’s.

Apesar de que o objetivo final deveria ser a criação de um negócio sustentável, a motivação de curto prazo acabou os levando para um destino bem diferente. Ela os levou para o reconhecimento dos pares, e não para a satisfação dos clientes. Como personagem Sean Parker em A Rede Social nos lembrou: “Um milhão de dólares não é legal. Você sabe o que é legal (cool)? Um bilhão de dólares.” É tudo uma questão de ser legal. E, no curto prazo, nada é mais bacana do que o dinheiro recebido hoje.

Eu posso dizer isso com alguma certeza. Em novembro passado, a minha startup recebeu uma boa proposta de investimento. Ela nos permitiria manter a empresa funcionando pelos próximos 3 anos com um bom time. Nós erámos rentáveis e nossos clientes gostavam muito do nosso produto. Mas eu e o meu co-fundador optamos por recusar a proposta. Nós sabíamos que o nosso negócio ainda não havia chegado lá. Havia dúvidas se realmente iríamos descobrir como fazer o nosso negócio dar um retorno adequado para os investidores. Ainda mais na indústria de música, que lançado startups que fracassam o tempo todo. Mas bem, eu conheço a força do reconhecimento dos pares. Eu sabia que se eu levasse o financiamento, eu seria notícia. Seria legal. Mas seria um Digg. Não um Google.

Nove meses depois, eu estou confiante de que fiz a coisa certa. Meus colegas que estavam mais focados em reconhecimento viram as suas empresas implodirem. E eu vi que meus colegas que estavam construindo negócios B2B sem nenhuma preocupação com reconhecimento, estavam criando dezenas, se não centenas de milhões de dólares de valor. Se eu tivesse aceitado o investimento, eu tenho certeza que estaria na primeira categoria, e não na última. Todos nós precisamos estar satisfeitos com o nosso trabalho. Todos nós precisamos ter orgulho do que fazemos. Mas a vida não é uma competição para quem vai aparecer na Venture Beat amanhã. E os MBA’s precisam dar um passo para trás e se perguntar: “Estou fazendo isso porque é legal? Ou eu estou fazendo isso porque, daqui a dez anos, eu terei orgulho de tudo que construí?”