Startup 101: Escolhendo Seu Conselho Administrativo

Este post é parte da série Startup 101. Para ver a lista dos demais posts, clique aqui. Para acompanhar esta série, assine nosso feed RSS ou nos siga no Twitter.

Escolher seu conselho administrativo faz parte do esforço inicial de aprendizado sobre o relacionamento com investidores. Para quem não sabe, o conselho administrativo de uma empresa tem uma função essencial: dar credibilidade à gestão empresarial.  Ao contrário do que muitos pensam, um conselho administrativo não serve apenas para acompanhar a empresa e definir metas. Para criar seu conselho você vai ter que buscar pessoas com talentos complementares aos seus, que realmente acreditem no que você está desenvolvendo, que sejam acessíveis e tenham credibilidade. Pode apostar, não vai ser muito fácil. Para começar:

Defina Alguns Objetivos

Você busca pessoas que:

  • você confia e confiam em você;
  • sabem coisas que você não sabe e que você sabe que vai precisar;
  • acreditam na sua missão e visão;
  • estarão lá quando você precisar delas.

Usar um Conselho Administrativo Como Material Promocional Pode Não Ser Uma Boa Ideia

Vocês já leram ou ouviram sobre alguma startup com conselheiros do tipo estrela, capa de revista? Você acha que os investidores valorizam muito este tipo de coisa? Acha que isso interessará a seus clientes? Apesar de a princípio parecer interessante, este é um velho truque, que já perdeu sua credibilidade.

Conselheiros de verdade devem dedicar tempo e atenção as empresas que eles aconselham. Então é preciso que eles estejam disponíveis e não estejam no meio de uma tournê de palestras quando você precisar falar com eles. Não pulverize e perca o foco, escolha conselheiros com alguma proximidade, e muito conhecimento, nunca os rock stars que não terão tempo para você e vão querer sair nas manchetes como os caras por trás da sua empresa.

Conselheiros e Conselheiros

Você pode ter qualquer número de conselheiros — amigos e família — para os quais você se vira informalmente e não espera nada além de amizade e conselhos ocasionais. Quando nos referimos a conselheiros estamos falando de alguém que tem uma relação oficial e profissional, compensada e sólida com a sua empresa.

Como Aproveitar ao Máximo Seus Conselheiros

Não tente fazer seu dinheiro “valer a pena” acionando-os em todas as situações e/ou fazendo perguntas desnecessárias. Espere até que você precise de ajuda. Não vá atrás deles quando uma simples busca na web poderia lhe adiantar algumas respostas. Foque em saber o suficiente sobre seus conselheiros para saber o quanto eles podem ajudar em uma situação específica. E dê a eles a informação necessária apenas, não é necessário discorrer sobre os pormenores da operação, ou algum pequeno problema na sua contabilidade, por exemplo.

Assim, quando você acioná-los com necessidade, e souber que eles realmente podem ajudar, aproveite. Eles aceitaram um trabalho como outro qualquer e estão sendo pagos por isso. (Veja abaixo)

Quantos e Qual o Tipo?

Não tenha conselheiros em excesso. É um gasto desnecessário de tempo e dinheiro. Escolha os conselheiros certos para o momento certo. A medida que sua empresa cresce, eles evoluem, ou são substituídos, pois quanto mais você cresce, mais eles ganham.

Uma regra de ouro: Nunca tenha mais membros no conselho do que no seu time administrativo. 2 ou 3 são o suficiente para começar.

Formação do Conselho: Busque um conjunto equilibrado. Se os fundadores dominam muito bem a parte de negócios, busque algum conselheiro com background técnico. Se seu time pode ter dificuldades na entrada no mercado, busque alguém que participou de algum case parecido e conseguiu uma saída interessante. Alguém com habilidades em finanças também é sempre bemvindo. E é sempre bom ter empreendedores bem sucedidos do seu lado.

Como Recompensá-los

A remuneração de conselheiros deve ser feita com a sua principal moeda de troca: equity. Nem pense em remunerar seu conselho com salários, ao menos até sua empresa estar consolidada e não ser mais uma startup. O equity dos conselheiros deve possuir vesting (falamos sobre vesting no post anterior) de aproximadamente 4 anos, assim como os fundadores. O valor das ações dependerá de quando eles vieram. Se eles estão com você desde antes do primeiro aporte, ofereça a eles algo em torno de 1 a 2% da empresa. É um alto comprometimento acionário, mas se eles apostam em você desde o momento mais arriscado, eles merecem uma grande compensação. Dê a eles a oportunidade de não diluição, ou seja, se o investidor diluir as ações dos fundadores e conselheiros, eles devem ter o direito (e não a obrigação) de manter seu percentual, pagando pelas ações no mesmo valuation que o investidor.

Se eles chegam após a primeira rodada de investimento, você terá que levar algumas coisas em consideração.

  1. O conselheiro deve ser compatível com os investidores e ter um nível de experiência similar (para que o conselheiro consiga lidar e entender as necessidades dos investidores). Ter um conselheiro imparcial no conselho é uma boa idéia, assim o conselho não penderá nem para os empreendedores nem para os investidores.
  2. As opções de ações do conselheiro devem ser parte das opções de ações da equipe administrativa. Portanto eles provavelmente receberão comparativamente uma porcentagem menor de equity da empresa, mas a um valuation mais alto.

E as Redes de Contatos do Investidor?

Aportes são sempre iguais financeiramente. Receber um aporte no valor de X do investidor A tem exatamente o mesmo valor de um aporte de X do investidor B. Mas como os investidores não gostam de oferecer um commodity, eles agregam valor pela qualidade do seu networking. E isso é verdade, geralmente os investidores trazem muito mais que dinheiro ao negócio, mas é importante estar atento a algumas coisas:

  1. Um conselheiro recomendado pelo investidor sempre estará do lado do investidor (caso haja um conflito);
  2. Você terá mais flexibilidade se levar sua rede consigo ao invés de contar com os contatos do investidor.

Uma escolha errada de membros do seu conselho administrativo é algo que pode sair caro para a sustentabilidade e governança da sua empresa. É uma decisão que deve ser tomada cedo, e com cautela, pois você nunca sabe de verdade quando precisará buscar ajuda, e o conselho é sua melhor chance.

0 responses to “Startup 101: Escolhendo Seu Conselho Administrativo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *