Social Media Brasil: Saúde na Web, LSD 2.0 e Livros digitais – 1ª parte

Durante dois dias foram discutidos em São Paulo algumas novas modalidades de relacionamento com o consumidor/usuário a partir das mídias sociais. Não somente as Social Medias, como o nome do evento, mas foi até um pouco além. Ponto positivo. Ponto negativo para a (des)organização que não ofereceu rede wi-fi estável e rápida (foi justamente o contrário). Como um evento de internet é provável que vários participantes, com notebooks e até alguns iPads, queiram cobrir tudo real time, como também era a nossa ideia.

Isso sem contar as pessoas que tiveram problemas com o credenciamento. Na chegada, por engano entramos na fila para esse fim e permanecemos por mais de 10 minutos e uma pessoa somente havia sido atendida. São fatos que agora são irrelevantes, mas participantes que pagaram cerca de R$ 360 mereciam, pelo menos, uma estrutura melhor.

Saúde na Web – A primeira manhã contou com a presença da consultora norte-americana Sara Holoubek, CEO e fundadora da Luminary Labs. Sara, que mudou o tema da sua apresentação para “Saúde, Dados Pessoais e Redes Sociais” – estava acertado de palestrar sobre as mudanças do consumidor online –, explicou a alteração de assunto pela preocupação com a saúde da população mundial.

O apelo principal foi o aumento dos casos, principalmente, de obesidade, má alimentação, hipertensão e diabetes em toda a população, inclusive entre o pessoal 2.0. “Existe um olhar no futuro e ao mesmo tempo em que prejudica, a web pode nos ajudar”, diz. Com muitos exemplos, a consultora comentou do website Fitbit, que controla e monitora com um aparelho calorias ganhas e perdidas (inclusive durante o sono). Já o portal norte-americano dos Vigilantes do Peso, que com a ideia de monitorar os pontos em calorias consumidas, criou um aplicativo para iPhone.

Esse compartilhamento de histórias e conhecimento é como um canal social do gênero que realmente existe. O Patients Like Me é uma espécie de Orkut para problemas de saúde. A rede, fundada em 2004 por três engenheiros do MIT, tem a função de aproximar profissionais da área de saúde, organizações de pesquisa, indústrias e pacientes, dividindo ferramentas, informações e experiências para contribuir com um melhor diagnóstico ou um tratamento de uma doença.

Sara ficou curiosa e pesquisou por meses como as pessoas se comportam quando querem perder peso ou pesquisar sobre alguma doença na web. Por isso, a pergunta que ficou era: “Quais são as maneiras de dividir conhecimento?” A ideia central que Sara quis passar é a ajuda com a colaboração, assim como o Bluetooth, que para ela é o estetoscópio do futuro.

 

Fuck The Line, a total convergência

Bruno Tozzini, coordenador de mídias sociais da DM9, começou o primeiro dia discutindo a lisérgica energia que vem das redes sociais, as ações que abordam conceitos pouco comuns para transmitir uma mensagem ou posicionar um novo produto. O criativo apresentou o pré-case, a ação ainda está acontecendo do “Volta Ferrorama”. Após a análise de que nostálgicos se uniram no Orkut com a criação de uma comunidade do mesmo nome da ação, Tozzini e equipe apresentaram um projeto aos executivos da fabricante Estrela de voltar a comercializar o adorável trenzinho, sucesso nos anos 70. O publicitário já havia feito em fevereiro o Tuitorama, ação com outro brinquedo da fabricante, o Autorama, que seguia a movimentação dos carrinhos de Fórmula 1 por meio de tweets e hashtags.

O desafio do “Volta Ferrorama” era “trilhar” os últimos 20 Kms do caminho de Santiago de Compostela na Espanha com os trilhos próprios para o trenzinho passar. Embarcaram na experiência Markora –- o criador da comunidade na rede social – e uma pequena equipe, que incluía também o blogueiro e redator Chico Barney para “auditar” a ação.

O que mais foi discutido nesse projeto foi a ideia desvairada para fazer valer uma ação que retorne a lembrança do brinquedo e com o sucesso do desafio levá-lo novamente à realidade, às vendas. Tozzini chamou o conceito de Lisergia Social Digital, o LSD 2.0.

Os dois planos são exemplos que contam com uma ótima ferramenta de mobilização pelas redes e um desafio que acontece no ambiente offline. Outros projetos, da chamada LSD 2.0, tomam forma a partir de piada internas que viram piadas mundiais, sem fronteiras. Uma das mais recentes – não tem apelo comercial (pelo menos não diretamente) – já não é preciso citar a moção global para calar certo locutor de futebol.

Ficção na realidade, como fakes que ainda são um sucesso como Hugo Gloss e Victor Fasano criaram um mundo paralelo. Alguns não possuem, mas o branding sempre existiu, só é preciso alinhar ideias e necessidades. O Ferrorama também faz parte do modelo conceito #tripstreaming, um plano que se remete à cobertura de viagens – como foi o caso, em que os desafiados foram para a Espanha -, criado por Tozzini e comentado com muito bom-humor em seu blog. Em resumo, essa ideia define que um canal de mobilização já não é mais suficiente. O projeto tem cobertura sob variados canais, seja foto, vídeo, microblog, rede social, às vezes mobile e quase sempre ligado a uma aproximação presencial, seja com o público ou com o desafio proposto para a meta.

“Não existe mais separação entre on e off, é a total convergência”, finaliza.

 

Facebook, um adendo

O gerente de expansão do Facebook no Brasil, Julio Vasconcellos divulgou dados em que se constatou que usuários da rede esperam mais experiências sociais com conteúdo, texto e o Live Feed, o recurso que pode ser usada para eventos corporativos. O intuito é gerar a interação em tempo real via chat, áudio e vídeo.

A única novidade que Julio falou em sua apresentação foi o incremento e o desenvolvimento dessa ferramenta. O resto todos sabem. Há também o estímulo dentro da rede para o crowdsourcing, algo já bem discutido inclusive por Chris Anderson, em passagem pelo Brasil na metade de junho. A ferramenta do Live Feed quer aumentar ainda mais a participação de empresas no canal, movimentar a visibilidade corporativa e a ampliação da geração de eventos associados a produtos e marcas.

Um update: o Facebook conta hoje com cerca de 500 milhões de usuários ativos – Mark Zuckerberg afirmou recentemente que a meta é 1 bilhão até o final de 2010 e, no entanto, quer entrar forte nos mercados chinês, indiano e russo.

O filme “The Social Network”, dirigido por David Fincher e baseado no CEO de 26 anos, será lançado em outubro e já tem teaser do trailer (que não diz nada, mas já cria o clima de suspense com a frase “Você não consegue fazer 500 milhões de amigos sem fazer alguns inimigos”).

 

Novas oportunidades para autores independentes

Para quebrar todas as barreiras entre a batida discussão “o papel ou o leitor?” apareceu Newton Neto, diretor executivo da Singular Digital, divisão da Editora Ediouro. Na verdade, Neto não perdeu tempo com conversas infindáveis e apresentou os novos projetos da editora carioca há 70 anos no mercado, impressão sob demanda e o aumento da biblioteca virtual da empresa.

Com sites como Wordclay, Blurb, Smashwords e o Wiki Books, autores independentes tem a oportunidade de lançar seus próprios livros digitais, com exceção do Wiki Books, que também pode ser impresso, dependendo da vontade do usuário de pagar (somente) pela impressão. A grande maioria dos portais é gratuita e assim como uma loja de aplicativos, o valor do “aluguel” é feito pela comissão da venda de livros. “Os escritores tem a chance e precisam correr atrás porque as editoras estão, cada vez mais, perdendo espaço”, esclarece o executivo.

Para o diretor, o desafio é mapear onde estão os leitores, seja para a editora ou para o autor digital. Muitos escritores, por exemplo, divulgam seus livros – para um público específico, na maioria das vezes – em suas próprias redes, além de eventos e outros blogs. Uma ótima amostra que Neto apresentou foi o lançamento do novo livro de Rubem Fonseca, “O Seminarista”, que com um hotsite incrível, conteúdos especiais e até um trailer, fez a diferença nessa estrutura de divulgação editorial.

E como uma rede social segmentada para quem gosta de livros, Verena Petitinga, gerente de produto da Infoglobo, indicou seu projeto, O Livreiro. “Gentóloga”, como se apresentou, a gerente afirmou que a geração do “Yes, We Can” (ou a Geração Y, se preferir) é um dos públicos que mais apoia a segmentação em nichos, no caso, do mercado literário. A rede tem um ano – foi lançada em 2009 no Festival Literário de Paraty, a Flip – e conta atualmente com 82 mil usuários – de 15 a 35 anos. No ar está a versão beta e uma nova edição será lançada em agosto. “As mudanças foram sugeridas totalmente por nossos usuários”, explica.

O que mais importa, segundo ela, não são as tecnologias, é a prática da leitura constante. Essas redes são um forte estímulo à leitura e ao aprendizado. No caso de O Livreiro, os leitores também recomendam outras publicações aos seus contatos, o que aumenta o nível de troca de informação pelo canal. “Caminhos assim nos aproximam do novo consumidor, o que não compra mais tanto pela propaganda, mas pela recomendação de contatos e outros usuários”, conta Verena.

>> Amanhã voltamos com a segunda parte da cobertura. Para acompanhar, siga-nos no Twitter e no RSS.


Isabel Geo é jornalista, empreendedora e comanda a Agência de Comunicação Multiplataforma Visionello Conteúdo Inteligente.

0 responses to “Social Media Brasil: Saúde na Web, LSD 2.0 e Livros digitais – 1ª parte

  1. Oi Isabel,

    Sou o Alexandre responsável pelo SMBr. Queria agradecer pela cobertura e pelo feedback (que na verdade já sabiamos em tempo real) dos erros e etc.

    Muito boa a cobertura e pretendo linkar no hotsite do SMBr.

    Fico bastante feliz de ver que você conseguiu captar o espirito da palestra da Sara Holoubek, sem dúvida foi uma das menos “sociais” mas na minha humilde opinião, uma das mais importantes em termos de se pensar em redes sociais como esratégia para um mundo melhor e evolução de comunidades.

    Grande abraço

  2. Oi Isabel,

    Sou o Alexandre responsável pelo SMBr. Queria agradecer pela cobertura e pelo feedback (que na verdade já sabiamos em tempo real) dos erros e etc.

    Muito boa a cobertura e pretendo linkar no hotsite do SMBr.

    Fico bastante feliz de ver que você conseguiu captar o espirito da palestra da Sara Holoubek, sem dúvida foi uma das menos “sociais” mas na minha humilde opinião, uma das mais importantes em termos de se pensar em redes sociais como esratégia para um mundo melhor e evolução de comunidades.

    Grande abraço

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