RWW Entrevista: Marcelo Macedo, Fundador do ClickOn

Na terça feira, dia 25 deste mês, a startup ClickOn anunciou uma rodada de investimento de 17 milhões de reais, liderada por investidores alemães. É um grande e surpreendente case de investimento pois a empresa que nasceu em 2010, disputa um segmento onde ao menos 5 players tentam ocupar o espaço de Groupon brasileiro. A empresa já comemora seus primeiros resultados e na data da entrevista já tinha vendido mais de 800 unidades da promoção do dia, ingressos para um espetáculo circense em São Paulo.


Conversamos com Marcelo Macedo, CEO do ClickOn e você confere abaixo a entrevista exclusiva para o ReadWriteWeb Brasil.

RWW: Olá Marcelo, tudo bem? Primeiramente é um prazer conversar com você e gostaríamos de parabenizá-lo pelo investimento levantado para o ClickOn. Gostaríamos de saber como surgiu a ideia do ClickOn… Como foi o processo desde a implementação, até o início da operação?

A ideia surgiu em dezembro do ano passado, de (hoje) um dos nossos investidores. Ele ligou e disse “Marcelo, estou aqui nos Estados Unidos, vendo um modelo que tem a sua cara, é algo que pode ser bacana para fazermos juntos”. Fiquei animado, e conseguimos analisar a ideia com mais calma no começo de Janeiro deste ano, já mirando a referência deste mercado, que é o Groupon. A história é interessante, pois minha primeira impressão foi “Não sei se isso vai funcionar no Brasil”.  Compras em grupo, cupons ainda não eram algo muito claro para nós. É curioso pois fui dormir com esta impressão e acordei no dia seguinte e com calma percebi o quanto era interessante para o usuário ter alguém mostrando coisas diferentes para se fazer na cidade, a um preço bacana. A proposta é um misto de seleção editorial de ofertas com super descontos para os usuários e uma ferramenta de exposição e aquisição de clientes para os estabelecimentos. Aqui usamos sempre a analogia que somos o Google do mundo real, pois tiramos os clientes da internet e os levamos direto ao ponto de venda. Quando o conceito ficou claro, decidimos seguir em frente e a pessoa que me procurou recebeu uma ligação de outros sócios, falando: “Estamos pensando em montar este modelo no Brasil”. Foi aí que fui apresentado aos nossos investidores alemães e em meados de fevereiro chegamos a um acerto e definimos quando começar e com quanto investimento começar. Daí, em apenas 2 meses, conseguimos colocar o site no ar.

RWW: Então poderíamos dizer que o investimento estava costurado antes de a ideia estar no mercado? Vocês já estavam preparados para escalar rápido?

Estávamos preparados para ter ao menos um comprometimento inicial. O volume de recursos não era exatamente o que temos hoje, mas tinhamos um “colchão”, antes de juntar o time de fato, e começar a trabalhar.

RWW: Hoje estamos vivendo no Brasil uma febre. O modelo começa a ganhar tração, nos últimos 2 meses surgiram 5 players e agora vocês levantaram este investimento para alavancar o produto. O que você espera do mercado, e quais suas perspectivas com relação à competitividade do setor?

Sua pergunta tem um viés, sobre o que vem primeiro, se é  o ovo, ou a galinha. Na minha percepção, o ClickOn nasceu estruturado por conta do comprometimento de investimento. Por ele ter nascido estruturado, ele pegou a tração, de uma forma diferente dos outros players que estamos vendo, na minha opinião ele é diferenciado, inclusive em termos de layout e tecnologia.E hoje, me arrisco a dizer, líder neste mercado.Se formos olhar medir a audiência em ferramentas de comparação, os sites que saíram na mesma semana que nós, ou uma semana antes, eles não tem a menor relevância perto da gente hoje. Temos uma base de usuários provada e a única coisa que ainda estamos “calibrando” é a questão da oferta. Sempre nos supreendemos com o sucesso das ofertas que escolhemos.

RWW: Ainda sobre o investimento, quais os planos para expansão? Pode compartilhar alguns planos para o produto?

Temos um plano estratégico, mas o principal será continuar investindo em uma equipe de ponta, e hoje com o mercado de trabalho aquecido, conseguimos competir com empresas estabelecidas, o investimento nos dá esta condição. E também estamos direcionando recursos para expansão da base para outras cidades.

RWW: Estamos vivendo um momento bastante interessante paras as Startups web brasileiras. Recentemente tivemos o investimento na BrandsClub, a aquisição do Buscapé, e tem muita coisa acontecendo. O que você acha deste momento? Quais oportunidades você enxerga?

Eu parei para pensar muito sobre isso antes de começar o ClickOn. Conversei com vários colegas, investidores e tive oportunidade de conversar com pessoas de outros países. Eu acredito que existe uma oportunidade muito grande hoje, para modelos já provados nos Estados Unidos. Nosso caso não é diferente disso, o Groupon está estabelecido e provado lá e havia a oportunidade de trazer este modelo. Aí caímos também na questão que você levantou antes. Um monte de gente trazendo, quem vai sobreviver, quem não vai e assim por diante.

Eu não tenho olhado para isso agora, estou super focado no nosso, mas quaisquer outros modelos que tenham estas características, ou seja, deu certo nos Estados Unidos em 16 a 24 meses, tem espaço no Brasil. É uma questão de garimpar e achar o mercado

RWW: Também temos percebido estas oportunidades. Tem uma série de fenômenos acontecendo lá fora e muitos deles podem funcionar aqui. Temos agora uma geração que garimpa estes modelos provados e tenta trazê-los para o nosso mercado. Pode deixar alguma dica ou lição aprendida para o empreendedor que identifica uma oportunidade lá fora e quer trazer para o Brasil?

O principal é fazer uma boa análise da oportunidade e montar um grande time. Um grande time é composto de sócios investidores e sócios executivos provados. Eu tenho um pouco de receio de coisas que já vi por aí. Não é um exemplo específico, mas tem pessoas que vão para os Estados Unidos, fazem um MBA, vêem um modelo bonito lá, fazem um Business Plan para chegar aqui e montar isso de cara. Eu acho importante ter gente experiente na sua equipe e investidores ou um mínimo de fôlego financeiro para se aventurar.

RWW: Muito Obrigado Marcelo, boa sorte com o ClickOn.

0 responses to “RWW Entrevista: Marcelo Macedo, Fundador do ClickOn

  1. Parabéns pela entrevista Diego!
    Negócios como o GroupOn são uma prova de que, mesmo o produto fim não seja Web-based, a Internet abriu uma série de oportunidades de inovação em tudo que é mercado.

    Acho que nesse caso específico do que se propõe o ClickOn (e pela característica de “o vencedor leva tudo” desse mercado), fez muito sentido o planejamento prévio e a grande captação de recursos antes mesmo de se ter algo no ar. Mas em geral, isso não se aplica para a maioria das Startups, ou seja, a recomendação final do Marcelo deve ser relevada para o contexto do produto dele. Para o resto, é mais importante iterar rápido e “descobrir” o mercado, mesmo sem investimento ou com uma equipe ainda não-provada.

    E por falar em inovação, a parte final da entrevista me fez lembrar do post e da discussão sobre inovação no blog da Aceleradora:
    http://aceleradora.net/blog/2010/03/09/startups
    Concordo plenamente que vários modelos que deram certo nos EUA nessa janela de 2 anos tem plenas condições de dar certo aqui.

    Abs!
    @ericnsantos

  2. Olá Eric, tudo bem?
    Concordo com você, no caso de modelos “provados” o investimento e o plano de expansão rápida são muito importantes. Nestes casos o customer discovery e customer validation já foram, em tese, saltados. Como (quase) disse o Steve Blank na SLLconf, é um momento em que os executivos assumem e os empreendedores abrem um boliche.

  3. Sobre o ponto de inovação, concordo, e os cases de “localização de oportunidades” tem se mostrado bastante interessantes para negócios onde tecnologia é commodity, vide Groupon. Eu ousaria dizer que hoje no Brasil é mais fácil levantar capital para um modelo “provado” que para um modelo inovador.

  4. Oi Diego,
    No caso deles fez sentido sim, mas ainda assim não são todos os modelos “provados” que exigem investimento, até porque ainda há o desafio da adaptação ao contexto brasileiro.
    Talvez uma grande parte dos empreendimentos até exija dinheiro para escalar, mas dá para o empreendedor provar o modelo em micro-escala antes de correr atrás dessa grana maior.
    Abs!

  5. Assim não vale, porque ajuda a provar meu ponto anterior: o investidor quer retorno pro capital investido, mesmo que isso não venha de uma inovação. Teletransportar a inovação estrangeira para o mercado local não é inovar, mas foi a fórmula de sucesso para muitos negócios brasileiros recentes. Podem não ser os melhores deals ou não ter retorno exponencial, mas é possível ter deals viáveis clonando idéias de fora aliadas a boas estratégia de execução.

    Como não sei a composição de gastos do aporte da ClickOn, fica difícil dar uma opinião mais concreta. Mesmo assim, eu negociaria uma compra rápida do CityBest e Peixe Urbano para a) garantir uma atuação local focada, e b) acelerar a contratação e formação de equipe. Uma outra dica é passar a receber pagamentos via MoIP, porque lá está bem mais fácil converter novos pagantes do que no PagSeguro (experiência de startups da Aceleradora).

    Uma outra evidência com o caso do ClickOn é que networking é tudo para se conseguir capital. Infelizmente o empreendedor brasileiro ainda não vai pro boteco com o investidor brasileiro, mas estamos fazendo nossa parte pra isso… A propósito, o próximo http://startupmeetup.com.br será no início de junho em SP.

  6. No post anterior sobre os “Groupons Brasileiros” perguntei em como as startups mencionadas diferenciavam-se. Todas eram muito iguais.

    Agora, com 17 milhões em caixa, as coisas vão ficar um pouco mais fáceis para que isto aconteça! 🙂

  7. Yuri, discordo, acho meio difícil comprar o peixeurbano que fatura muito mais(vide suas ofertas recentes), foi lançado antes e recebeu toda a atenção da mídia. Sem contar que o peixeurbano já está em duas cidades e muito em breve vai chegar a outras capitais.

  8. Comparação interessante: De acordo com o CrunchBase (http://www.crunchbase.com/company/groupon), o Groupon levantou $1M de angels e $ 6.8M no Series A. É menos que esse primeiro round do ClickOn. Obviamente as valuations são diferentes e provavelmente o percentual que ficou na mão dos investidores do ClickOn é bem maior que no caso do GroupOn, mas ainda assim não deixa de ser um investimento impressionante, ainda mais pelas diferenças de tamanho entre os mercados brasileiro e americano. Boa sorte para vocês e pros investidores 🙂

  9. Diego,

    Concordo que na teoria, deveria ser mais fácil conseguir investimento para modelos provados no exterior, afinal de contas o risco é bem menor. Mas é comum ouvir no mercado que os fundos no Brasil ainda preferem segurar o capital à espera de um “novo google”. O ClickOn por exemplo foi investido por alemães. Queria ver um fundo Brasileiro fazer isto.

