Financiando seu Projeto com Editais Públicos

Autor Convidado: Maurilio Alberone é empreendedor, atuando principalmente com TV interativa na Peta5 e M.A. Labs. E está iniciando a gerência do seu 3º investimento público.

Há diversos anos os governos federal e estaduais vem fomentando projetos de inovação em empresas privadas. Inicialmente a prática era bem mais amarrada devido a impossibilidade legal dos governos investirem recursos diretamente nas empresas. Assim, o movimento mais comum era o da hélice tripla (Universidade-Empresa-Governo). Porém, a partir da Lei da Inovação, tornaram-se possíveis práticas de subvenção (recursos que não precisam ser devolvidos) diretamente para as empresas privadas. Isso beneficiou muitos empreendedores, principalmente aqueles que não possuem acesso a centros de pesquisas ou seus negócios não justificam tais articulações (a maioria das empresas web, por exemplo).

Como no Brasil o investimento privado ainda é bastante restrito, tanto pela quantidade de investimentos quanto por volume financeiro, uma boa opção é a busca por alguns dos recursos públicos disponíveis. Que são muitos!

Agências federais (como FINEP e CNPq) e estaduais (como FAPERJ, FAPESP, FAPEMIG etc) possuem editais abertos praticamente ao longo de todo o ano, além de outros recursos que podem ser solicitados a qualquer momento, para bolsas e equipamentos, por exemplo.

Por diversas vezes já ouvi a afirmação de que sobram recursos por faltarem bons projetos buscando estes investimentos. Por parte dos empreendedores existe o argumento de que para ser aprovado em um destes editais é necessário que a equipe possua uma alta qualificação acadêmica. Apesar disso contar pontos a favor, não é essencial. No primeiro edital que obtive aprovação nossa equipe tinha um recém graduado e os demais ainda alunos de graduação, um CNPJ com 5 meses e faturamento quase zero. Os avaliadores estão aos poucos perdendo o medo de aprovarem investimentos em empresas com alto risco.

O que tenho visto nestes últimos dois anos que acompanho o setor é que existem muitas oportunidades inexploradas devido à falta de informação e ao preconceito dos empreendedores.

Uma maior popularização destes editais públicos veio há aproximadamente 1 ano com o lançamento do Programa PRIME, da FINEP. Porém mesmo este, que foi totalmente voltado ao empreendedor iniciante, não atingiu o número máximo de projetos contemplados. E além do PRIME existem outros editais que podem ser submetidos pela empresa nascente em busca de recursos.

O empreendedor deve sempre levar em conta o amadurecimento do seu projeto, já que muitos recursos na hora errada também podem ser prejudiciais. Porém, se você já está com seu produto provado e precisa de um empurrão financeiro para crescer, não deixe de pesquisar mais sobre estas oportunidades. É mais simples do que você imagina.

Se você já teve alguma experiência com investimentos públicos, deixe sua opinião nos comentários.

0 responses to “Financiando seu Projeto com Editais Públicos

  1. NÃO, mil vezes NÃO!

    Não é dinheiro público que tem que ser investido na empresa, não vivemos na Dinamarca.

    O que vocês tem que lugar é pela melhoria das condicões, da redução de impostos, da diminuição da burocracia. Só assim poderemos ser um país sério, onde investe-se pensando no longo prazo, e não onde jogamos dinheiro em ações do governo pensando no curto prazo. E o governo investe o dinheiro em empresas, criando “mini-estatais” que, por consequência, vão apoiar o governo somente por causa disso, aconteça o que acontecer com o país.

    1. A bandeira que você levanta não é excludente a captar investimentos públicos.
      E quanto a pensar em curto prazo e criação de mini-estatais vejo uma visão muito equivocada e superficial da sua parte quanto ao assunto. Não estou falando em bilhões do BNDES para criação de portos, refinarias e outras indústrias privadas. E sim de editais que fomentam a inovação em pequenos negócios, gerando empregos e criando oportunidades para empreendedores alavancarem seus produtos.

      1. Enquanto o governo continua comendo milhões em impostos. Incentivar capital de risco nem pensar né?

        Investimentos privados é que tem que ser prioridade. Governo investe em educação, saúde, segurança e infra-estrutura. O resto é o setor privado, mas não temos nenhum dos itens feitos de maneira decente.

        1. Enquanto não temos uma rede de capital de risco totalmente privada o governo precisa incentivar estas ações.
          Os principais fundos de VC que existem no Brasil hoje operam dinheiro público em sua maioria.
          O governo precisa sim investir cada vez mais nos recursos básicos, mas as empresas geram capital, empregos e impostos também. É um ciclo que precisa ser incentivado para engrenar.

          E o propósito do post não foi discutir ações governamentais, mas sim mostrar para os empreendedores opções de investimentos que existem no nosso país e que não são usadas. Hora por desinformação, hora por preconceito.

    2. Realmente a crítica é totalmente descabida. Dinheiro público em empresas privadas é o que mais acontece em diversos setores da economia e indústria de todas as economias capitalistas do mundo: de mineração e energia ao mercado financeiro.

      É papel do Estado sim fomentar e investir em inovação. Japão, China e Índia são ótimos exemplos de iniciativas estatais que deram certo.

      Quanto a paranóia de criar-se mini estatais para atender interesses de uma agenda política do governo, meu caro, vc deveria estar mais preocupado é com empresas do porte da Petrobrás, Vale e Oi -mesmo assim elas ainda atuam pra atender o objetivo fundamental de gerar lucro para TODOS os seus acionistas.

      1. Desculpe, esqueci que vivemos em uma sociedade igual ao Japão, só mencionei Dinamarca.

        Sim, China deu bem certo. Já que ela tem UM BILHÃO de pessoas para empregar. Um bilhão de mão de obra barata. Você aceita produzir um iPhone recebendo $300/mês?

        E estou falando de startups de tecnologias, estou falando de incetivarmos criação de Google’s, Foursquare’s, etcs.

        1. O Google começou com um invetimento de R$ 100.000 e apoio irrestrito de Stanford…. seu argumento continua parcial e quer justificar efeito sem fazer jus a causa…

          como já bem colocado empresas de gde porte como petrobras e até mesmo mega empresas “particulares” como as do EIKE precisam sim da ajuda do governo… toda a industria de infra-estrutura precisa de investimentos do governo porque demora-se anos, talvez decadas pra ser pago o investimento de volta… com tecnologia o risco é muito grande e também justifica o investimento.

          Posso falar com conhecimento de causa do CIETEC maior incubadora da America Latina….

          O total de impostos que as empresas incubadas já pagaram superou o incentivo financeiro que pegaram do governos….Ressalta-se que muitas delas não existiriam se não houvesse este tipo de investimento.

          Por fim, é preferivel o dinheiro público na mão de empreendedores que atuam como multiplicadores desta soma ou é preferível pagar masadas aos nossos ilustres políticos???

          Abraços

          1. Mesmo os queridinhos exemplos dos EUA…perderam a mão em investimentos de risco e diante da crise precisaram de investimento do governo pra se sustentarem….

            O fato de NÓS barsileiros usarmos estatais pra fazer politicagem, cabide de empregos interesseiros etc. é uma coisa

            O apoio a investimento do governo em iniciativas privadas é outra coisa

            Se aqui acontece uma mistura nos valores éticos do governo com os de empresa privada (EFEITO) devemos atacar a CAUSA – POLITICOS e EMPRESÀRIOS SAFADOS e SEM-VERGONHA – não penalizar todos generalizando os probelmas ….

            Lembre-se que é o capital produtivo que assegura o desenvolvimento de qualquer país…se o Estado “terceiriza” os seus investimento confiando $ a empreendedores sérios e honestos ….em tese seria uma forma de alvancar o capital do governo e economizariam com mão-de-obra especializada. Puta negócio!
            A bandidagem camufla e mancha estes beneficios sinergicos entre o governo e o setor privado!

  2. Boa tarde Maurílio, por favor, quais instituições citadas acima (FINEP, CNPq, FAPERJ, FAPESP, FAPEMIG), são mais apropriadas para vislumbrar captação de recursos para projetos sociais? Existe algum canal que centralize editais para esse fim? Muito bom o artigo! Obrigado!

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