Startup 101 – Definindo Visão, Missão e Estratégia

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Você tem uma missão, estratégia e um plano certo? Então por que escrevê-los parece uma daquelas tarefas que tem que ser feita para manter os investidores felizes?

Quando Lou Gerstner, um dos maiores homens de negócios de todos os tempos, assumiu a então decadente IBM, ele disse: “A última coisa que uma empresa precisa é de uma visão”. Ele estava certo. Naquele momento, a IBM precisava de uma transformação cultural, e seu grande mérito foi conseguir cumprir este objetivo. Nada é pior do que um papel com uma frase de visão e missão que parecem ter saído de um discurso corporativo, cheio de palavras tiradas de uma cartela do Business Bingo.

Indo um pouco mais fundo, entretanto, você vai descobrir que missão, visão e estratégia são essenciais. Elas sequer precisam estar claramente documentadas, mas devem ser tangíveis, reais e executáveis. Lou Gerstner provavelmente tinha uma missão, uma visão e uma estratégia. Ele só estava tão focado na execução, que sabia que era inútil documentá-las.

Visão, Missão e Estratégia

Visão: “Eu vejo um mundo assim…”

Missão: “Neste mundo, pretendemos…”

Estratégia: “Vamos atingir esta missão da seguinte maneira…”

Encontrando sua visão

Existem 4 tipos de visões para startups:

1. Fantasiosa. Uma alucinação, sem compromisso com a realidade. Pode parecer divertido, mas não é muito útil ao criar um negócio.

2. Extrapolação de tendências. Uma visão é realmente tentar entender o futuro. As tendências já estão visíveis hoje, apesar de tentar datá-las ser um erro. Ao sobrepor estas tendências em um cenário que sua empresa acredita e consegue antecipar, você tem sua visão.

Tentar diferenciar uma visão que extrapola tendências de uma visão fantasiosa pode ser complicado. Sempre vai ser difícil, e ao final você vai ter que confiar no seu feeling. Muitas vezes, este tipo de exploração pode ser errônea e então sua empresa vai ter que se adaptar… E este é o motivo pelo qual agilidade é tão valorizada entre empreendedores. Várias startups de sucesso começaram com uma visão definida, mas mudaram à medida que descobriam novos mercados e possibilidades para avançar.

3. Inspiração para seus stakeholders (ex: empregados, investidores, clientes, sócios). É uma versão polida dos objetivos dos empreendedores e um mantra para todos os que movimentam sua empresa. O objetivo é dar uma direção a todos: “Venham, avançar! Nesta direção…”

4. Baton no porco. Uma empresa surfando na onda errada, ou na contramão de uma onda (ex: revistas e jornais hoje) provavelmente terá uma visão bonita e pomposa… afinal, “espremer até a última gota” não é muito inspirador. A maior parte das pessoas não sabe distinguir entre o #3 e o #4.

A ideia por trás da visão da sua empresa tem que ser algo que não saia da sua cabeça. Geralmente estas ideias parecem totalmente malucas. Mas geralmente os ambientes de negócios são algo bem fora da normalidade. A ideia que todos deveriam ter um PC era maluca nos anos 70, quando a Microsoft estava começando. As pessoas que são guiadas por ideias acabam se questionando em algum momento. Em todos os níveis, uma ideia sobre um cenário futuro é sempre maluca.

Produtos Incríveis!

Produtos incríveis  te deixam de queixo caído, te fazem pensar “Wow!” e acreditar em mágica.

Produtos incríveis criam seu próprio mercado. Sua chave são necessidades reais e eles se tornam possíveis pela visão do todo de seus criadores, passando por uma visão, missão e estratégia. Estes caras criam um produto notável e lançam: o produto acaba se tornando um hit. No senso comum, isso acaba sendo chamado de “genialidade”.

Seguindo Sem Uma Visão ou Missão Definidas (oficialmente)

Há muito tempo atrás, um empreendedor extremamente bem sucedido teve uma reunião com investidores. Sua empresa já era um sucesso, estava crescendo e se tornando lucrativa. Ele havia feito aquilo sem 1 centavo sequer de capital de terceiros, mas levou 10 anos para chegar ali… Obviamente, o sucesso não foi da noite para o dia. Um dos investidores pergunta qual foi a visão e a missão da empresa nos seus primeiros dias. Ele responde: “Eu queria pagar minhas contas.”

Ele não estava tentando ser engraçado. Ele começou sem dinheiro ou contatos – só estava fazendo algo que sabia que o permitiria lucrar o suficiente para viver. Com o passar do tempo, o que ele sabia fazer se tornou parte de uma grande tendência… E ele era inteligente, trabalhava duro, era persistente e estava perfeitamente posicionado na hora certa.

Um outro empreendedor construiu seu negócio ao longo de 20 anos e o vendeu quando o mercado aqueceu. Ele poderia tirar onda sobre o quão esperto ele era, ao prever o que aquele mercado se tornaria. Estes dois empreendedores tinham uma missão e uma visão guiando suas ações: eles simplesmente não a tornaram oficial, ou porque não foram pressionados para tal, ou pelo simples fato que isso não teria nenhum benefício real.

Missão Sem Estratégia é Apenas Soberba

Estratégia: “Vamos atingir esta missão da seguinte maneira…”

Você consegue encher uma biblioteca com livros sobre estratégia. Mas quando se fala de startups, o jeito mais simples de pensar em estratégia é pensar em alavancagem. Não estamos falando de alavancagem financeira (que também pode ser adequado, apesar de fora de moda). Pense numa alavanca.

“Dêem-me uma alavanca e um ponto de apoio e eu moverei o mundo” — Arquimedes

Startups precisam de uma alavanca para competir com grandes empresas consolidadas. Uma alavanca é um diferencial, algo que os Venture Capitalists chamam de “vantagem desleal.” Você deve estar atento para descobrir qual a sua vantagem desleal, qual o território em que você é bom o suficiente ou tão memorável que imobilize seus concorrentes.

Alguns empreendimentos começam com uma clara visão da sua alavanca, mas sem uma clara visão de como usá-la. Eles tem fé em sua visão de futuro e percebem que na hora certa saberão como usar sua alavanca. O Google começou lançando um melhor mecanismo de busca (a alavanca) sem uma visão de como usá-lo para gerar receita. Hoje eles são o exemplo mais claro desta abordagem, mas  existe também uma enorme lista de outros casos de empresas que tentaram a mesma coisa e fracassaram.

Estratégia – Plano = Bolha

Construir uma empresa é como construir software – é um processo iterativo. A medida que se avança é possível ver a arquitetura e o design, mas as coisas não começam assim e os progressos não são lineares. O caminho da visão para a missão até chegar a estratégia parece claro. Na verdade, este é um processo bagunçado, caótico e não linear, mas que evolui junto ao negócio.

Já o planejamento é um processo separado. O tipo de empreendedor que é genial ao criar uma visão, missão e uma estratégia, nem sempre é um grande planejador e executor. É por isso que deixaremos este tema para nosso próximo post, na semana que vem.

E você leitor, como a série Startup 101 pode ajudar a sua empresa ou a sua ideia a sair do papel? Deixe suas idéias nos comentários.

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