  10. Concordo com o Sana sobre o valuation. Não vou tentar confirmar essas teorias, mas elas são:
    1. Tem mais coisa por aí do que foi anunciado (ex: mais sub-projetos compartilhando o mesmo aporte)
    2. A disponibilidade de capital dos alemães facilita um valuation maior, considerando o custo de oportunidade baixo (R$ 17M = EU$ 7.6… catiquinho de nada)
    3. Estamos mexendo com gente grande (Hommels, Jung, Humberg), e pode existir uma hidden agenda por trás disso tudo… (ex: ClickOn já estar em negociação para ser parte do Groupon, etc)

    Mas vamos esperar o movimento do Peixe Urbano – quem sabe ele está com um funding que ainda não tirou da cartola? 🙂

  11. Depois que o Soluto recebeu 8 milhões de dólares, eu estou acreditando em tudo. Tá… 17 milhões realmente não é um valor assim… tão confiável… Independente do valor, eles já estão de parabéns. Conseguiram um investimento em um país tão “keep the faith”.

  12. Eu tenho uma teoria sobre releases de investimento, acho que todo mundo dobra o valor para assustar a concorrência. Já vi isso em alguns investimentos aqui no Brasil. Se é este o caso, nunca saberemos.

  13. Empresas fechadas não precisam respeitar a publicação de valores verdadeiros, mas dizer que os caras maquiaram o valor é pesado 🙂

  14. Entender eu entendo, mas não concordo 100%
    O fato do goupon ter dinheiro liga o alerta para os concorrentes que estão a frente para que não parem de crescer, mas nem sempre só dinheiro resolve a vida de uma startup, tome como exemplo(brasuca) a power.com, huge fail, receberam muito mais que esses 17 milhões e nada, nunca tiveram perto de ganhar dinheiro, sempre perdendo, chega um momento que fica complicado conseguir mais dinheiro de investidores. Claro que tem que estar ligado, mas daí a achar que vão te comprar é um exagero na minha humilde opinião.

  15. O cara é mega nariz empinado. Não combina com alguém que administra um site cuja proposta é unir pessoas por um propósito maior. Pra mim é mais um ex banqueiro que quer tirar dinheiro da galera. Eu sou muito mais o WeGo! e o Peixe.

  16. Dinheiro de sobra nunca foi garantia de sucesso. Gerenciar um aporte como esse, gasta-lo da forma correta é tão difícil quanto colocar uma nova empresa sem capital de investimento num cashflow positivo. Alias, a falta de capital no começo da empresa é o fator que faz com que elas descubram o caminho da receita saudável, o que garante o sucesso no futuro. Como muito bem lembrado por você, está ai a Power.com que não me deixa mentir. Isso se repete com frequencia no mercado.

    Esse aporte do ClickOn pode significar o fracasso ou o sucesso, lá na frente, de um dos seus concorrentes, dependendo de como isso for gerenciado. Me preocupa (ou não) o fato de uma startup web based como essas estar sendo gerida por alguém do mercado financeiro. Ele pode saber tudo de finanças e gestão corporativa, mas saber tocar uma startup? Veremos.

  17. Dinheiro de sobra nunca foi garantia de sucesso. Gerenciar um aporte como esse, gasta-lo da forma correta é tão difícil quanto colocar uma nova empresa sem capital de investimento num cashflow positivo. Alias, a falta de capital no começo da empresa é o fator que faz com que elas descubram o caminho da receita saudável, o que garante o sucesso no futuro. Como muito bem lembrado por você, está ai a Power.com que não me deixa mentir. Isso se repete com frequencia no mercado.

    Esse aporte do ClickOn pode significar o fracasso ou o sucesso, lá na frente, de um dos seus concorrentes, dependendo de como isso for gerenciado. Me preocupa (ou não) o fato de uma startup web based como essas estar sendo gerida por alguém do mercado financeiro. Ele pode saber tudo de finanças e gestão corporativa, mas saber tocar uma startup? Veremos.

  18. Sinceramente um almofadinha se metendo em start-ups !?!?!! Esse cara não tem o perfil…start-up´s começam em garagens…”from scratch” e não com um almofadinha engravatado levantando alguns milhões para iniciar algo!
    Da proxima vez tira pelo menos o terno p falar essas baboseiras

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