O Que Startups Podem Aprender Com Jogos Online – Parte 2

Esta é a segunda parte do artigo “O Que Startups Podem Aprender Com Jogos Online”.  Recomendamos que você leia a primeira parte, antes de iniciar a leitura deste post.

No post anterior, explicamos a estrutura organizacional dos jogadores de World of Wacraft (WoW) e como ela se relaciona com uma startup. Neste post vamos ver o que empreendedores podem tirar de lição de um jogo completamente diferente, chamado Darkfall Online.

Assim como WoW, Darkfall é um jogo cuja estrutura organizacional dos jogadores é baseada em guildas (ou clãs).

Mas existem algumas diferenças. A principal delas é que na verdade existe uma entidade acima das guildas que é a principal responsável pelas mudanças no cenário em termos de ocupação e poder. Estas entidades são chamadas como Alianças e são na verdade conjuntos de guildas que se uniram. Prosseguindo em nossa analogia, se as guildas são Startups, estas alianças são parcerias estratégicas que uma startup pode fazer ao longo de sua trajetória.

Equipe e Recrutamento

Cada membro de guilda em Darkfall possui uma Patente. Trata-se um sistema claro de Badges criado para diferenciar um jogador de outro e reconhecer os melhores.

Estas patentes não são atribuídas diretamente pelo jogo, mas pelos líderes da guilda de acordo com a participação, experiência ou influência do jogador.

Nas melhores guildas é bastante claro para cada membro, o que deve ser alcançado para que ele consiga a próxima patente e até que patente ele pode chegar. Fica explícito o que o colaborador deve melhorar, o que deve aprender, antes de ser “promovido”. Existe um objetivo claro diante de cada jogador que o motiva a melhorar o quanto antes.

O sistema de recrutamento das guildas é bastante interessante. Na primeira fase, o candidato preenche um formulário que basicamente serve para se fazer uma triagem.

Um dos pontos interessantes do formulário é que as melhores guildas chegam a fazer perguntas para tentar descobrir se o jogador se adaptaria bem à sua cultura. Se um candidato é aprovado nesta primeira fase, ele segue para a próxima fase do processo de recrutamento, que normalmente trata-se de uma entrevista com os líderes acompanhada de um teste de campo.

Jogadores levam um novato "para passear"

Um tipo de teste campo comum, é colocar o candidato junto a veteranos e sair para o campo de batalha com o objetivo de testar suas habilidades e atitudes diante de situações desafiadoras. Mas, existem outros tipos de teste campo. Um deles é bem simples, porém é capaz de prover percepções bem diferentes.

O candidato é colocado para enfrentar o melhor membro da guilda. Se o candidato perder, talvez isto não signifique que ele será eliminado, tudo dependerá da sua performance. Mas se o candidato vencer o melhor, então a guilda acabou de descobrir um potencial Superstar.

Você já pensou sobre isto? As guildas eliminam os candidatos medianos com um teste de campo. Qual é o teste de campo da sua empresa? As provas que seus candidatos fazem testam apenas conhecimento? Ou testam também a atitude e capacidade do candidato diante de situações desafiadoras que ele irá encontrar em uma startup?

Por outro lado, pense se você pudesse reconhecer um Superstar no momento do recrutamento? E se você tivesse esta informação antes de negociar ou até mesmo entrevistar esta pessoa? Você teria uma noção bem melhor não só de quanto aquele profissional vale para sua startup, mas também que tipo de resultados ele poderá trazer.

Motivação

Para a guilda também é importante manter a satisfação de seus membros. Normalmente a saída de um deles, significa a perda de outros membros que eram próximos do primeiro, e isto pode gerar um efeito dominó e o início de um crash da guilda. Qualquer analogia com uma startup próxima ao deadpool, é mera coincidência…

Quando se tem um time pequeno de startup esta vunerabilidade é ainda maior. Perder uma ou duas pessoas pode ser um golpe forte em uma startup e quem sabe levar meses até que a empresa se recupere. E como todos nós sabemos, “meses” é tempo demais para uma startup.

Portanto, manter a motivação é crucial para o bom funcionamento da guilda, e para manter esta motivação no alto as lideranças normalmente realizam eventos internos. Existe uma variedade de eventos que as guildas costumam fazer, mas alguns deles podem ser utilizados também nas nossas organizações.

Existem eventos para integrar os membros mais novos e garantir que eles “entrem para a família” o mais rápido possível; competições (com recompensas simbólicas) para movimentar principalmente os veteranos que querem desafios maiores;  treinamentos em conjunto para dar aos membros mais novos o que eles mais querem naquele momento: se tornar bons.

Mercado e Recursos

Diferente de World of Wacraft onde o objetivo está mais voltado para aprender um processo e executá-lo com perfeição, as guildas de Darkfall se preocupam mais em “estudar o mercado” e planejar estratégias de dominação e ganho de terreno. Dominar seu setor é o objetivo.

"Marketshare" das alianças

Os jogadores criam ferramentas que os ajudam a monitorar e entender os movimentos do mercado.

Os círculos coloridos representam cidades, aldeias e fortes (em uma analogia com as startups, seriam clientes ou nichos de mercado) que podem ser dominados para produzirem recursos e enriquecerem as guildas. Os círculos de uma mesma cor, representam territórios que estão atualmente dominados por uma Aliança.

Uma aliança é um conjunto de guildas que se forma para conquistar objetivos em comum e são análogas a grandes organizações e suas respectivas aquisições ou simplesmente parcerias.

Tentar tomar ou defender um destes círculos do mapa é uma tarefa árdua. Exige muito planejamento, recursos, comunicação e capacidade de adaptação. O desafio maior de um jogador de Darkfall é ajudar sua guilda ou aliança a conquistar estes pontos.

As alianças possuem pessoas empenhadas em conseguir informações de mercado e transformar isto em inteligência competitiva. Muitas vezes isto é feito infiltrando jogadores para estudar os concorrentes e transmitir estas informações à liderança.Em outras palavras, existem membros “revirando o analytics” da concorrência, observando cada passo e acompanhando a execução de cada estratégia do adversário.

É crítico ter o máximo de conhecimento de quem são os players do “mercado” onde se quer atuar. Se uma aliança estiver tentando uma investida para ganhar terreno em determinada região, conhecer o concorrente é indispensável para dimensionar a quantidade de recursos e determinar quais parcerias deverão ser feitas para se conquistar o objetivo. E não menos importante, é saber quais parcerias o concorrente irá fazer para se defender.

Alianças usam seus recursos para construir ou adquirir ferramentas como barcos e canhões.

De fato, como em uma startup, administrar recursos em uma guilda é algo crítico. Se você criar uma estratégia onde queimará a maior parte de recursos para executá-la,pode acabar ficando descoberto e mesmo que consiga seu objetivo naquele momento, existe a possibilidade de seu terreno sofrer um ataque nos dias seguintes e você ainda não ter recursos suficientes para se defender. É similar a uma startup que queima tudo nos dois primeiros anos e se algo dá errado não tem mais fôlego para tentar reagir ou se adaptar. O risco tem que ser medido o tempo todo.

Social Media

Existe um fator muito importante que transcende o campo de batalha e que pode ser ainda mais decisivo para o sucesso da aliança do que a própria habilidade ou experiência de seus jogadores. Estamos falando de social media.

É bastante comum jogadores e guildas se promoverem através de vídeos no YouTube, WeGame e fóruns utilizados pela comunidade. Alguns destes jogadores se tornam famosos, com grande poder de influência. Esta influência permite que eles consigam vender mais serviços (atuando como mercenários por exemplo), por um preço melhor, além de conseguirem formar parcerias com mais facilidade.

Mas não são apenas os superstars da comunidade que são capazes de influenciar. A maior aliança que existiu no Darkfall, se fortaleceu e dominou quase 40% do “mercado global” utilizando-se de social media, vendendo a idéia de que dentro da aliança seus membros teriam as melhores condições para se desenvolverem. Alguns meses depois de tamanha dominação a aliança foi extinta.

Como foi possível?

É muito complicado extinguir uma entidade com tanto poder, tantos recursos e tamanho exército… no entanto isto foi feito, e adivinhem: também foi feito através de social media.

A aliança arqui-rival iniciou uma sequência de ataques de Social Media (principalmente através do YouTube e dos fóruns) que durou semanas e foi minando a imagem do adversário. A mensagem principal pregava que os membros só conseguiam vencer se estivessem em vantagem numérica desproporcional. Isto se espalhou e tocou o ego daqueles jogadores que foram aos poucos deixando o grupo. Até que chegou o momento onde a aliança estava fraca o suficiente para ser atacada e eventualmente destruída.

Mas o que isto tem a ver com sua startup?

A primeira pergunta que você deve se perguntar é se está usando social media de forma eficiente para conseguir ganhar seu mercado. Como este é um assunto quente, muita gente tem se preocupado em definir estratégias para aumentar suas vendas, ganhar credibilidade e e construir audiência através deste tipo de mídia. E isto realmente é muito importante. Mas o que normalmente passa despercebido é o fato de que a qualquer momento, sua organização pode sofrer um ataque de social media… e aí?

Sua startup está preparada para sofrer um ataque de social media? Ataques de social media podem destruir gigantes, imagine o que pode acontecer com uma startup que está acabando de colocar seu produto no mercado. Para se prevenir, sua marca deve ser monitorada freqüentemente nas principais mídias sociais e é extremamente necessário ter um planejamento para reagir caso o pior aconteça.

Dentro da sua organização, quem está monitorando as mídias sociais? Você realmente sabe o quê as pessoas estão falando de você? Você tem um plano para se defender de um destes ataques? Pense nisso.

Lições

1) Mostre o caminho para as pessoas que querem crescer na sua organização e reconheça cada avanço.
2) Elabore um “teste de campo” para ser realizado no recrutamento.
3) Trabalhe a satisfação da sua equipe.
4) Monitore bem de perto os movimentos do mercado em que você atua.
5) Conheça muito bem seus concorrentes, dimensione seus recursos e planeje-se antes de comprar a briga.
6) Administre bem os seus recursos e conheça seus riscos.
7) Conheça quem são os influenciadores do seu nicho e mais importante que isso: torne-se um.
8 ) Use social media para vender sua idéia, mas não se esqueça de monitorar sua marca e estar preparado para reagir a um possível ataque.

Conclusões

A série chega ao fim, mas acredito que é possível aprender muito com jogos online.

Como vimos no post anterior, World of Warcraft é muito focado em execução, medição e aprendizado. Atingir um objetivo é aprender o suficiente para executar o processo com perfeição.

Darkfall é um pouco diferente. Se comparado com o mundo dos negócios, Darkfall exige conhecimento de Mercado, alerta e posicionamento. Cada movimento que você ou seu concorrente fizer, pode afetar sua estratégia e você terá que estar preparado se responder e se adaptar rapidamente.

São dois jogos com características muito distintas, mas juntando os dois podemos extrair lições interessantes para nossas organizações.

E você, o que acha disto tudo? Será que é mesmo possível extrair lições de negócio de jogos como estes? Sua organização já prática alguma destas lições? Queremos conhecer suas idéias!

0 responses to “O Que Startups Podem Aprender Com Jogos Online – Parte 2

  1. Eu sinceramente não botei muita fé no primeiro post. Mas essa segunda parte, achei incrivel a analogia, a relação com a organização das pessoas em uma startup faz muito sentido. Principalmente por que no caso do jogo a linha que difere o cara que exerce a liderança para os liderados é muito tênue.
    Caso similar a de uma startup, em que os empregados no geral também pensam em ter sua própria startup no futuro.

    E a auto-organização de um clã nesses jogos é ainda mais incrivel. A motivação é exclusivamente a diversão.
    O bem-estar do funcionário no dia-a-dia é fundamental pro seu engajamento (vestir a camisa mesmo) e pra sua performance dentro de uma startup.

  2. Eu sinceramente não botei muita fé no primeiro post. Mas essa segunda parte, achei incrivel a analogia, a relação com a organização das pessoas em uma startup faz muito sentido. Principalmente por que no caso do jogo a linha que difere o cara que exerce a liderança para os liderados é muito tênue.
    Caso similar a de uma startup, em que os empregados no geral também pensam em ter sua própria startup no futuro.

    E a auto-organização de um clã nesses jogos é ainda mais incrivel. A motivação é exclusivamente a diversão.
    O bem-estar do funcionário no dia-a-dia é fundamental pro seu engajamento (vestir a camisa mesmo) e pra sua performance dentro de uma startup.

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