O Que o Google Tem a Ver Com o Groupon?

São muitas as notícias sobre a possível aquisição do Groupon pelo Google. Os valores começaram nos 2 bilhões de dólares, e hoje atingem a marca de 6 bilhões de dólares, o que seria a maior aquisição da história do Google. Falamos aqui sobre as vantagens e desvantagens do modelo de compras coletivas, mas parece que o Google não está preocupado com isso. Entretanto, muita gente tem se perguntado: o que o Google tem a ver com o Groupon?

O objetivo desse post é atrair os nossos leitores para um debate, comentando suas visões sobre essa possível aquisição e a incorporação de um novo gigante da web. A grande dúvida está em torno do core business do Google. O Groupon é um ecommerce ou uma tech-startup? Ou apenas uma empresa de mídia, com uma forte equipe de vendas?

O Groupon é um excelente gerador de caixa, uma máquina de fazer dinheiro. A atratividade que conseguiu atingir os pequenos e médios comerciantes, mexendo também com os grandes (como no caso da GAP) e conseguiu expandir sua atuação em todo o mundo, apesar de seus copycats. E caixa o Google tem de sobra, com mais de 30 bilhões de dólares, segundo último relatório de resultados.

Agora, porque o Groupon e não outro site de compras coletivas? Porque ele é o maior não é uma boa justificativa, pensando pela inovação e produto, já que a capilaridade do Google é muito maior. A Amazon começou como ecommerce, e hoje é uma das empresas de tecnologia mais admiradas no mundo. Será que o Google está querendo frear um potencial concorrente?

O Groupon possui ainda uma equipe de vendas em contato com diferentes tipos de comerciantes. O ideal seria usar a equipe de vendas do Groupon para vender Google Apps? O conjunto de ferramentas empresariais é excelente para pequenas e médias empresas, e pode ser interessante para algumas redes de lanchonetes, spas, hotéis e outros que já anunciaram no Groupon. Ou seriam ofertas hiperlocais no Google Places? Será que é uma compra de base de consumidores?

Outro ponto positivo ainda é alavancar o Google Checkout, transacionando os milhões e milhões em cupons de desconto.

Segundo Fred Wilson, investidor e blogueiro respeitado no mundo todo, o Groupon é ótimo para o Google por ser uma forma inovadora de publicidade online. É uma rede de publicidade em seu core business, e por isso, com a escala que o Google tem, há uma ótima sinergia.

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0 responses to “O Que o Google Tem a Ver Com o Groupon?

  1. Um dos grandes desafios do Google é que o modelo de automação e crowdsourcing que a empresa adota em várias iniciativas não é tão escalável – ou pelo menos, escalável em termos de qualidade – como a empresa gostaria de admitir.

    Crowdsourcing funciona quando existe um forte incentivo para o “crowd”. A Wikipedia é um exemplo de sucesso, e que funciona com um processo de incentivo único (que os cínicos podem chamar de “exbicionismo enciclopédico”). Toda parte de “adwords” tem um forte componente de “crowdsourcing”, no sentido em que cabe aos anunciantes cuidar de toda criação de conteúdo. Mas o ambiente de comércio local não funciona tão bem assim.

    Um exemplo típico é a atualização de mapas, com referências de comércio local, indicações de direção e outros itens do tipo. A atualização da informação é lenta ou em alguns casos, inexistente. Sem um parceiro de comércio local forte, estes dados não vão aparecer nunca. Acho que a expectativa do Google era no sentido de o processo do AdWords pudesse ser levado ao comércio local, e o próprio comerciante cadastrasse seu comércio, entrasse com seu preço, seus produtos, dicas de localização, etc. Mas isso não funciona assim.

    O maior valor do Groupon talvez seja esse – ter criado uma organização de comércio local escalável. Isso envolve gente, muito mais do que o Google está acostumado a envolver. Não é automatizável, ou pelo menos não é automatizável agora, pois falta essa cultura ao mercado-alvo (pequenos lojistas, etc.).

    Um exemplo do que o Groupon está fazendo são suas novas iniciativas para aumentar escala (http://techcrunch.com/2010/12/01/groupon/). Me parece que é por aí o caminho para surgimento de um híbrido, um Groupon escalável (“mais automatizado”), ou um Google geograficamente distribuído (“mais personalizado”).

  2. Caros,

    Acrescentando nas questões complementares (é sempre possível construir sinergias), acredito que o Google se ressente de não ter continuado as negociações para compra do Twitter e de capitalização do Facebook. Viu na prática que investimentos que considerava grandes, podem produzir retornos de magnitude bem acima da prevista, como foi o caso do Android/Youtube. Então US$ 6bi pode não ser tão “exagerado” assim. Vc pode construir isso do zero (Buzz, Orkut, etc) mas não há garantia que conseguirá atingir o “momentum” necessário (nessa industria é preciso ter volume).

    Mas apesar dessas outras hipóteses serem válidas e complementares, eu acho (eu tenho uma startup de desenvolvimento para a plataforma Android) que o que está em jogo é vincular geo-localização (via Android) com a febre dos grupos de compras.

    Isso é uma mina de ouro, não tenham duvidas disso. Isso vai revolucionar a maneira como as pessoas decidem comprar, aonde comprar e como comprar.

    Abçs,
    Fernando da S. Costa

  3. Eu acho que uma perspectiva importante é a de publicidade, realmente. Se pensarmos no modelo de anúncios do Google, ele é extremamente bem sucedido, mas ainda existe uma grande oportunidade para crescimento no sentido de anúncios locais. E é aí que o Groupon pode entrar como uma peça-chave no quebra-cabeça. O Google teria de repente acesso a uma base de dados extremamente valiosa para utilizar na melhor / maior localização dos seus anúncios.

  4. É um pouco do que li no artigo da Adnews, um dono de estabelecimento não está interessado em mais visitas no site, e sim mais clientes em sua loja, ainda que pra isso ele tenha que arcar com os colaterais de promoções de cupons.

    É claro é possível investir de forma eficaz no Adwords, mas isso exige um conhecimento técnico que muitos não possuem, não pretendem possuir e não estão dispostos a pagar e nesse ponto o modelo Groupon, afinal ele traz o cliente para o offline, cabe então ao dono do negócio fidelizar esse cliente.

  5. Acho que se a Google quiser um sistema do tipo para adicionar a suas Api’s ela mesmo pode desenvolver. A Google possui a maior mídia online do mundo e os melhores programadores web do planeta. Se a Google desenvolve sua própria ferramenta do tipo eu não dou mais que 6 meses de vida ao Groupon.

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