Entrevista: Mentaway, Mês dos Brasileiros no TechCrunch

A Mentaway é uma startup brasileira com o objetivo de gravar e organizar tudo que você faz quando você viaja baseado nas API’s dos serviços de geolocalização. Conversamos com Gisele Müller, uma das fundadoras da empresa e você pode seguí-la no Twitter aqui.
RWW: Como surgiu a ideia do Mentaway? A quanto tempo estão desenvolvendo o app, pode nos contar um pouco da história?

A ideia do Mentaway surgiu a partir de uma necessidade nossa, adoramos criar produtos que solucionem os nossos problemas, usando aquela ideia de que se é bom para nós é bom para mais alguém.

Gostamos bastante de viajar e adoramos tecnologia, então pensamos em unir os dois para criar algo que facilitasse a vida do pessoal que gostar de viajar e que não vai a lugar nenhum sem um smart phone. Desde o começo a ideia foi criar algo diferente, que não fosse apenas mais uma rede social para o cara preencher, a ideia era criar algo automatizado que usasse informações geo localizadas de outros serviços – como Twitter, Foursquare, Flickr, etc – para criar um mapa, um conceito de trip, algo fácil de compartilhar com os amigos e que organizasse as informações de uma viagem em um lugar só.

Quando começamos a falar da ideia, em agosto, estávamos nos preparando para viajar para os Estados Unidos para passar dois meses na California, então pensamos que essa seria a oportunidade ideal para dar um gás no serviço e fazer uma versão beta para poder testar a ideia na viagem e fazer alguns contatos nos Estados Unidos.

RWW:  Nas últimas 2 semanas, tivemos 2 startups brasileiras com destaque no TechCrunch, será que é o início de uma tendência? Como conseguiram aparecer por lá?

Acredito que o pessoal nos Estados Unidos está abrindo cada vez mais os olhos para as ideias de outros lugares. Estão vendo que não são apenas estudantes da MIT, Harvard e Stanford que tem boas ideias… estão percebendo que nas garagens de muitos lugares por aí tem gente boa desenvolvendo ideais muito legais.

A história de como saímos do TechCrunch é bem bacana. Mandamos um email para eles, para o famoso email das dicas, e falamos sobre o serviço, sobre a ideia e sobre a frustração de ter sido rejeitado no programa de investimentos da YC. Comentei que depois de umas doses de whisky para esquecer a rejeição estávamos de volta trabalhando na app e íamos lançar com ou sem ajuda da YC. Para minha total surpresa recebi uma resposta do próprio Michael Arrington dizendo que tinha gostado da ideia. Depois disso foi só alegria.

RWW: Percebemos que vocês se candidataram para a incubadora mais legal dos EUA, o Y! Combinator. Como foi o processo? Como vocês se sentiram por não terem sido escolhidos?

Logo que chegamos nos Estados Unidos, no final de setembro, estávamos focados em trabalhar no serviço para finalizar uma versão beta para usuários o quanto antes. Nós dois, eu e o Eduardo, já estávamos com uma versão básica para testar, mas estávamos preocupados em desenvolver algo para mostrar ao público. Até esse momento não havíamos pensado na opção de tentar algum investimento externo, até porque em outros projetos – Refilmagem, Openjobs, Sixbox –  nossos e da Zee, onde o Eduardo é sócio, sempre fizemos tudo na base do bootstraping.

Percebemos que para deixar o serviço do jeito que gostaríamos, precisaríamos de alguém que pudesse se dedicar 100% ao projeto, nos ajudando com design, UI, UX em tempo integral. Com isso começamos a pesquisar quais eram as opções e lembramos da YC, que oferece não apenas o investimento inicial – que na verdade nem é o mais importante visto que o cara ganha um investimento de no máximo US$ 18.000,00 e precisa ir para São Francisco por três meses para participar do programa – mas oferece a oportunidade de te apresentar para pessoas da área que possam ajudar, te apresentam para contatos importantes, para ‘os caras’ do Vale do Silício.

Nos inscrevemos para o programa de inverno deles no dia 07/10 e ficamos na maior ansiedade até o dia 02/11 aguardando a resposta de quem iria para SF fazer o pitch para eles escolherem quem iria mesmo participar do programa, que começa em Janeiro de 2011. Para nossa total decepção, não fomos escolhidos. Na hora que recebemos o email de rejeição ficamos bem chateados, decepcionados, meio perdidos, achando que quem sabe a ideia não era mesmo tão boa, que precisávamos trabalhar muito mais nela para mostrar para alguém e tal. Depois das doses de whisky para relaxar resolvemos voltar ao gás de antes e lançar a app, mesmo em uma fase inicial para ver a opinião do pessoal, e essa foi uma escolha muito boa.

Foi aí que entrou o artigo do TechCrunch e recuperou de vez nossa animação. Ser reconhecido por um site desse porte dá muita força para o cara tocar o projeto.

RWW: Também se candidataram para outros programas, como o TechStars? Conte-nos um pouco dos planos para desenvolvimento da empresa.

Ainda estamos pensando em nos inscrever no TechStars, o prazo é dia 15/11, então até lá vamos resolver.

Com ou sem investimento externo estamos tocando o projeto, trabalhando em melhorias, em novas implementações, etc. A ideia de ter alguém nos ajudando com foco total no Mentaway ainda existe, mas por enquanto estamos fazendo tudo por nós, administrando o tempo entre o Mentaway e os outros projetos da Zee. Na parte de design/usabilidade contamos desde o começo com a ajuda do Fabio Sasso (Abduzeedo) e do Fabiano Meneghetti, que também administram o tempo entre a Zee e outros trabalhos para tocar o Mentaway.

RWW: E os planos, para onde querem levar o projeto nos próximos meses? Quais os próximos objetivos?

Nosso maior plano no momento é trabalhar na próxima versão do serviço, já com várias melhorias e algumas novidades. Estamos também bastante preocupados em melhorar a experiência do usuário e deixar tudo simples e claro para quem está usando o serviço, então essas são as prioridades do momento.

Os próximos objetivos são ‘espalhar a palavra’, mostrar ainda mais o serviço e seu potencial, implementar outras ideias e integrações. O objetivo é redefinir travel bloging, é fazer com que toda a galera que curte tecnologia e que goste de viajar conheça e use o Mentaway. 🙂

RWW: Já estão buscando investimentos? Conte-nos um pouco do processo.

Na verdade não estamos buscando investimento. Nos inscrevemos para o YC e para o TechStars, mas fora isso não estamos fazendo outros contatos. Estamos focando no trabalho mesmo, em melhorar o serviço, em mostrar o potencial dele para os usuários. Se a gente fizer isso direitinho pode ser que alguém venha bater na nossa porta.

RWW:Muito Obrigado pela entrevista. Ótima sorte!

0 responses to “Entrevista: Mentaway, Mês dos Brasileiros no TechCrunch

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *