Você Colabora Por Quê?

Autor Convidado: Rafael Zatti é fundador da LabelDESAFIOS e escreve diariamente sobre inovação aberta e crowdsourcing.

O colaborador, aquela pessoa que cria e edita artigos para a Wikipedia ou aquela outra que reporta bugs para a Mozilla, é um otário por fazer isso de graça? Antes de responder essa questão, ou pelo menos sugerir uma resposta, quero contar algumas histórias.

Imagine a cena, o elevador quebra no oitavo andar deixando você e mais um grupo de desconhecidos presos por alguns minutos. Até o momento da pane ninguém havia pronunciado uma palavra. Nem um bom dia. Todos estavam, até o momento, envolvidos com suas preocupações e afazeres. Enquanto você repassava mentalmente a to do list do dia, o sujeito ao lado conferia as faixas no iPod. Em poucos segundos alguém, dentro do mesmo elevador, irá fazer um comentário ou esboçar uma reação que fará com que todos iniciem uma conversa. Fato. Tão real que já virou, inclusive, objeto de estudo. No desespero as pessoas sentem necessidade de interação para resolver problemas. Ou seja, indivíduos com problemas em comum tendem a colaborar uns com os outros. De graça.

Vou além.

Quando Linus Torvalds e uma brigada voluntária de programadores montaram, através da internet, um sistema operacional de primeira classe ninguém, ou pouca gente, questionou se a empreitada perderia valor ou se os colaboradores seriam mais ou menos otários por estarem doando horas de trabalho. O motivo disso não é nem a necessidade de interação ou de resolver problemas em comum, mas o desejo de participar de algo maior do que nós mesmos. Tanto é verdade, que muitas vezes nos pegamos dizendo o que fazemos antes mesmo de dizermos quem somos.

A receita não vale apenas para o Linux. A Dell, uma das maiores fabricantes de computadores, mantém uma plataforma de colaboração on-line onde qualquer um pode sugerir melhorias em troca de nada. Nenhum centavo. Foi dessa mesma plataforma que surgiu a ideia de uma linha de computadores baratos rodando Linux. A P&G é outro exemplo de colaboração gratuita. Cerca de 40% de seus produtos vieram da multidão anônima. Posso voltar e citar a Wikipedia, onde uma legião de pessoas cria conteúdo com o simples propósito de participar da maior enciclopédia do mundo.

Este texto não é um esboço de um tratado socialista bancado pelo Evo Morales e Hugo Chávez, nem uma apologia a pobreza ou trabalho gratuito. Tanto que acredito mais em modelos crowdsourced e de inovação aberta nos moldes do Innocentive, onde as empresas pagam pela colaboração e por soluções, do que em qualquer outra forma de inovação. Apenas quero sugerir uma resposta para a questão do início do post: quando envolvemos motivação e propósitos maiores, há mais do que dinheiro envolvido.

Então nós fazemos a pergunta, e você? Colabora por quê?

0 responses to “Você Colabora Por Quê?

Deixe uma resposta para Ricardo Dantas Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *