Socorra.me! A Queda do Migre.me e os Riscos dos Encurtadores de URL

Ontem a blogosfera brasileira foi sacudida pela perda dos dados do serviço de encurtamento de URL’s mais popular do brasil, o Migre.me. O fundador do serviço, Jonny Ken, postou um video no Youtube contando um pouco da história e dos problemas com o datacenter que levaram a perda de todos os dados do serviço.


O migre.me era hospedado em um provedor de hosting brasileiro, chamado Argohost, que aparentemente, durante uma migração perdeu todos os dados da empresa armazenados em seu serviço de storage. O provedor do serviço fez um post em seu blog, esclarecendo os problemas, que você pode conferir aqui. O motivo relatado é a ausência de um segundo equipamento adquirido pela empresa, que trabalhava com uma empresa parceira chamada Baydenet, e uma falha operacional que geraram a perda de todos os dados do serviço (bacana a postura das empresas de assumir a culpa e se empenhar em buscar soluções para o problema).

Mas o fato é que neste momento, alguns milhares, talvez milhões de links armazenados no serviço perderam seus redirecionamentos e agora temos URL’s por toda a web que ao serem clicadas redirecionam para lugar nenhum.

Alguns Problemas dos Encurtadores de URL

Será que os URL shorteners são um risco ao bom uso da web? Alguns problemas são bastante conhecidos, e apesar da conveniência, várias pessoas são críticas com relação aos serviços de encurtamento. Veja alguns motivos:

  • Links quebrados: Estava fazendo um sorteio usando uma URL do migre.me? Linkou o migre.me no seu email marketing para contar quantos cliques um link teve? Estes dados agora estão perdidos, muito provavelmente para sempre. Se você os usa em alguma página, saiba que isso é péssimo para SEO e vale a pena procurar links quebrados e tentar consertá-los. No final do ano passado, o Internet Archive começou um projeto chamado “301 Works” em parcerias com vários encurtadores tentando garantir a integridade das urls criadas. Infelizmente não conhecemos empresas envolvidas neste projeto aqui no Brasil.
  • Encurtadores deixam a web lenta e roubam tráfego: Sim, ao passar por um redirect, o usuário tem que esperar mais tempo para ver sua página. Isso geralmente ocasiona uma perda de uma parcela do tráfego durante o processo de redirecionamento.
  • Encurtadores podem servir de isca para spam e phishing: Ao clicar em uma URL encurtada, o usuário não sabe para onde vai. Um short URL pode levar tanto a um download malicioso, quanto a um clássico Rick Roll. Existem scripts para o greasemonkey e extensões de navegadores que mostram os links completos, mas isso não é algo usado com frequência pelos usuários.
  • Eles podem não dar conta da demanda ou mesmo acabar: É clássico que serviços como o migre.me ou mesmo os players internacionais fiquem temporariamente indisponíveis e/ou fechem as portas. O caso do migre.me não foi o primeiro e provavelmente não será o último, e assim fica difícil confiar em encurtadores. SLA não parece ser uma característica comum neste mercado.

Algumas Vantagens dos Encurtadores de URL

Nem tudo são riscos e existem alguns casos de uso que realmente justificam o surgimento deste tipo de serviço. Alguns são:

  • São convenienetes para a mídia impressa: Imagine ter que adicionar uma URL enorme em uma matéria de revista: (EX: http://webholic.com.br/2009/12/15/encurtadores-de-url-uma-disputa-estrategica-pela-web-de-tempo-real/) . Com certeza este é um caso onde o uso se justifica.
  • São feitos sobre medida para o Twitter e SMS: Sim, quando se tem 140 caracteres como limite, um encurtador pode ser algo muito importante para facilitar o compartilhamento. Muito do sucesso do Twitter se deve em partes aos URL shorteners.
  • Permitem com facilidade medir performance em tempo real: Portanto, eles sempre vão ser uma boa pedida para quem quiser medir o retorno de um link enviado por email ou mesmo pelo Twitter. Serviços como o Bit.ly estão investindo pesado nesta estratégia.

Mas Então, Qual Encurtador Usar?

Bom, se você optou por encurtar uma URL, você está assumindo alguns riscos escondidos, mas se sentir confortável com isso, vale a pena escolher com critério. Eu particularmente recomendaria que você usasse os encurtadores feitos pelos grandes players, empresas consolidadas ou altamente especializadas, uma vez que usar um serviço de encurtamento feito na garagem, pode ser arriscado. Hoje temos serviços bastante promissores como o Bit.ly (que encurta as urls do New York Times por exemplo), o Google oferece um encurtador para links publicados no Feedburner (goo.gl) e o Facebook também tem seu próprio shortener, o Fb.me . Ontem o Twitter anunciou o início do uso do seu próprio encurtador, o t.co, que também armazenará informações e metadados sobre os links publicados no serviço. Acredito que em breve, os grandes players que precisam deste tipo de serviços, acabarão dominando o mercado e teremos uma web mais segura. Até lá, gostaria de saber: Qual o seu encurtador de URLs favorito?

PS: enquanto este post foi escrito, 1125 links quebrados foram retuitados segundo a busca do Twitter.

PS2: @jonnyken recebeu ajuda do#uolhost e já está preparando para restaurar o serviço com um banco de dados mais antigo. URLs serão perdidas, mas apenas as que foram criadas após a migração do serviço para a Argohost.

31 responses to “Socorra.me! A Queda do Migre.me e os Riscos dos Encurtadores de URL

  1. É interessante que o Bit.ly aposta bastante neste caminho e tenta oferecer “shortening as a service”. É difícil para uma empresa cujo core não é de tecnologia manter este tipo de serviço, por isso aposto na tendência também…

  2. É interessante que o Bit.ly aposta bastante neste caminho e tenta oferecer “shortening as a service”. É difícil para uma empresa cujo core não é de tecnologia manter este tipo de serviço, por isso aposto na tendência também…

  3. Situação complicada, acredito que o Jonny vacilou em deixar uma coisa que é fatal pra sua empresa na mão somente de terceiros.

    Concordo com o Diego, não acho que tem o porque uma empresa gastar recurso com isso, temos serviços excelentes e de qualidade como Google e Bit.ly.

    Com certeza é um case pra não deixarmos isso acontecer na empresa da gente.

    Boa sorte ao Jonny!

  4. Situação complicada, acredito que o Jonny vacilou em deixar uma coisa que é fatal pra sua empresa na mão somente de terceiros.

    Concordo com o Diego, não acho que tem o porque uma empresa gastar recurso com isso, temos serviços excelentes e de qualidade como Google e Bit.ly.

    Com certeza é um case pra não deixarmos isso acontecer na empresa da gente.

    Boa sorte ao Jonny!

  5. Agora que o problema foi parcialmente resolvido podemos discutir o que tirar de lição disso tudo. Será que cloud computing não seria a solução? Um ambiente 100% virtual, com redundância instalada (e não essa goma de que o dispositivo de backup estava à caminho) reduziria as chances disso ocorrer?

    E a questão jurídica, tem abertura para algum tipo de processo? Alguma regulamentação para definir níveis de serviço formais, como levantado pelo @HerberthAmaral?

  6. Agora que o problema foi parcialmente resolvido podemos discutir o que tirar de lição disso tudo. Será que cloud computing não seria a solução? Um ambiente 100% virtual, com redundância instalada (e não essa goma de que o dispositivo de backup estava à caminho) reduziria as chances disso ocorrer?

    E a questão jurídica, tem abertura para algum tipo de processo? Alguma regulamentação para definir níveis de serviço formais, como levantado pelo @HerberthAmaral?

  7. Encurtadores de tráfego não vão sumir, primeiro porque são convenientes para quem usa (os exemplos do uso no Twitter e na mídia impressa são excelentes), e também porque são uma janela única para enxergar os cliques dos outros. Porém, serviços como o encurtador do Google e do Twitter mostram que os grandes players não vão deixar isso de graça para novos entrantes. Quem já está no mercado ainda vai ter seu tráfego (caso do migre.me), mas não dá para entrar mais.

