O Twitter e a Crise do RJ. Onde Chegaram as Mídias Sociais?

Todos acompanharam a luta contra a violência e o tráfico durante os últimos dias, a subida da policia nas favelas do Rio e, infelizmente, também acompanhamos as respostas dos traficantes à ocupação. A população também não ficou para trás, tendo ajudado como pode com denúncias anônimas e manifestações nas mídias sociais visando ajudar na ocupação dos policiais.

Para ajudar vale tudo, principalmente utilizar o Twitter. A BBC escreveu sobre Rene Silva, um adolescente morador de uma das favelas que utilizou a rede social como uma ferramenta para descrever ao vivo o que acontecia durante a ação policial.

Sua conta, a @vozdacomunidade não postava apenas observações sobre a subida das autoridades, Rene conseguiu utilizar um celular que filmava para transmitir ao vivo os ataques. Rene já fazia o serviço de repórter antes mesmo do Twitter, Voz da Comunidade é o nome do jornal local que ele mesmo começou quando tinha apenas 11 anos de idade. O adolescente já foi entrevistado por algumas emissoras e sua conta do Twitter já conta com mais de 30.000 seguidores, além disso, ocupa a posição de número 509 (do Brasil) no TweetRank, serviço que rankeia as contas do Twitter. Veja como foi o aumento de seguidores em três dias, do dia 28/11 ate o dia 30/11.

Durante a semana passada acompanhamos com imagens e análises de vários tipos de críticos e profissionais como jornalistas, sociólogos, antropologistas, mas uma coisa estava faltando, o ponto de vista dos moradores que conviviam com a violência e o domínio dos traficantes. Graças ao Twitter, Rene quebrou a barreira das publicações tradicionais,  e mostrou que todos podem ter sua própria voz e fazer com que, eventualmente, a verdade seja dita.

Temos também o caso de uso de alguns policiais cariocas que aproveitaram o momento para utilizar o serviço para denunciar a corrupção de seus colegas de trabalho, os erros de superiores e reclamar dos salários baixos. É a conta do Twitter @bocadesabao (uma gíria policial que significa fofoqueiro), gerenciada por 10 policiais que divulgam dados de informantes do setor de inteligência e de comandantes do alto escalão.

A conta, segundo um dos policias, tem o intuito de dar voz aos policiais que não tinham “meios para se queixarem da corrupção de seus superiores. Os canais legítimos, como a corregedoria, também estavam loteados ou sob a influência de comandantes corruptos.” Segundo ele agora as pessoas têm receio em fazer algo errado e serem mencionados pela conta do serviço de micro-blogging.

Os 10 policiais possuem agora mais de 5.000 seguidores e não pretendem ampliar sua atuação nas redes sociais, porque poderiam comprometer seu anonimato. Veja abaixo como subiu o número de seguidores da conta, após os últimos eventos no RJ.

Pegando carona no assunto de corrupção, vimos em alguns jornais das principais redes de notícias que alguns moradores reclamaram das revistas dos policiais, dizendo que estão quebrando seus pertences em suas casas e lojas. Em um vídeo do YouTube um morador mostra como ficou sua casa e diz que foi roubado pelos policiais.

O Twitter com seu poder de publicação continua surpreendendo, sendo na cobertura de eventos e desastres e até mesmo para denunciar a corrupção policial, ele realmente está em todas, tornando a comunicação cada vez mais transparente.

Será que qualquer um vai continuar podendo fazer este uso, ou o Twitter vai virar apenas mais uma ferramenta para os grupos de mídia? Será que a manifestação do indivíduo nestas ferramentas realmente ecoa?  Nós queremos saber. Deixe sua opinião nos comentários!

0 responses to “O Twitter e a Crise do RJ. Onde Chegaram as Mídias Sociais?

  1. Tudo o que for para revelar os fatos ocorridos é válido. Mas o tratamento das informações só pode ser realizado por profissionais do jornalismo.Uma coisa é a informação outra é a notícia. As redes sociais e outras ferramentas só vieram acrescentar ao valoroso trabalho desta profissão.Como jornalista gosto muito disto.

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