O Facebook e a Web Semântica

O uso crescente do RDFa, o código que é inserido no HTML de páginas para acrescentar significado, foi um dos principais temas da recente conferência Semantic Technology em São Francisco.

Talvez não exista um exemplo melhor do uso do RDFa do que o do Facebook. Conversamos com o evangelista de padrões abertos do Facebook David Recordon para sabermos mais.

Em Abril deste ano o Facebook anunciou uma nova plataforma chamada Open Graph. O objetivo declarado do protocolo Open Graph era de permitir que os administradores “integrem suas páginas no gráfico social.” Basicamente, cada página da web pode se tornar um “objeto” do grafo social do Facebook (que é o termo usado pelo Facebook de como as pessoas se conectam umas às outras em sua rede). Isso significa que as páginas podem ser referenciadas e conectadas nos perfis de usuários da rede social, em posts de blogs, resultados de buscas, no News Feed do Facebook, e mais.

O Open Graph em Poucas Palavras

O Open Graph é uma plataforma abrangente que inclui características como os botões de Like e plugins de editores. Também inclui uma marcação simples baseada em RDF. Para isso, os editores devem incluir pelo menos quatro propriedades de metadados em cada objeto: no título, no tipo, na imagem e na URL. Existem algumas propriedades adicionais que podem ser opcionalmente incluídas, como o nome do site e a descrição.

Quando o Open Graph foi anunciado, escrevemos um artigo sobre como ele afetará as vidas de editores, usuários e competidores. Foi assim que descrevemos a marcação:

“… a marcação permite que os editores divulguem o que está na página – um filme, um livro, um artista, um evento, etc. Isto automaticamente habilita a semântica, ou seja, a consciência de que o usuário não está apenas interagindo com uma página da web, mas que ele está gostando de uma parte específica do site. A semântica em seguida leva aos objetos divididos em categorias como livros, filmes, música, etc, e dá origem a todo tipo de aplicação, incluindo as recomendações personalizadas. Talvez mais importante ainda, a marcação ajuda ao Facebook a conectar os usuários com interesses em comum em diferentes sites.”

A sintaxe que o Facebook usa é bastante semelhante ao RDFa, mas não é exatamente correspondente. O Sandro Hawke da W3C (órgão de padrões oficiais da web) nos disse na semana passada que o Facebook está usando o RDFa “de uma forma abreviada e não muito boa”.

Facebook KISS (Keep it Simple Semantics – Mantenha uma semântica simples)

O Facebook está usando uma versão abreviada do RDFa para simplificar o máximo possível na implementação dele pelos editores. E a W3C ajuda, porque tem um padrão de regras chamado RIF que pode converter o código do Open Graph na versão completa do RDFa se necessário. E também porque as comunidades da W3C e da Semantic Web estão tendo diálogos produtivos com o Facebook.

Perguntamos para o evangelista de padrões abertos do Facebook, David Recordon, porque a empresa optou por não utilizar a sintaxe exata do RDFa. Ele respondeu que a simplicidade era primordial, por isso pretendiam utilizar o mínimo de propriedades possíveis.

No entanto, David disse que o código do Facebook vai realmente ajudar na adoção do RDFa. Ele acha que o RDFa vai se tornar uma tecnologia mais interessante quando mais pessoas começarem a consumi-la (pelas variações de RDFa do Facebook).

O Facebook não se expôs para apoiar a Web Semântica, acrescentou David, ele só queria o código simples que seria o mais próximo possível aos padrões abertos. Ele nos disse que o Facebook achou o “ponto certo” entre a complexidade dos padrões atuais da Web Semântica e a simplicidade exigida para as dezenas de milhares de desenvolvedores para a aplicação de “objetos” dentro de suas páginas na web.

Problemas do Open Graph

O Open Graph do Facebook tem seus problemas, e alguns deles foram devido a má aplicação das marcações feitas pelos parceiros do Facebook, mas David nos disse que grande parte deles foram corrigidos.

Talvez o maior problema seja que atualmente apenas um objeto pode ser especificado por página, o que impede a marcação semântica de vários tópicos ou pessoas em uma única página da web. Reportamos também que não há uma maneira desambiguar os objetos – portanto, se dois objetos têm o mesmo nome eles são considerados a mesma coisa pelo Facebook. Por exemplo, ‘Paris’ poderia a se referir a cidade na França ou a cidade dos EUA (também poderia ser o nome de uma socialite infame).

Pontapé Inicial da Web Semântica

Esses problemas deveriam ser eliminados, mas agora está claro que o Facebook quer que o Open Graph seja bastante simples, de forma que o maior número de editores possível o utilize. Isso é uma decisão empresarial sensata, embora signifique que estamos apenas utilizando uma versão limitada da Web Semântica, pelo menos por enquanto. Porém o apoio de grandes empresas como o Facebook, a Google e a Best Buy à Web Semântica será o bastante para o começo desta nova era web de dados mais estruturados e inteligentes.

O que você acha? O Facebook está fazendo o suficiente para suportar os padrões da Web Semântica? Não deixe de comentar!

0 responses to “O Facebook e a Web Semântica

  1. Interessante o processo. Mas acho que ainda estamos engatinhando e que dificilmente alguém vai acertar na mosca agora, logo de cara. Teremos ainda várias gerações de APIs e estruturas para representar semântica. Uma das coisas que me chama a atenção é que a discussão ainda se baseia muito na visão de uma “web semântica unificada”; eu acredito que não existe uma “web semântica”, mas que cada pessoa, cada entidade ou usuário irá criar sua própria rede e sua própria web semântica “personalizada”. Não sei se o Open Graph permitirá isso.

    Note que o Google também está nesse jogo com uma abordagem completamente diferente. Ainda teremos muita novidade!

  2. Interessante o processo. Mas acho que ainda estamos engatinhando e que dificilmente alguém vai acertar na mosca agora, logo de cara. Teremos ainda várias gerações de APIs e estruturas para representar semântica. Uma das coisas que me chama a atenção é que a discussão ainda se baseia muito na visão de uma “web semântica unificada”; eu acredito que não existe uma “web semântica”, mas que cada pessoa, cada entidade ou usuário irá criar sua própria rede e sua própria web semântica “personalizada”. Não sei se o Open Graph permitirá isso.

    Note que o Google também está nesse jogo com uma abordagem completamente diferente. Ainda teremos muita novidade!

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