    Agora, uma coisa que chama a atenção é a vulnerabilidade inerente ao sistema todo. O pessoal que estuda acidentes de avião diz que a causa geralmente não é um fato isolado, mas uma série de erros em cascata. E o caso do Migre.me é típico. Uma sequência de decisões equivocadas, uma depois da outra. O pessoal do datacenter se apressou, a meu ver desnecessariamente, para inaugurar um serviço sem as devidas precauções. Não é só a falta do segundo storage (eles deveriam ter esperado), mas também a maturidade da equipe operacional. É bem provável que o técnico que errou no processo estivesse fazendo aquilo pela primeira ou segunda vez, porque era tudo novo. Esses procedimentos devem ser treinados em lab antes de serem executados em um sistema “vivo”. E o próprio Migre.me está rodando com uma arquitetura simples, centralizada, sem distribuição ou redundância. Se o sistema já estivesse rodando em mais de um servidor (ou ainda, se estivesse com um servidor em outro datacenter fazendo a réplica) isto não teria ocorrido.

  8. Encurtadores de tráfego não vão sumir, primeiro porque são convenientes para quem usa (os exemplos do uso no Twitter e na mídia impressa são excelentes), e também porque são uma janela única para enxergar os cliques dos outros. Porém, serviços como o encurtador do Google e do Twitter mostram que os grandes players não vão deixar isso de graça para novos entrantes. Quem já está no mercado ainda vai ter seu tráfego (caso do migre.me), mas não dá para entrar mais.

    Agora, uma coisa que chama a atenção é a vulnerabilidade inerente ao sistema todo. O pessoal que estuda acidentes de avião diz que a causa geralmente não é um fato isolado, mas uma série de erros em cascata. E o caso do Migre.me é típico. Uma sequência de decisões equivocadas, uma depois da outra. O pessoal do datacenter se apressou, a meu ver desnecessariamente, para inaugurar um serviço sem as devidas precauções. Não é só a falta do segundo storage (eles deveriam ter esperado), mas também a maturidade da equipe operacional. É bem provável que o técnico que errou no processo estivesse fazendo aquilo pela primeira ou segunda vez, porque era tudo novo. Esses procedimentos devem ser treinados em lab antes de serem executados em um sistema “vivo”. E o próprio Migre.me está rodando com uma arquitetura simples, centralizada, sem distribuição ou redundância. Se o sistema já estivesse rodando em mais de um servidor (ou ainda, se estivesse com um servidor em outro datacenter fazendo a réplica) isto não teria ocorrido.

  9. A pior coisas quando esses problemas acontecem, como já aconteceu com outros serviços brasileiros antes, é que os projetos nacionais vão perdendo credibilidade, mesmo aqueles que não apresentam problemas.

    Acho preocupação exagerada com a integridade dos links. Mantenho um encurtador de url em um servidor dedicado a 1 ano e meio, nesse tempo, o http://vqv.me nunca perdeu um link e saiu do ar apenas 3 vezes sempre por períodos de poucos minutos.
    Além de tudo, desde quando iniciamos as atividades, sempre mantemos um backup diário em 2 outros servidores de menores para alguma eventualidade e como já fizemos quando mudamos nosso domínio (pug4.net), mantemos o antigo funcionando em um servidor menor, já que os links são antigos e não possuem muito trafego
    Sobre a demora no redirecionamento, a não ser que o servidor que você esteja encurtando esteja sobrecarregado, não costuma durar menos que alguns milesimos de segundo.

  10. A pior coisas quando esses problemas acontecem, como já aconteceu com outros serviços brasileiros antes, é que os projetos nacionais vão perdendo credibilidade, mesmo aqueles que não apresentam problemas.

    Acho preocupação exagerada com a integridade dos links. Mantenho um encurtador de url em um servidor dedicado a 1 ano e meio, nesse tempo, o http://vqv.me nunca perdeu um link e saiu do ar apenas 3 vezes sempre por períodos de poucos minutos.
    Além de tudo, desde quando iniciamos as atividades, sempre mantemos um backup diário em 2 outros servidores de menores para alguma eventualidade e como já fizemos quando mudamos nosso domínio (pug4.net), mantemos o antigo funcionando em um servidor menor, já que os links são antigos e não possuem muito trafego
    Sobre a demora no redirecionamento, a não ser que o servidor que você esteja encurtando esteja sobrecarregado, não costuma durar menos que alguns milesimos de segundo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *