Infográficos: Moda, Praga ou Utilidade Pública?

Bom, este vai ser um post longo – e sem infográficos!

Recentemente, dois dos principais sites ligados à Tecnologia e Design publicaram posts sobre a avalanche de infográficos que inundam a internet, e que geraram uma ampla discusão: um foi na Smashing Magazine, e o outro no Gizmodo.

No primeiro, um guest-post do pessoal da agência Killer Infographics, falando do que deve ser feito para criar infográficos virais, e que foi rebatido posteriormente pelo Nathan Yau – um dos principais nomes do meio -, que além de criticar duramente o post no seu blog, foi convidado também a “oficializar” a resposta na própria Smashing Magazine (aqui).

Já no caso do Gizmodo (que, curiosamente, até citou o Visual Loop como fonte), o tradicionalmente polêmico Jesus Diaz reclamou da quantidade de infos, e não teve tanto apoio assim, nos comentários, principalmente pelo fato do próprio Gizmodo publicar regularmente infográficos, desses mesmo que o autor critica.

Não vamos aqui traduzir os posts, nem questionar o mérito (ou falta dele), das colocações que foram expostas. Esta não é, aliás uma discussão recente, e com certeza não acabou. Em vez disso, queremos abrir espaço para que você deixe a sua opinião, da mesma forma que eu vou deixar a minha.

No primeiro post que escrevi aqui no Webholic – ainda no tempo de RWW Brasil – coloquei o título de que Existe um Infográfico sobre isso, mesmo que não tenha acontecido. Esse é também o slogan do próprio Visual Loop. E essa é realmente a realidade – não há nada que não tenha sido alvo de uma ilustração que inclua elementos como tabelas, mapas, gráficos de barras ou pizza, diagramas de venn, e por aí vai..

Graças ao Visual Loop, tenho tido um contato privilegiado com pessoas que trabalham com visualização de informação há muito tempo, como jornalistas e chefes de departamentos de infografia (no Brasil e no estrangeiro), designers e cientistas visuais, cujos trabalhos são verdadeiras aulas de como transformar informação em visualizações complexas e simultaneamente reveladoras.

Tenho também tido contato com agências que produzem infográficos com fins mais comerciais, seja para divulgar de forma alternativa produtos, estudos ou serviços, seja explicitamente para gerar tráfego (como estratégia de link bait). Recebo dezenas desses materiais diariamente, e como o Visual Loop, desde o inicio, se posicionou como um um divulgador, e não um “crítico”, publico a maioria desse conteúdo também.

Bom, tudo isto para dizer o quê?

Em primeiro lugar, os infográficos vieram para ficar, e, como tudo o que se torna popular, existem os que adotam o “Hipster Modo” de que se é popular, então é ruim. Vemos isso em todas as facetas da nossa sociedade, com particular enfase no mundo das artes – e, claro, do design.

Ainda assim, não há duvida que muitos dos infos que vemos por aí não são interessantes para todos, e são feios, mal executados, com informações erradas ou incompletas, e que, em última instância, podem causar mais confusão do que propriamente elucidar – que deveria ser, afinal, o objetivo máximo da visualização de informação.

Porém, se tem coisa que a internet nos ensinou, ao longo da sua “curta” história é que não dá para subestimar as pessoas. Ou seja, traduzindo para o contexto deste post, se um info é mau, ele não vai surtir o efeito desejado, seja ele comercial ou educacional. Ponto.

E é aí que entra a minha opinião pessoal sobre o assunto. Não sendo um designer de informação (apesar de fazer uso de gráficos, mapeamento de redes, nuvens de palavras e outras ferramentas no meu trabalho), vejo claramente uma dicotomia nesta discussão, entre os que trabalham com visualização de informação, colocando a informação em primeiro lugar, e os que fazem o inverso, colocando o design em primeiro lugar, tornando, por vezes, aquilo que era simples de visualizar em algo bem mais complicado.

Só que, meus caros, vivemos num mundo onde tem mais gente gostando do Justin Bieber do que de Mozart – ou Sonic Youth, para sermos mais contemporâneos. E se as pessoas gostam, elas reagem, elas conversam, elas visitam, elas compram. Tenho várias dessas agências que produzem infográficos desabafando, pontualmente, que nem sempre existe informação suficiente para se criar um infográfico, mas é o que o Cliente quer, e eles têm que dar os pulos deles – como em qualquer agência, não é verdade?

Olhando meio que de fora, eu acredito que esta discussão já é, por si só, uma grande evolução. Uma evolução em direção a um contexto de transmissão de informação de uma forma mais visual, mais interactiva, e mais fácil de assimilar, numa era em que a velocidade de produção e consumo da própria informação é, no minimo, bombástica. É uma discussão que com certeza agrega valor a quem trabalha na área há muitos anos – e que talvez sinta uma certa frustação ao ver trabalhos mais pobres serem reconhecidos, em deterimento dos seus – assim como a quem está começando, ou pretende se iniciar neste campo.

Mas esta é apenas a minha opinião, e agora, é a sua vez. Que comece a discussão!

0 responses to “Infográficos: Moda, Praga ou Utilidade Pública?

  1. Eu não gosto de infográfico, normalmente quando vejo que post tem infográfico eu ignoro. Eu prefiro ler texto. Agora se for um vídeo com o mesmo conteúdo do infográfico ai acho que fica legal.

  2. Gráficos já existem há décadas e o infográfico veio para facilitar a visualização dos gráficos, inserindo uma linguagem mais atrativa … Se o trabalho for bem feito ótimo, qualidade é fazer bem aquilo que se propõe a fazer, se o trabalho for mal feito #fail… Deve ter muita coisa ruim circulando por aí, mas a ferramenta, quando bem utilizada, gera conhecimento rápido e bacana! Saber fazer é ideal, como tudo na vida!

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