VC Talks: Boa Empresa ou Bom Investimento?

Autor Convidado: Este post foi escrito por Ted Rogers, capitalista de risco e sócio da PPI Ventures. Nesse artigo, Ted traz a perspectiva do investidor para leitores que estudam esse tema ou procuram investimento para sua startup. Acompanhe o blog de Ted Rogers – VC Brazil – e siga @vcbrazil no twitter.

Um dos maiores pontos de discordância entre empreendedores e capitalistas de risco é a diferenciação entre uma boa empresa e um bom investimento. Ambos são bastante diferentes.

Lembre-se que capitalistas de risco são julgados por apenas uma coisa: retorno sobre investimento. Os investidores dos fundos de capital de risco geralmente buscam taxas internas de retorno (TIR) de pelo menos 25%; no Brasil, o objetivo pode chegar a 30% (25% + 5% pelo risco).

Uma TIR de 25% significa, aproximadamente, fazer 9 vezes o valor do investimento em um período de 10 anos. Novamente, este é um valor mínimo e nenhum VC quer segurar um investimento por 10 anos… O tempo médio de investimento de VC hoje é em torno de 7 anos, e mesmo os 7 anos são considerados um grande e doloroso tempo para ter sua saída.

Atingir uma TIR de 25% ou mais significa encontrar empresas que têm grande potencial de saída (ou seja, o momento de desinvestimento – quando o VC vende sua parte no negócio por um valor mais caro do que quando a adquiriu). Isso mostra que – em alguns casos – vale a pena apostar em empresas instáveis mas com grande potencial, ao invés de apostar em empresas sólidas e consistentes.

Por exemplo, consideremos que o empreendedor Y abra a empresa X com 20 milhões em lucro, 15% de crescimento anual e margens EBITDA de 10%. Em qualquer análise, constatamos que a empresa X é um grande sucesso, e que o empreendedor provavelmente se esforçou muito, investiu muito e fez muitos relacionamentos na construção desta empresa. O que o empreendedor Y provavelmente se espantaria então seria saber que a empresa X não seria interessante para a maioria dos VCs…

Vamos às contas:

  • Imaginemos que o capitalista de risco invista $5.000.000 em uma valuation de 2 vezes a receita da empresa, ou seja, $40.000.000. Repare que isso seria 13 vezes o valor do EBITDA – um grande multiplicador.
  • Agora o VC possui 11% da empresa: = $5,000,000/($40,000,000 + $5,000,000)
  • A empresa X continua a crescer 20% ao ano até o ano 10, quando ela é comprada por um competidor.
  • O competidor paga pela empresa um valuation de 2 vezes as receitas, cerca de $206 milhões.
  • Levando em conta que a participação do VC não tenha sido diluída por outros investidores, o investimento inicial lhes dá uma saída de $23 milhões.
  • Parece interessante, certo? Mas está errado. A taxa interna de retorno (TIR) desse investimento foi de 18%, bem abaixo do mínimo aceitável no mercado (lembra dos 25% que falamos no início?)

    Este exemplo pode parecer simplificado demais, mas demonstra a idéia básica. Uma excelente empresa nem sempre demonstra uma excelente oportunidade de investimento. Para se tornar uma boa oportunidade de investimento, a empresa deve apresentar um crescimento exponencial, o que leva a uma enorme valuation quando a empresa é vendida ou abre seu capital (IPO).

    O mercado de capital de risco é um jogo de hits: muitos fracassos e poucos enormes sucessos… E não um jogo de investimentos moderados em empresas moderadas.

    É por esta razão que é muito comum ver capitalistas de risco fazendo diversos investimentos especulativos, nos quais ele aparecem estar sendo mal-aconselhados. Eles precisam correr riscos na busca por um novo sucesso, e isso leva a muitos fracassos… mas também a um Skype, Ebay ou um Google.

0 responses to “VC Talks: Boa Empresa ou Bom Investimento?

  1. Ou um Buscapé, quando falamos do Brasil.

    Excelente post. E isso é fato, o que vemos no mundo todo: “o mercado de capital de risco é um jogo de hits”, mesmo afunilando entre os sucessos, quando vemos sobre a lista das 50 empresas mais valiosas do mundo (http://www.businessinsider.com/sai-50-2009) valores entre 6,5 bilhões e 100 milhões. Uma variação alta para o número de empresas comparado às tantas startups que são criadas.

    O que parece para o capital de risco brasileiro é que os investidores têm que arriscar mais. Sem dúvida que a captação aqui é mais complicada que a norte americana, mas existem outros meios de arriscar que não seja com altos valores em primeiro ou segundo round. O importante é o que dizem vários profissionais do meio: o empreendedor não se encontra, se cria. E isso dá para se investir sem muito dinheiro, ou nenhum. A partir daí cria-se uma boa empresa, consequentemente um bom investimento.

  2. Ou um Buscapé, quando falamos do Brasil.

    Excelente post. E isso é fato, o que vemos no mundo todo: “o mercado de capital de risco é um jogo de hits”, mesmo afunilando entre os sucessos, quando vemos sobre a lista das 50 empresas mais valiosas do mundo (http://www.businessinsider.com/sai-50-2009) valores entre 6,5 bilhões e 100 milhões. Uma variação alta para o número de empresas comparado às tantas startups que são criadas.

    O que parece para o capital de risco brasileiro é que os investidores têm que arriscar mais. Sem dúvida que a captação aqui é mais complicada que a norte americana, mas existem outros meios de arriscar que não seja com altos valores em primeiro ou segundo round. O importante é o que dizem vários profissionais do meio: o empreendedor não se encontra, se cria. E isso dá para se investir sem muito dinheiro, ou nenhum. A partir daí cria-se uma boa empresa, consequentemente um bom investimento.

  3. Ou um Buscapé, quando falamos do Brasil.

    Excelente post. E isso é fato, o que vemos no mundo todo: “o mercado de capital de risco é um jogo de hits”, mesmo afunilando entre os sucessos, quando vemos sobre a lista das 50 empresas mais valiosas do mundo (http://www.businessinsider.com/sai-50-2009) valores entre 6,5 bilhões e 100 milhões. Uma variação alta para o número de empresas comparado às tantas startups que são criadas.

    O que parece para o capital de risco brasileiro é que os investidores têm que arriscar mais. Sem dúvida que a captação aqui é mais complicada que a norte americana, mas existem outros meios de arriscar que não seja com altos valores em primeiro ou segundo round. O importante é o que dizem vários profissionais do meio: o empreendedor não se encontra, se cria. E isso dá para se investir sem muito dinheiro, ou nenhum. A partir daí cria-se uma boa empresa, consequentemente um bom investimento.

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