RWW Entrevista: Empreendedorismo Feminino com Elisa Balabram

Falar de empreendedorismo no Brasil já virou rotina, seja através de blogs, séries com dicas para empreendedores ou através de eventos regionais, que têm tido uma excelente repercussão.

Porém, nesse amplo tema empreendedorismo, existe uma derivação pouco abordada e que merece grande destaque: o empreendedorismo feminino. É baseado nessa vertente que a pesquisadora Elisa Balabram, mineira, há 10 anos nos Estados Unidos, lançou recentemente o livro Ask Others, Trust Yourself: The Entrepreneurial Woman’s Key to Success.  O livro traz ensinamentos para a mulher empreendedora, em quando, como e onde buscar ajuda para seus desafios, mas principalmente acreditar em si mesmas, sempre levando em consideração suas intuições.

Engenheira civil, com MBA em Empreendedorismo (Entrepreneurship Management) pela Baruch College – City University of New York, Elisa é fundadora e editora da revista online Women and Biz Magazine desde 2003 e  trabalha em uma ONG que dá consultoria para pequenos e médios empresários em Nova York.

Entrando de cabeça neste tema, o ReadWriteWeb tupiniquim entrevistou a autora, mentora e pesquisadora, eleita em 2008 a mulher do ano em administração de pequenas empresas do distrito de Nova York.

RWWBR: De onde surgiu a sua iniciativa do livro Ask Others, Trust Yourself: The Entrepreneurial Woman’s Key to Success e de tratar sobre empreendedorismo feminino?

Elisa: Eu dou consultoria para micro e pequenas empresas através da ONG onde eu trabalho, e tenho feito isso há quase 6 anos. Muitas clientes comentam que ainda não encontraram pessoas que acham que a idéia delas pode dar certo, e por isso não começaram um negócio. Com a minha experiência começando e desenvolvendo o meu site Womenandbiz.com, e também quando trabalhava na Fany Bombons (antes de mudar para Nova York), eu aprendi muito sobre a importância de se pedir ajuda para crescer o negócio. Mas ainda mais importante é saber em quem confiar, quando pedir ajuda, como pedir e principalmente confiar em si mesma antes de agir.

RWWBR: Você mantém uma revista eletrônica, a WomenandBiz, voltada para mulheres. No Brasil. um case de bastante sucesso é o Bolsa de Mulher, que tem crescido e adquirido grande parte de seus concorrentes. O público feminino, especialmente na área de tecnologia, tem dado um bom retorno?

O Bolsa de Mulher é bem interessante e mais completo, cobrindo assuntos gerais. Quando eu comecei a publicar o site WomenandBiz.com em 2003, não havia tantos sites para mulheres de negócios como há hoje. WomenandBiz.com é mais específico e cobre assuntos relevantes para pessoas que querem começar ou fazer crescer um negócio. Eu acho que escolher um nicho e mantê-lo, oferecendo artigos de qualidade, fazem a diferença.

RWWBR: Em uma entrevista para o livro Startup, de Jessica Livingston, a fundadora do Flickr, Caterina Fake, comenta que sofreu preconceito por parte de investidores e outros empreendedores por ser mulher. São muitos esses casos?

Com certeza, apesar de a tendência apresentar uma mudança positiva. Um exemplo é a empresa Springboard Enterprises, uma ONG estabelecida em 2000 e que oferece suporte, consultoria e acesso a investidores, e já ajudou empresas de mulheres a arrecadarem 5 bilhões de dólares, incluindo investimentos, prêmios e outras ajudas estratégicas. Por outro lado, não existem ainda muitas mulheres em posições executivas em empresas de investimento. De acordo com um estudo realizado em 2004 pela Kauffman Foundation, muitas mulheres que estavam trabalhando em firmas de Venture Capital (VCs) em 1995 não estavam mais em 2000, e no geral, não existem muitas modelos para outras mulheres seguirem. Outro aspecto muito importante é o networking, e talvez os homens tenham mais acesso aos VCs que as mulheres por causa disso.

RWWBR: Se o número de empreendedoras é pequeno, é ainda menor o número de VCs do sexo feminino. Por que as mulheres ainda não estão neste mercado?

Uma das razões que o mesmo estudo da Kauffman Foundation apresenta, é que normalmente quem comanda as VCs são engenheiros, bio-tecnológos ou físicos, que são indústrias tradicionalmente dominadas por homens. Hoje em dia, há mais mulheres entrando nessas indústrias, porém até que muitas delas se estabeleçam, conquistem o mercado e criem relacionamentos, a situação não deve mudar muito.

RWWBR: Conforme falamos, você trabalha emu ma ONG que dá consultoria para pequenos e médios empresários e está localizada em Nova York. Algumas polêmicas apareceram nas últimas semanas sobre a necessidade de se estar no Vale do Silício para se ter sucesso com o negócio. Você concorda?

Eu não cheguei a ler sobre o assunto, mas acredito que o sucesso de uma empresa é determinado por muitos fatores. Claro que um deles é a localização, mas também é necessário ter um nicho específico; ter produtos de qualidade; ter uma posição de mercado bem definida (marca, preços posicionados de acordo com o brand, marketing em geral); ter um excelente serviço ao consumidor; ter algum tipo de relacionamento com o consumidor (através de newsletters, direct mailing, ou social media como Twitter, Facebook etc.); estar sempre atento às mudanças políticas, econômicas e sociais; e tomar decisões rápidas e eficientes para evitar o pior. Com certeza, eu não poderia deixar de mencionar capital, e provavelmente empresas no Vale do Silício podem ter mais acesso a VCs que em outros lugares, porém com o crescimento da internet, o mundo está muito pequeno e é possível ter acesso a vários recursos, mesmo estando longe.

Quem quiser entrar em contato com a Elisa Balabram, clique aqui ou pelo twitter via @womenandbiz.

0 responses to “RWW Entrevista: Empreendedorismo Feminino com Elisa Balabram

  1. Parabéns por mostrar que nós mulheres somos capazes de vencer barreiras e atingir o sucesso no campo do empreendedorismo.Parabéns tambem a todos que participaram desta entrevista, amei, excelente.

  2. Excelente exemplo de empreendedorismo do Sec.XXI, principalmente por mulheres brilhantes, lutadoras e das MINAS GERAIS,uai so!!!
    Abrilhantado pelo entrevistador!

    6o

  3. Elisa é um prazer poder apresentar a atuação dos brasileiros fora do país, não apenas isso, mas também pessoas que respiram empreendedorismo.
    Sempre que tiver novidades, o @rwwbr é um espaço aberto para seus trabalhos!

  4. Elisa é um prazer poder apresentar a atuação dos brasileiros fora do país, não apenas isso, mas também pessoas que respiram empreendedorismo.
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