Recentemente, a Google lançou a tão aguardada atualização do Android Market, uma versão que agora oferece aos consumidores a habilidade de navegar e buscar pelos aplicativos móveis de seu desktop e então baixar esses aplicativos para seu celular ou tablet através do wireless. A experiência é uma grande melhoria sobre a versão anterior do Android Market que, curiosamente, nem oferecia a funcionalidade de busca.

Mas apesar dos recursos principais terem chamado a atenção da imprensa, também houve mudanças importantes para os desenvolvedores ficarem espertos: foi adicionado o suporte a outras formas de pagamento e também a capacidade de compras in-app.

Compras In-App

A Google já estava prometendo esta funcionalidade há algum tempo, mas finalmente anunciou, juntamente com a nova versão do Android Market. Isso significa que os desenvolvedores que querem monetizar seus aplicativos usando um paradigma diferente do que simplesmente cobrar pelo próprio aplicativo, agora podem fazê-lo. Isso dará origem a uma série de novos modelos de negócios para a monetização de aplicativos, incluindo atualizações in-app, compras de bens virtuais, testar e então comprar atualizações, assinaturas e mais.

Esta é sem dúvida a mudança mais importante de todas as anunciadas, já que a experiência da web não prejudicou o crescimento explosivo do Android. O que vem afetando o potencial do Android é a falta de vendas de aplicativos – isso de acordo com o gerente da plataforma Android Eric Chu. Inclusive, na Social Apps Conference em São Francisco ele admitiu que a Google continuava insatisfeita com as compras de aplicativos pagos do seu marketplace.

Mas as compras in-app têm o potencial de sacudir o mercado. Na verdade, de acordo com um recente relatório da empresa de análise e cobranças Bango, as compras in-app vão crescer mais de 600% neste ano, representando num futuro próximo 30% de todos pagamentos de aplicativos móveis.

Além disso, outro relatório da empresa de análise Flurry notou que as compras in-app representaram 80% das receitas geradas pelos desenvolvedores móveis com aplicativos nas categorias redes sociais e dos games sociais.

Antes do suporte oficial da Google, as empresas de pagamentos móveis como a Zong e a Boku vinham oferecendo soluções semelhantes para desenvolvedores que não podiam esperar pela Google. Essas alternativas continuarão sendo úteis, principalmente para os desenvolvedores limitados pela versão do faturamento in-app da Google – que requer uma conta específica do Google Checkout e também a versão mais recente do aplicativo Android Market com um dispositivo Android 2.3 ou superior. E, ainda por cima, não pode ser usada para vendas de bens físicos, nem para serviços pessoais ou qualquer atividade que requeira uma entrega física.

O suporte para cobranças in-app da Google não está disponível imediatamente. Em vez disso, a empresa vai soltar atualizações para o cliente do Android Market para que os desenvolvedores possam começar os testes com o novo serviço. O objetivo é ter o serviço pronto para os usuários finais até o final do semestre. Leia mais sobre essa opção aqui, ou sobre as informações do lançamento aqui.

Buyer’s Currency Changes

Outra mudança nas opções de faturamento do Android Market é o novo suporte da nova ferramenta Buyer’s Currency. O que significa que os desenvolvedores podem colocar o preço em seus aplicativos de forma diferente em diversos mercados e, ao mesmo tempo, melhorar a experiência do usuário final exibindo preços na moeda de onde ele se encontra.

Você já deve ter notado que os aplicativos pagos são indicados por este símbolo “~” – o que significa “aproximadamente.” Devido às conversões de moedas, os preços ficam um tanto estranhos, como ~US$3,17 (o preço do popular aplicativo ADW) ou ~US$2,06 (o preço do aplicativo Beautiful Widgets). Com o suporte ao Buyer’s Currency, os desenvolvedores podem fazer com que os preços dos aplicativos fiquem mais atraentes para os consumidores aderindo às denominações de varejo que estamos acostumados – por exemplo, no Brasil, com preços que terminam em 99 centavos (adoramos um R$1,99, R$ 2,99).

Essa opção será lançada primeiro para os desenvolvedores do EUA, em seguida outros países. A Google diz que espera que o processo seja concluído em quatro meses.