Você Pensa em Continuar na Sua Startup Daqui a 5 Anos?

Todo empreendedor sonha com o sucesso da sua empresa. Quem não quer ver sua empresa avaliada em centenas de milhões de dólares, ou até mais?

A fórmula do sucesso parece simples: tenha uma boa idéia, trabalhe duro, encontre o investidor certo, cresça, e bingo! o primeiro lugar é seu. É claro que com um pouco de noção da realidade, todo mundo sabe que não é tão fácil assim – mas o prêmio é grande, e para quem tem boas idéias e disposição, vale a pena tentar. O pior que pode acontecer é dar errado – e então, você tenta de novo (ou “pivota”, como diz o movimento lean).

O que pouca gente lembra é que o sucesso nem sempre vem rápido, e pode demorar anos, depois de um bom tempo de trabalho contínuo. O sucesso repentino do Angry Birds levou oito anos para acontecer. Então, a primeira pergunta é: você tem persistência – e paixão pela idéia – para esperar esse tempo todo? E se o sucesso não vier? Por incrível que pareça, essa talvez não deva ser a sua única preocupação.

Lições do Digg

O Digg surgiu em 2004 e logo se estabeleceu como uma força no mercado de Internet. O modelo de publicação de notícias, 100% baseado na indicação e votação dos usuários, se mostrou altamente escalável e alavancou o crescimento do serviço. Em 2008, o serviço quase foi comprado pelo Google por US$ 200 milhões, mas o negócio não foi fechado. Desde então o serviço foi perdendo espaço até que nesta semana (meio por acaso) veio à tona que Kevin Rose, o fundador do Digg, estaria saindo da empresa para iniciar uma nova startup.

O curioso na história é que pouco antes da revelação da saída de Kevin Rose do negócio, a mídia já tinha notado que ele estava se afastando do Digg, ficando mais ativo no Twitter do que no seu próprio serviço. E quando o fundador se afasta do seu negócio – ainda mais quando ele ainda é sócio e está ativo na direção da empresa – então certamente alguma coisa não está indo bem. O futuro do Digg agora é incerto, e uma startup que até pouco tempo atrás era sinônimo de sucesso pode estar indo para a vala comum dos negócios mal sucedidos.

Decidindo Sair

Vender um negócio por um valor milionário ou fechar um negócio que vai indo mal são apenas duas das possibilidades que uma startup enfrenta. No entanto, muitas empresas ficam no meio do caminho: geram resultados suficientes para operar de forma auto-sustentada, mas não o suficiente para mudar o mundo ou garantir uma aposentadoria tranquila. É aí que a mentalidade do empreendedor fica diante de um dilema.

Boa parte dos empreendedores sonha alto. Para alguns é o desejo de mudar o mundo, para outros a independência financeira (ou ambos). Mas é possível ter uma empresa sólida sem  necessariamente atingir estas metas mais ambiciosas. A opção então é entre ser conservador e manter uma posição sólida, ou admitir que o projeto já chegou ao seu limite e partir para o próximo desafio.

O Papel do Empreendedor

O empreendedor não é apenas quem tem uma grande idéia. É a pessoa que consegue transformar esta idéia em realidade, e que para isso precisa conseguir engajar no processo investidores e usuários, sem os quais o negócio não existe. Acima de tudo, o investidor precisa ter paixão pelo seu negócio, paixão que é traduzida em horas de trabalho e muita paciência para aprender com os erros e se reinventar continuamente.

Os investidores colocam dinheiro no negócio, na confiança de que o empreendedor irá dedicar o seu melhor esforço para fazer a idéia florescer. Errar faz parte do risco do negócio, mas falta de compromisso é um pecado capital. E o mesmo ocorre com os usuários, mesmo que eles não tenham nenhum compromisso formal com o empreendedor. Uma saída precipitada ou mal conduzida pode criar junto ao mercado a sensação de falta de compromisso com o empreendimento, o que pode prejudicar projetos futuros.

É por isso que o empreendedor precisa avaliar continuamente o seu grau de envolvimento com o negócio. Se ao primeiro sinal de estabilização ou estagnação o empreendedor perder o entusiasmo, então é melhor se preparar  para tomar uma decisão logo – antes que o próprio futuro do negócio esteja em risco.

O empreendedor pode ficar satisfeito em ter uma empresa bem sucedida, que pague as suas contas e permita dar emprego a algumas pessoas, de forma sustentável – e não há nada de errado nisso.  Por outro lado, há empreendedores que pensam grande, para os quais o negócio só vale a pena se for relevante em escala global. Para estes profissionais, a idéia de continuar tocando o mesmo negócio anos a fio pode parecer um suplício. E da mesma forma, não há nada de errado nisso.

A partir do momento em que Kevin Rose perdeu a paixão pelo Digg, não fazia sentido continuar no negócio. Ele pensa grande e sonha alto, e vai tentar de novo, com outro projeto. Mas para cada empreendedor como ele, existem outros que encontram seu caminho tocando um negócio de menor porte. Saber em qual grupo você está ajuda a tomar decisões melhores, respeitando parceiros e clientes, que são a única coisa (além do seu sonho) que realmente importa neste processo.

E você, pensa em continuar na sua startup daqui a 5 anos?

5 responses to “Você Pensa em Continuar na Sua Startup Daqui a 5 Anos?

  1. Muitos fundadores apenas saiem porque são forçados a sair pelos investidores que precisam de executar a sua estratégia de saída no máximo em 7 anos.

    Essa é uma arapuca que muitos empreendedores caiem porque não compreendem a lógica dos investidores.

    Cada vez que vejo empreendedores celebrando porque conseguiram investimento, eu penso para mim, será que eles não se vão importar de entregar o negócio todo mais tarde ou são tontos e não sabem que esse é um destino bem provável?

    Não há milagres, os investidores põe a grana mas querem o seu retorno que é o investido multiplicado por um fator o mais alto possível.

    O que acontece é que a estratégia de saída de muitos investidores é vender a sua parte. Mas muitas vezes a empresa que compra não quer apenas uma parte, quer 100%.

    Por isso os empreendedores são obrigados a sair porque o comprador quer a parte deles também.

    Conclusão, se você não quer ser obrigado a largar o seu negócio, capital de risco não é para você.

    Nesse caso, talvez o melhor caminho seja “lean startup” e investir do seu bolso apenas.

    Um outro caminho, é levar a empresa para a bolsa, mas aí já se sabe que só as startups mesmo muito grandes conseguem. Esse mundo não é para os pequenos.

  2. @Wesley, a intenção do texto era provocar uma reflexão. Se você é empreendedor, é bem provável que esteja tão focado no aqui e agora que não pensou direito ainda no que significa um projeto de startup no longo prazo. Há quem queira apenas colocar uma idéia para decolar, vê-la “explodir” (de sucesso), e depois partir para o próximo projeto. Enquanto isso há outros que querem ter um negócio de longo prazo, mesmo que não seja o maior negócio do mundo. O fundamental é ter em mente quem você é, para que possa balizar suas opções de saída corretamente! E é isso que (infelizmente) muita gente não faz.

    Há empreendedores infelizes porque foram “tocados” do seu negócio por investidores pragmáticos em busca de retorno; este tipo de investidor, que pensa em longo prazo, tem que escolher bem o seu investidor. É mais ou menos o caso que o Manuel Lemos cita no comentário dele.

    Da mesma forma há empreendedores infelizes porque se viram presos a uma empresa que está no “limbo”, como dizem alguns. Boa suficiente para sobreviver, mas não o suficiente para atrair holofotes e investimento. Estes empreendedores é que precisam questionar fortemente se querem ficar presos a um projeto por um tempo longo. Dependendo da resposta, pode ser melhor nem começar!

  3. Carlos Ribeiro,

    Obrigada pelo texto, muitas vezes como empreendedora, me sinto como diriam os americanos “LOOSER”, pois o que vemos em grande parte das publicações, são negócios enormes, grandes, com altos faturamentos. Concordo, há matérias que abordam problemas dos empreendedores, mas sempre em uma situação “anos-luz” de algumas start-ups.

    Seu texto mostra que realmente não é tudo tão fácil e nem todos os negócios estão fadados ao sucesso interplanetário. E mesmo assim são bons negócios. A busca da realização está muito mais dentro de cada empreendedor do que no empreendimento em si!

    Obrigada pela reflexão!

  4. @Carlos Ribeiro, concordo com vc. Muito se fala de conseguir um investidor para seu projeto, mas pouco se fala sobre o que acontece após esse aporte. O socio-fundador continua no negocio? Se saiu, saiu porque? O que faz o socio ser retirado do negocio? Entre outras perguntas…

    Eu sou sócio de uma startup e estou buscando capital e tenho estes questionamentos e simplesmente não existe bibliografia que fale sobre o assunto.

    Abs,

    Gustavo Mota
    CEO
    http://www.wedologos.com.br

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