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“Quero deixar absolutamente claro que não vamos deixar nenhum espaço livre para a Apple”. A frase é de Steve Ballmer, o CEO da Microsoft, numa entrevista à publicação americana CRN. Nela, Ballmer não descarta a possibilidade de a Microsoft lançar seu próprio smartphone em algum momento.

Ballmer disse à CRN que, por enquanto, a prioridade da Microsoft está no Windows 8 e no Surface, o dispositivo com teclado removível que pode ser usado como tablet e como notebook. “Estamos trabalhando duro no Surface. É o nosso foco. Nosso negócio principal.”

A empresa apresentou dois modelos desse dispositivo híbrido. Um deles vai rodar o Windows RT, versão reduzida do Windows 8 que funciona apenas com aplicativos específicos para a nova interface gráfica Metro. O outro modelo do Surface roda o Windows 8 completo e deverá ser compatível também com aplicativos atuais. O lançamento tanto dos tablets como do Windows 8 deve acontecer até o final de outubro.

Na entrevista à CRN, Ballmer diz que a Microsoft é forte no mercado corporativo: “Temos vantagens em termos de gerenciamento corporativo. Temos vantagens quando o dispositivo se conecta a uma infraestrutura de servidor”. Mas ele afirma que não vai se contentar com isso.

“Não vamos deixar nenhum pedaço disso para a Apple. Não vamos deixar os serviços na nuvem para o consumidor, nem a inovação em hardware”, diz ele, que não nega (e nem confirma) que a Microsoft possa desenvolver um smartphone no futuro. “Vamos ver o que acontece. Temos boas parcerias com Nokia e HTC na área de smartphones”, diz.

Obviamente, falar é fácil. A Microsoft tem andado devagar, especialmente na área de produtos de consumo. Há quem fale em “década perdida” para a empresa de Redmond. Fora o Kinect, o inovador sensor para jogos do Xbox, é difícil apontar algum produto da empresa anunciado nos últimos anos que provoque entusiasmo.

O Windows Phone 8 vem sendo elogiado por ser elegante e amigável ao usuário. Mas ele não traz inovações significativas em comparação com o Android e o iOS, da Apple. Em smartphones, a Microsoft basicamente tem seguido as rivais, em vez de liderar o mercado.

Quanto ao Surface, que também vem recebendo elogios, a Microsoft pretende vendê-lo, ao menos no início, apenas em suas próprias lojas. Isso significa que serão só 26 pontos de venda, todos nos Estados Unidos. Por isso, mesmo que o Surface faça muito sucesso, o volume de vendas será relativamente pequeno.

Na entrevista à CRN, Ballmer não nega a possibilidade de parceiros da Microsoft virem a vender o Surface. Mas ele cita apenas a opção de incluir o tablet em soluções para empresas, junto com outros produtos. Parece pouco para quem fala em enfrentar a Apple.